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Notícias sobre nós

Por Débora Oliveira
Publicado em: 25.06.2022 às 03:00

Vivemos um caos social inexplicável e incontrolável nos últimos dias. Se você acompanhou o noticiário da semana, nem preciso ir longe para fazer entender o limite do inadmissível que estamos presenciando do amanhecer ao anoitecer dos fatos.

É o tempo em que vivemos a agonia de duas famílias esperando os corpos de dois homens mortos na Amazônia por serem ameaça ao crime ambiental e indígena que se fortalece no descaso dos governantes por anos e gestões. O local onde morreram o jornalista e o indigenista fica em uma área conhecida pela alta periculosidade tendo em vista a atividade prática de narcotraficantes, a pesca e também do garimpo de forma ilegal. E aí me pergunto: a partir do momento que sabemos ser lá um cenário a merecer uma atenção para o combate às irregularidades, por que não o fazem?!

Nos deparamos com a cena de violência entre um procurador enfurecido por ser subordinado a uma mulher que denunciou a postura agressiva no ambiente profissional que já estava assustando outras mulheres, e que se demonstrou realmente brutal como anunciaram as colegas antes do fato consumado.

O protagonismo feminino ainda atordoa a sociedade machista, e não podemos mais entender esse descontrole emocional dos agressores como algo natural do ponto de vista de quem não admite estar em um lugar abaixo de fala. Já passou da hora de se pensar em políticas públicas que trabalhem o universo masculino de forma preventiva, antes de precisarmos remediar com patrulhas e redes de apoio às mulheres, hoje fundamentais para uma mínima convivência em centenas de milhares de famílias. E aí pergunto: a partir do momento que se sabe onde começa o descontrole da violência, por que não o fazem?!

E ainda precisamos aceitar mais uma criança gerando outra criança a partir de abuso. Gravidez precoce que se repetiu mais de 17 mil vezes em 2021 com meninas de até 14 anos, fazendo do Brasil o segundo País do mundo nas estatísticas de abuso sexual de crianças e adolescentes.

Será mesmo que vamos seguir banalizando essa infância interrompida pela desinformação e o descaso, sabendo inclusive que a maioria dos episódios são confirmados com a participação de algum integrante da família? São mais de 500 mil vítimas por ano sendo exploradas sexualmente segundo dados do Observatório do Terceiro Setor.

E aí pergunto: a partir do momento que esses números disparam avassaladoramente e compreendendo uma necessidade imediata de educação para prevenção dos estupros, da violência física e das doenças sexualmente transmissíveis, por que não o fazem?!

Essas notícias são sobre nós, e o ambiente doente em que estamos inseridos. O que acontece com o outro é parte de nós e dos nossos lamentos como seres humanos. É a sociedade gritando por atenção pela desatenção.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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