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Notícias | Rio Grande do Sul Crime

Mulheres denunciam abusos sexuais de médico ginecologista no Sul do Estado

Crime teriam acontecido entre os anos de 2012 e 2017 junto ao consultório do profissional no Hospital de Caridade de Canguçu

Publicado em: 27.05.2021 às 08:48 Última atualização: 27.05.2021 às 09:08

Hospital de Caridade de Canguçu Foto: Facebook/Reprodução

Um médico ginecologista foi indiciado por abuso e violência sexual contra quatro mulheres. O crime teria sido cometido pelo profissional junto ao consultório dele no Hospital de Caridade de Canguçu, no Sul do Estado. Três vítimas denunciaram o mesmo tipo de crime durante as consultas. A informação é do portal Canguçu Online.

Os casos, segundo as ex-pacientes, ocorreram entre os anos de 2012 e 2017. A Polícia Civil indiciou Barbosa pelo crime de violação sexual mediante fraude, que tem uma pena de reclusão de dois a seis anos. Além disso, a Polícia remeteu o inquérito ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

O órgão já realizou a denúncia do profissional. A juíza que cuida do caso deferiu duas medidas cautelares contra ele: o afastamento imediato do trabalho junto ao Hospital de Caridade de Canguçu, onde atuava, e a suspensão da atividade médica, o que irá impedi-lo de exercer a função em seu consultório a partir do dia 5 de junho. A defesa pode recorrer.

Relatos

Na entrevista exclusiva ao portal Canguçu Online, as três vítimas contaram com detalhes a maneira como aconteciam as consultas. Algumas práticas como a não utilização de luvas e a estimulação do clitóris das pacientes.

Situações que, segundo elas, aconteceram quando não estiveram acompanhadas de algum familiar. Uma das mulheres, hoje com 29 anos, revela que foi abusada por Cairo Barbosa entre 2012 e 2016, sendo que na primeira ocasião, quando estava grávida do primeiro filho.

“Eu já ouvia falar mal dele sobre as histórias, que ele gostava de molestar mulheres. Então eu sempre evitava cair no plantão dele. Mas teve um dia que eu não tive como evitar, eu não tinha condições de estar pagando médico particular e eu caí nas mãos dele. Eu já estava quase ganhando (o filho), faltavam em média três semanas para ganhar o meu bebê. E aí eu cheguei no hospital com a mãe, ele não deixou a mãe entrar. Disse que não precisava de acompanhante. Eu entrei para a sala, ele mandou eu me despir da cintura para baixo e me deitar na maca para o exame. Deitei-me. Ele disse ‘bom, agora vou fazer contigo um exame para estimular os movimentos do bebê’. E aí ele começou a me alisar no clitóris. Eu achei muito desconfortável aquele exame, mas eu não sabia o que estava se passando. Eu não tinha ideia. Como eu era 'marinheira de primeira viagem', eu pensava ‘que exame bem diferente, não passei por nenhum assim’. Mas achei estranho e muito desconfortável. Quando eu saí da sala, saí bem ruim, desconfortável. Ele, dentro da sala, teve a audácia de olhar para mim e dizer: ‘Eu gosto de mãezinha de primeira viagem porque elas não teimam", relatou uma das vítimas.

A paciente relatou ter procurado, então, uma amiga que trabalhava no local. O objetivo era esclarecer se aquele tipo de exame existia. Ouviu da mesma que não se tratava de um procedimento padrão. “Eu entrei em desespero. Eu queria ir todos os dias no hospital para ver se eu ganhava o meu filho o quanto antes para não ganhar no dia dele (do médico acusado).” Após insistir por ajuda, a mesma recebeu auxílio da amiga do hospital que viabilizou uma cesariana. 

Outra paciente, conhecida na cidade, diz que o médico encostou o órgão genital ereto na perna dela. O abuso teria acontecido em 2017. Após uma gravidez inesperada, ela foi consultar com o médico.

“Ele tem uma maca na sala dele, e pediu para me examinar. Somente eu e ele, não tinha ninguém junto. Ali, ele pediu para tirar toda roupa. Ele perguntou quando eu tinha tido minha última relação sexual. Eu falei para ele que achava que tinha sido uns dois dias atrás, três dias. E dali ele começou a fazer o que dizia ser um exame porque ele precisava colher material para ver se eu não tinha algum fungo. (Disse) que ele precisava estimular para sair líquido para ver se eu não tinha algum fungo", contou a paciente.

Ainda de acordo com outra vítima, o médico começou a examiná-la sem luvas. "Ele começou a me tocar, sendo que eu vi depois de um tempo. No início custou a me cair a ficha, mas depois eu percebi que não era um exame normal. Como eu já tinha consultado com outros médicos em outras duas gestações, nunca, nenhum outro médico tinha feito aquele tipo de exame de ficar me estimulando, mexendo no meu clitóris, enfiando os dedos em mim, sem luva. E com a outra mão ele ficou alisando o meu corpo. Passava a mão pela cintura, chegava até os seios. Alisava meus seios, descia a mão de novo, passava a mão atrás em mim e não parava de estimular o meu clitóris, porque depois de um tempo eu percebi que estava sendo molestada, mesmo", contou.

Uma das mulheres molestadas, relatou que entre traumas e consequências, teve crises no casamento, depressão, automutilação e tentativas de suicídio após as consultas. Hoje, afirma não aceitar abraços nem mesmo do marido. Diz abraçar os filhos, mas considera o toque de pele difícil.

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