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Notícias | Rio Grande do Sul Cúpula

Principais cidades da região exportaram 179 milhões de dólares a países do Mercosul

Conforme balanço do Ministério da Economia, em comparação com ano passado, valor total reduziu 21,5%

Por João Victor Torres
Última atualização: 05.12.2019 às 09:55

Bandeira do Brasil está hasteada na entrada de Bento Gonçalves Foto: Juarez Machado/GES
Especialistas são categóricos ao avaliar que, seja pela proximidade com dois dos parceiros mais importantes do bloco econômico, o Mercosul é fundamental para ativar um dos principais motores de arrecadação no Estado: as exportações. Em função disso, pensar na extinção ou saída do mercado comum construído na década de 1990 pode representar um problema especialmente para o Rio Grande do Sul, mas o impacto seria estendido a Santa Catarina e Paraná. Por óbvio, a região também tem neste um de seus destinos prioritários para comercializar produtos.

Além do Vale do Sinos, somando ainda a cidades como Esteio, Sapucaia do Sul, Canoas e Nova Santa Rita, as exportações apenas aos países do Mercosul representaram 179 milhões de dólares, em 2019. “Comparado com as exportações realizadas em 2018 houve uma redução de, aproximadamente, 21%”, observa a economista e professora da Universidade Feevale, Lisiane Fonseca, com base nos números informados pelo Ministério da Economia. Em 2018, foram 229 milhões de dólares.

Os itens negociados com as nações do conglomerado, conforme a economista, são de segmentos diversos. “Há uma diversidade produtiva dentre os município da região. Por exemplo, aço e ferro, pincéis, máquinas e motores agrícolas, calçados, máquinas e aparelhos de ar condicionado, dentre outros produtos”, complementa.

Cientista político e professor de Relações Internacionais e Jornalismo da Unisinos, Bruno Rocha Lima, considera que estados do Sul, o bloco é essencial. “O Mercosul é mais importante do que a gente percebe, como essas placas que seriam unitárias e não deram muito certo, ou fato de viajar para o Uruguai no verão com carteira de identidade”, comenta. “A indústria brasileira e instalada na região Sul e especificamente no Rio Grande do Sul, e o que sobrou de parque industrial ainda ativo no Vale do Sinos, está diretamente ligado com o mercado argentino e vice-versa”, acrescenta.

 

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Cúpula esvaziada

Praticamente consenso que, na falta das chancelarias recém eleitas do Uruguai e da Argentina, dois futuros protagonistas do bloco, as discussões em Bento Gonçalves perdem força. Ainda mais pelas drásticas mudanças na condução econômica desses dois países que foram prometidas durante as campanhas eleitorais.

“(O momento para a cúpula) É inadequado se a gente for imaginar que não tem sentido a participação de delegações de governos que estão saindo. No Uruguai, a Frente Ampla e, na Argentina, a 'Cambiemos'. Será uma inversão de posições”, em referência ao posicionamento político das duas nações daqui para frente.

Ministro da Relações Exteriores, Ernesto Araújo, abriu a 55ª Cúpula do Mercosul Foto: Juarez Machado/GES

Após 15 anos da esquerda no poder, os uruguaios confiaram a presidência a Luis Lacalle Pou, com uma política mais à direita. No outro lado do Rio da Prata, os argentinos não reelegeram o liberal Maurício Macri e reconduziram os peronistas à Casa Rosada, na chapa encabeçada por Alberto Fernández e que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Ou seja, a esquerda retorna ao governo.

Lisiane analisa as mudanças de maneira semelhante a Rocha. Além disso, lembra que Lacalle Pou tem uma linha de pensamento mais próxima a Macri e Bolsonaro. Ou seja, uma posição antagônica a Fernández. Porém, a economista cita que, “ o comércio internacional, além de abastecer os países naquilo em que possuem menor potencial competitivo, também auxilia no aumento da oferta de produtos - colaborando assim com o controle da inflação”.

Em função disso, o cientista político entende que já com respectivas transições em andamento, especialmente no universo diplomático, seria mais “adequado” a dupla representação para as duas nações. Entretanto, o que se vê é o oposto. “Se tivesse o princípio de boas práticas, não haveria esse conjunto de dúvidas. Como isso não está acontecendo, acho que a gente pode estar numa reunião muito importante por ser do Mercosul, um momento meio crítico, mas metade dela pode ser inócua”, analisa.

Por outro lado, Lisiane é um pouco mais otimista sobre as pautas anunciadas pelo Itamaraty na semana passada, como a ampliação de serviços em fronteiras, além da ampliação de discussões na área econômica. “As pautas são importantes, pois podem reduzir aspectos burocráticos das negociações, assim como a discussão de políticas de defesa do consumidor em âmbito internacional. É importante aprofundar as relações econômicas entre os países do bloco”, pondera.

O que realmente importa

Apesar dos acenos das chancelarias integrantes do Mercosul, a tarifa externa comum atualmente taxada em 35% começou a ser revista após 25 anos. O tema foi muito citado pelo ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo durante o pronunciamento à imprensa na noite de quarta-feira (4). “Avançamos muito”, limitou-se a dizer. Apesar disso, a definição sairá apenas no próximo ano, já com novos governos empossados no Uruguai e na Argentina. Para Rocha, a manutenção da TEC assegura a continuidade do bloco econômico latino-americano. “O tema mais relevante é manter a TEC (Tarifa Externa Comum)”, diz.

Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves Foto: Juarez Machado/ GES

Por outro lado, a partir das declarações e trocas de farpas entre Bolsonaro e Fernández, o cientista político que o grupo tem força com, no mínimo, os quatro membros efetivo. “(É preciso) Garantir a presença dos quatro países do bloco, no mínimo, e com o Brasil liderando. Sem uma posição errática de 'fica ou não fica'. Em o Brasil saindo, o bloco praticamente termina, porque a tendência da Argentina será criar uma coalisão com o grupo de Puebla, com o México, liderado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador e vai ser outro desenho. O mais importante é manter a TEC e, se for julgado e colocado que a alíquota está muito alta, ela seja rebaixada. Sem ela, acabou o Mercosul”, sinaliza.

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