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Notícias | Região NÚMEROS DE JANEIRO

Casos de Covid no RS se aproximam do recorde, mas mortes estão bem aquém do ápice

Primeiras semanas do ano têm alta brusca de pacientes positivados, mas imunização reduz letalidade do vírus

Por João Linden*
Publicado em: 26.01.2022 às 07:00 Última atualização: 26.01.2022 às 11:03

Hospitais e postos de saúde cheios de pessoas para testagem, mas ocupação controlada de leitos de UTI. Muitos pacientes positivados, mas, relativamente, poucos casos de internações. Como estão sendo os primeiros dias do terceiro ano de convívio com a pandemia? Quais as características da Covid-19 em 2022 até aqui?

Centro de triagem tem tido grande movimento em janeiro
Centro de triagem tem tido grande movimento em janeiro Foto: Diego da Rosa/GES
Inicialmente, o que mais chama atenção nos dados fornecidos pelo governo do Estado ou pelas autoridades municipais de saúde é o grande número de contágio ao longo de janeiro. Já são 215.483 novos casos registrados até a terça-feira (25). Ainda que não tenha chegado ao fim, janeiro já é o segundo mês com maior número de confirmações da doença. Fica atrás apenas março do ano passado, que teve 233.671 novos registros.

Para o virologista e professor da Feevale Fernando Spilki, essa explosão de novos casos se deu pelo relaxamento nas medidas básicas de proteção, como o uso de máscara. "Sim, a atual variante (Ômicron) é mais transmissível, mas se a sociedade não tomar os cuidados necessários, a propagação do vírus é muito mais fácil", avalia.

A maior demanda por testagens faz muitos serviços de saúde da região passarem por dificuldades para atender a todos. O número de internações também cresceu, o que fez governo estadual emitir ontem alertas para todas as 21 regiões Covid do Sistema de Monitoramento.

O que não cresceu neste início de 2022 foi o número de óbitos, que permanece semelhante a dezembro. Spilki explica que essa menor taxa de letalidade não se dá pelas características da variante. "As mortes não subiram na mesma proporção dos novos casos pela vacinação. A maioria das pessoas em estado grave atualmente não se vacinou", justifica.

Alta demanda

Prova do aumento da procura por testagem ocorreu na manhã de terça-feira, quando dezenas de pessoas aguardavam atendimento no Centro Covid no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. Havia fila de pessoas em pé, a área sob a tenda estava cheia e muitas pessoas aguardavam espalhadas pela calçada.

Morador do bairro Roselândia, o motorista Cristiano Schuster, de 47 anos, apresentava febre alta e dores nas costas desde segunda. Ele foi ao hospital para tentar fazer o teste, mas terá de voltar na quinta-feira, três dias após os sintomas. "Tomei medicação em casa. Melhorou um pouco, mas a febre voltou. Me deram medicamento para dor e febre, um atestado e quinta farei o teste. Vou ficar isolado até lá", disse Schuster.

*Colaborou: Matheus Chaparini

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Testes em unidade móvel

Andreia Andrade começou a sentir dores no corpo no fim de semana. Na segunda, procurou atendimento no bairro Canudos, onde mora, mas não conseguiu fazer o teste. "Fui no posto e não fui testada. Precisava ter consultado", explica.

Na terça, aproveitou que o Ônibus da Saúde da Prefeitura de Novo Hamburgo realizava atendimento no bairro Boa Saúde e foi até ele. Mais de 40% dos testes aplicados na primeira semana no Ônibus da Saúde deram positivo, conforme a Prefeitura.

Estado emite 'alerta' para todas as regiões

Após reunião do Gabinete de Crise, na terça-feira, o governo do Estado emitiu alertas para as 21 regiões Covid do Sistema 3As de Monitoramento, responsável pelo gerenciamento da pandemia no Rio Grande do Sul.

A decisão foi tomada com base na piora dos indicadores, algo já visto também na semana passada. Os alertas são consequência do aumento de casos de Covid-19 e do crescimento de internações em leitos clínicos e de UTI nas regiões.

Antes da semana passada, o último alerta havia sido emitido em 10 de novembro para a região de Pelotas.

Em 19 de janeiro, o Gabinete de Crise emitiu alertas para as regiões de Canoas, Capão da Canoa, Caxias do Sul, Erechim, Lajeado, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santa Rosa e Uruguaiana. Ontem, foram mantidos os alertas diante da piora dos indicadores nessas regiões e emitidos novos alertas às regiões de Bagé, Cachoeira do Sul, Cruz Alta, Guaíba, Ijuí, Palmeira das Missões, Santa Cruz do Sul, Santo Ângelo e Taquara.

"Estamos em um nível de preocupação alto devido ao aumento de casos e de internações. Também estamos trabalhando para dar a cada uma das regiões esse devido entendimento, para que possam conscientizar a população e tenhamos a capacidade de reduzir a velocidade da transmissão e assim diminuirmos o número de casos. Estamos em um período de maior circulação de pessoas entre as regiões, então, entendemos que o alerta vale para todas", afirmou o governador Eduardo Leite, que liderou a reunião do Gabinete de Crise.

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