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Fofocas e boatos

Por Jackson Buonocore
Publicado em: 17.06.2021 às 10:00

As fofocas e os boatos são episódios banais que circulam em nosso dia a dia, em que as minúcias são elevadas à máxima relevância, tendo como fio condutor o "diz-que-diz", que são os mesmos das fofocas e dos boatos. Sociólogos e psicólogos pesquisam como tais fenômenos sociais operam na sociedade.

As diferenças básicas entre as fofocas e os boatos estão no conteúdo e nas motivações que fomentam esses eventos e no modo como são transmitidos. As fofocas envolvem um grupo seleto de espectadores e os boatos ocupam um círculo maior de interessados, ambos são ávidos por "maldizeres".

As fofocas são "zunzuns" sobre a vida alheia, sobretudo, quando os alvos não estão presentes, e os boatos são "invencionices" de fatos duvidosos. Hoje, as fofocas e os boatos se multiplicam de forma viral nas redes sociais, constrangendo todos os tipos de relações.

Então, podemos dizer que uma conversa entre duas pessoas cujo tema é uma terceira pessoa que não está presente ou quando dois indivíduos falam sobre um terceiro que está ausente e as conversas contêm ilações, rebuliços e preconceitos, isso é tipificado como fofoca.

Os boatos são usados por quem está numa posição de poder, a fim de manipular a opinião pública.

A maioria dos boatos se transforma em fake news, com a finalidade de promover os interesses dos seus mentores, que são implantados com frequência nas relações políticas, econômicas e sociais.

Além disso, a manipulação das notícias ou das informações também gera boatos, os mais comuns têm sua origem em mitos existentes na memória social de um grupo, como por exemplo: o medo das vacinas e das ameaças conspiratórias. Esses mitos dão créditos aos boatos, que são compartilhados coletivamente.

A psicanálise entende que as fofocas e os boatos trazem no seu cerne o ódio e a inveja, que são direcionados às instituições ou pessoas, para envenená-las ou destruí-las.

Aliás, as fofocas e boatos são mecanismos de controle social às custas da ruína dos outros, um tipo de tirania que impõe julgamentos morais, sem direito à defesa.

Em algumas situações no decorrer da vida, provavelmente, fomos vítimas dos "falatórios" das fofocas ou dos boatos. Mas podemos evitar esses incômodos, como disse a escritora Martha Medeiros: "Não fale, não conte detalhes, não satisfaça a curiosidade alheia. A imaginação dos outros já é difamatória que chegue."

Portanto, em nossa sociedade líquida, a maneira mais eficaz para diminuir os sintomas neuróticos das fofocas e dos boatos é checar a versão verdadeira dos fatos, agindo com boa-fé e bom senso, o que permite descontruir as fake news e os mitos, que geram tanto mal-estar.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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