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O assédio sexual

Por Jackson Buonocore
Publicado em: 03.06.2021 às 08:10 Última atualização: 03.06.2021 às 09:24

As recentes notícias de denúncias de assédio sexual, que envolveram um grande jogador de futebol e de um famoso médico brasileiro, que foi detido no Egito por assediar uma mulher desse País, traz à tona esse tema.

Essas denúncias são apenas a ponta do iceberg, pois os números revelam uma dimensão assustadora do assédio sexual contra as mulheres, como mostrou uma pesquisa de 2017 realizada pela "Kering Foundation", que constatou que no Brasil 40% das mulheres acima de 16 anos já sofreram algum tipo de assédio.

O assédio sexual atinge mulheres de todas as idades e classes sociais. Ele é um método de abordagem perversa, que se constitui - uma afronta - contra as mulheres nos espaços públicos ou privados.

Assim, o assédio sexual é uma prática da lógica falocêntrica, que também contribui com os impulsos afetivos, psíquicos e políticos para manutenção do discurso autoritário de homens e mulheres, que sustentam que o masculino e o feminino são desiguais em todos os aspectos.

Além disso, ele é um instrumento de poder de homens, que não conseguem controlar seus instintos sexuais, provocando um ciclo de constrangimentos: nas mulheres por serem assediadas, nas suas famílias por serem ofendidas e na sociedade que se sente insegura diante da frequência desses crimes.

Não há dúvida, que o assédio sexual produz consequências graves na saúde mental e física das mulheres, gerando vários sofrimentos: depressão, crises de choro, déficit na memória, desânimo, solidão, perda da autoestima, náuseas, insônia, sudoreses, calafrios, dificuldades de respiração, pânico etc, que podem levar ao suicídio.

No entanto, têm mulheres que buscam forças para denunciar, desafiando o medo de serem julgadas pela cultura machista, que se impregnou nas relações sociais. Elas estão dizendo um basta aos assediadores e não importa se eles são ricos ou pobres, celebridades ou anônimos, negros ou brancos

Muitos assediadores estão sendo desmascarados e punidos pela Justiça, uma vez que as vítimas de assédio sexual dispõem de seu alcance a garantia de direitos e a proteção está bem perto: no Ministério Público, na Delegacia de Polícia, no Poder Judiciário, no movimento de mulheres, na família e conta com apoio da mídia.

Enfim, as mulheres precisam entender, mesmo que isso seja doloroso de aceitar em função do sentimento de vergonha e receio, que o assédio sexual não é culpa delas, mas a responsabilidade é dos assediadores, que são homens que na infância não resolveram a fase fálica ou anal. Aliás, eles não concluíram com êxito o complexo de Édipo, o que criou a incapacidade desses sujeitos de lidar com as diferenças sexuais.

 


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