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Notícias | Região Abertura de comportas

Susto em Três Coroas com águas do Paranhana barrentas e peixes mortos

Captação de água chegou a ser suspensa na cidade, depois que manutenção preventiva da barragem das Laranjeiras fez muito lodo descer rio abaixo

Por Caroline Staudt
Publicado em: 21.10.2020 às 03:00 Última atualização: 21.10.2020 às 08:02

Água turva do rio assustou moradores de Três Coroas logo no começo desta terça-feira Foto: InézioMachado/GES/fotos Inézio Machado/GES
Moradores de Três Coroas se assustaram ontem pela manhã ao notar que as águas do Rio Paranhana estavam muito turvas, inclusive avistando vários peixes mortos. Ao longo do dia, descobriu-se que se tratava de uma consequência da abertura programada da barragem das Laranjeiras, no limite entre o município e Canela. A situação começou a se normalizar ainda na terça-feira, mas a cor do rio chegou a provocar a suspensão da captação da água pela Corsan, o que afetou o abastecimento. Outras cidades ao longo do rio estão monitorando a situação, atentas caso seja necessário interromper também.

De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), a limpeza do reservatório de Laranjeiras estava prevista e foi feita por medida de segurança, para que a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT), que gerencia a estação, pudesse avaliar as condições estruturais da barragem. A secretária municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Eliane Aparecida Martins dos Santos, conta que a comunidade de Três Coroas sempre se preocupou com um possível rompimento da barragem. "Então, a Prefeitura e o Estado realizaram um estudo, onde se concluiu a necessidade de manutenção da barragem", diz.

Conforme o secretário estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos Júnior, a barragem é monitorada há bastante tempo, especialmente após o rompimento de Brumadinho, quando a Sema apresentou o seu plano de ação, com medidas preventivas para garantir a segurança das barragens do Estado. "As comportas foram abertas para a realização de uma intervenção corretiva, para evitar um possível risco à população, pois a barragem começou a apresentar vazamentos", afirma o secretário.

Lodo

O processo de esvaziamento teve início no último sábado. Com a liberação da água, uma grande quantidade de lodo, que estava acumulado no fundo da represa, se arrastou ao longo do leito do rio. Segundo as autoridades, a cor e as manchas na água que assustaram a população fazem parte do processo natural de limpeza.

"Como não se abria as comportas há muito tempo havia barro depositado, o que provou a cor turva na água do Paranhana. Não se trata de elemento químico. Não é óleo, somente lodo. É como se tivesse sido aberta uma torneira fechada há muito tempo", explica Artur Lemos Júnior.

Secretária de Meio Ambiente de Três Coroas explica sobre a manutenção de barragem Foto: InézioMachado/GES/InezioMachado/GES
"É uma situação normal dentro do planejamento", diz a secretária municipal de Meio Ambiente. Eliane ainda explica que os peixes morreram com o impacto. "Os peixes que desceram mortos, desceram da barragem. Quando eles levantaram as duas comportas, deu um choque muito intenso e os peixes morreram neste choque." Ela só acrescenta: "Única coisa que nos pegou de surpresa é que não fomos avisados sobre o início das atividades." A assessoria da Sema diz que a Defesa Civil foi avisada previamente.

 

Problema dos peixes teria sido pontual

Apesar de a operação acontecer também em Canela, desde o final de semana, o secretário de Meio Ambiente da cidade, o biólogo Jackson Müller, informa que não houve danos ambientais no município. Ele explica que acompanha as ações da barragem. O secretário destaca que contatou a equipe de Bombeiros Voluntários de Três Coroas por causa da morte de peixes, mas foi informado que o problema foi pontual.

Situação teve melhora ao longo da terça-feira

Ao longo do dia, já era possível perceber uma melhora nas condições do Paranhana. Durante a tarde, a reportagem encontrou o morador de Igrejinha Vitor Hugo Meza Pereira pescando na beira do rio. Ele acompanhou a situação e diz que ficou preocupado com o desabastecimento de água na cidade. "Achei essa situação bastante crítica, me preocupa uma falta de água neste momento. Acredito que este é o maior prejuízo para a população", avalia. Já a moradora de Três Coroas Adriana Evaristo diz que se sensibilizou com a situação do rio. "Ficamos preocupados com a situação do rio, com os peixes mortos e a sujeira na água", conta. Ela e a família se sentiram prejudicados pela falta de água. "Vimos fotos e vídeos nas redes sociais e em seguida recebemos o aviso do corte de água, pra nós foi um susto bem grande", lamenta Adriana.

* Colaborou: Bruna Mattana

Abastecimento

Com a captação de água suspensa na cidade, 80% da população de Três Coroas foi afetada - nos outros 20% o abastecimento é feito por poços. A Corsan disponibilizou caminhões-pipa. Para evitar problemas em Igrejinha, a companhia realizou manobras operacionais que permitiram o recebimento de água de Parobé. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Corsan, testes realizados durante a tarde de ontem constataram uma melhora na qualidade da água do rio. A previsão era de que o tratamento de água fosse retomado ainda durante a noite. A partir da retomada do tratamento, o abastecimento deve ser normalizado gradualmente. O escritório da Corsan em Campo Bom e a Comusa, em Novo Hamburgo, monitoram as condições do rio, mas durante o dia de ontem não havia previsão de suspensão da captação.

80%

da população de Três Coroas foi prejudicada por desabastecimento depois que a captação da Corsan teve que ser interrompida. Igrejinha não chegou a ser afetada.

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