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O fascismo tecnológico

Por Jackson Buonocore
Publicado em: 01.07.2021 às 03:00 Última atualização: 01.07.2021 às 09:11

Toda pessoa tem uma série de ideias e convicções que formam sua visão sobre a vida, que são os fundamentos de sua mentalidade. Podemos dizer que a mentalidade é um modo de entender a existência humana, do ponto de vista individual e coletivo, que depende da conjuntura social e histórica de cada época.

A mentalidade fascista se enquadra nesse conceito, contudo, suas ideias e convicções trazem o preconceito e a violência como elementos propulsores de suas ações sociais e políticas, que estão presentes em nosso cotidiano: nos assédios, nos discursos que humilham seus semelhantes, nas atitudes agressivas, nos atos de injustiças, nas fake news etc.

Hoje, as circunstâncias revelam que o fascismo não é apenas um regime de Estado, mas faz parte da subjetividade de certas pessoas, como um processo patológico de construção do seu psiquismo, que se instala no seu mundo interno e se relaciona com o mundo externo.

Isso é a manifestação irracional de indivíduos medianos, que têm seus desejos sexuais reprimidos, impulsionando seu caráter social sádico. Porém, ninguém gosta de assumir sua subjetividade fascista: indiferente, insensível e com um instinto tanático de destruir os que não se adequam à sua "camisa de força."

O comportamento desses sujeitos apresenta uma tendência farisaica, que se submete a uma estrutura familiar patriarcal e ao comando de líderes autoritários. É por isso que o fanatismo político e religioso contempla os anseios da mentalidade fascista, a fim de continuar mantendo os desvalidos fiéis ao seu sistema de dominação.

A mentalidade fascista por questões teóricas não é de direita e nem de esquerda, porque ela precisa atualmente salvar o Brasil e o mundo do liberalismo, do comunismo, da homossexualidade, do feminismo e perseguir os jornalistas e todos que criticam suas ideias e convicções. O psiquismo fascista é narcisista e paranoico, pois é incapaz de respeitar as regras do Estado Democrático de Direito, por acreditar que são inaceitáveis as opiniões antagônicas aos interesses do seu Deus, da sua pátria e da sua família.

É mais do que evidente, é escandaloso o surgimento do "fascismo tecnológico com a face sorridente" da mulher e do homem branco e a conivência do lumpemproletariado, que se impõe nas redes sociais e nas ruas.

Portanto, a mentalidade fascista da nossa época, com sua performance cibernética, é herdeira do discurso nazifascista: que ama os poderosos e odeia os impotentes, uma vez que sua pregação tem como finalidade manter a massa resignada para que poder do líder seja realizado, como constatou o psicanalista Erich Fromm em seu livro O medo à liberdade.

 


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