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Notícias | Região Economia e sustentabilidade

Energia solar cresce 46% no Estado e expansão continua

Aumento ocorreu em pouco mais de meio ano. Para 2021, projeções de novas instalações chegam a 90%

Por Bianca Dilly
Publicado em: 10.04.2021 às 05:00 Última atualização: 10.04.2021 às 08:36

Tesoureiro do Sport Club Ivoti, Luis Carlos Heck, conta que instalação das placas reduziu a conta de luz em cerca de 95% Foto: InÉzio Machado/GES

A expressão "um sol para cada um" vem sendo levada a sério no Rio Grande do Sul. Em pouco mais de meio ano, a energia solar apresentou um crescimento de aproximadamente 46% no Estado. Em setembro de 2020, eram 446,9 megawatts (MW) em operação no território gaúcho, enquanto que no último mês este valor chegou a 652,9 MW, conforme dados atualizados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Exemplo disso é que na última semana a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu o primeiro licenciamento para a instalação de uma usina fotovoltaica com potência de 5 MW. O empreendimento é privado e ficará na cidade de Uruguaiana, na fronteira oeste. Apesar de parecer distante no mapa, é uma amostra da capacidade que o setor vem ganhando por aqui.

"É a primeira usina desse tamanho, bem maior do que as normalmente instaladas. Como é de grande porte, houve a necessidade da licença ambiental. Ela está dentro do limite máximo de potência permitido e ajuda a nos puxar para cima no ranking nacional", explica a coordenadora regional da Absolar, Mara Schwengber, sobre a disputa entre RS e São Paulo pelo segundo lugar no mapeamento nacional, atualmente ocupado pelos gaúchos.

Energia solar

Expansão de até 90%

Ainda em meio aos resultados positivos, para este ano as projeções da Absolar são de expansão das instalações em cerca de 90% no Estado. "Mesmo com a pandemia, a geração de energia alternativa acaba se tornando um solucionador do problema, porque reduz custos para as empresas e usuários", acrescenta Mara. Atualmente, 495 dos 497 municípios gaúchos já contam com alguma das quase 55 mil conexões espalhadas pelo RS.

E isso se reflete também na região. "Nós sentimos um momento muito bom, comparado com outras economias. A luz teve uma sequência de aumentos significativos e há bastante residências procurando, assim como o agronegócio e comércios que puderam manter as portas abertas mesmo com o cenário da Covid-19", analisa o CEO da Energias da Natureza, André Heck.

Exemplo que deu certo

Quem já aderiu à fonte renovável de energia é o Sport Club Ivoti. Desde novembro de 2018, o Estádio dos Eucaliptos e as demais estruturas envolvidas no complexo, como o restaurante, contam com o abastecimento por meio das placas fotovoltaicas. "Foi um dos melhores investimentos que já fizemos. Nossa conta está girando em torno de 4% e 5% do que pagávamos. Na época, eram R$ 8,5 mil mensais de energia elétrica", detalha o tesoureiro Luis Carlos Heck.

Foram 274 placas instaladas, divididas em três espaços: em cima da arquibancada visitante, no estacionamento e em cima do prédio do restaurante. "Nosso projeto foi feito para atender 100% da demanda e, no momento, estamos gerando mais energia do que consumimos. Temos um crédito bem alto", frisa.

Em relação ao investimento, de acordo com o tesoureiro, o que ocorreu foi a substituição de contas. "O sistema está se autopagando", destaca.

Fatores que influenciam na expansão do sistema gaúcho

Como ponto positivo para o RS está a disponibilidade de linhas de financiamento. "Talvez seja o Estado que mais oferece. Facilita para o cliente, porque ele troca a conta de energia pela parcela do banco", detalha Mara. Não há desembolso financeiro no primeiro momento. A queda do preço com o passar dos anos é outro atrativo. Conforme levantamento da Absolar e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em 2013 a fonte solar fotovoltaica em leilões tinha uma média de 103 dólares por MW/hora. Em 2019, este valor já estava em 20,33.

Marco legal na Câmara

Outro ponto importante em relação ao setor, que está em debate, é a construção de um marco legal para a geração distribuída no Brasil. Há um projeto de lei, com substitutivo apresentado pelo deputado Lafayette de Andrada (Republicanos), para ser votado na Câmara nas próximas semanas. O texto propõe o pagamento gradual da utilização da infraestrutura elétrica pelos consumidores com geração distribuída, por meio da chamada Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd) fio B.

Ademais, estabelece uma transição de dez anos para a mudança do regime em relação ao modelo atual. "Hoje, o nosso mercado é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A gente já vem há muito tempo brigando para que tenhamos o marco legal", destaca a coordenadora regional. Segundo ela, a aprovação trará segurança jurídica ao setor.

Dois pontos de melhorias no texto também foram identificados pela Absolar e sugeridos como emenda: gatilho para a mudança da regra a partir do atingimento de uma participação da geração distribuída de 10% no suprimento elétrico de cada distribuidora e a redução pela metade da remuneração pelo uso da infraestrutura elétrica em comparação ao texto original do substitutivo.

Questão tributária impede crescimento maior, diz Absolar

Apesar de estar na parte de cima da tabela brasileira quanto à potência em energia solar distribuída, o Estado poderia se sair ainda melhor. Segundo Mara, a questão tributária é um dos fatores que impedem um crescimento maior. "No Rio Grande do Sul, nós pagamos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na parcela da Tusd", detalha, lembrando que a prática não ocorre em todos os locais. Com isso, há interferência no retorno dos investidores. "O Estado vem crescendo muito mais por força privada do que por investimento público", completa.

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