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Entenda por que a água das torneiras não representa risco de contaminação

Dúvida surgiu com a pesquisa da Universidade Feevale, que comprovou a existência do novo coronavírus no esgoto sanitário em Novo Hamburgo; professora e Comusa explicam, fazendo alerta para outros tipos de contato

Por Bianca Dilly
Última atualização: 27.06.2020 às 14:03

Água potável não representa risco, diferentemente de esgoto Foto: Arquivo / GES
Ainda que a pesquisa da Universidade Feevale tenha detectado a presença do novo coronavírus no esgoto sanitário no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, a professora do mestrado em Virologia da instituição e uma das coordenadoras do projeto, Caroline Rigotto, destaca que não há risco para a água que chega às torneiras da população.

Conforme a docente, o processo de tratamento com o cloro elimina esse tipo de organismo. “Os vírus envelopados, como o novo coronavírus, costumam ser rapidamente inativados com a desinfecção com cloro. Portanto, a água que chega nas torneiras não traria risco à saúde humana”, pontua.

Outro ponto que precisa ser levado em consideração, segundo Caroline, é a diferença entre água bruta e esgoto. Conforme a Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo, é nas Estações de Tratamento de Água (ETA’s) que a água bruta, ou seja, aquela que não passou por nenhum tratamento e é imprópria para o consumo humano, se torna água potável.

Já o esgoto, esclarece a professora, não vai para o mesmo local. “O esgoto bruto é tratado nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE’s). O que sai da ETE é o esgoto tratado ou efluente/água residuária”, pontua.

Esgoto pode apresentar risco

Nesse sentido, Caroline destaca que pode haver risco no esgoto, diferentemente da água tratada. “Como o vírus é eliminado nas fezes, um eventual contato com fezes de pessoas positivas ou com esgoto pode trazer um risco. Isso porque ainda não sabemos por quanto tempo no ambiente ele ainda está viável ou capaz de causar a infecção”, alerta.

Água passa por cinco etapas de tratamento para se tornar potável

De acordo com autarquia, o tratamento de água é feito de acordo com as portarias do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde (SES) para garantir a potabilidade da água. São cinco etapas principais executadas pela Comusa:

Coagulação/floculação: adicionam-se na água bruta produtos químicos adequados para remover cor, turbidez e carga orgânica, através da formação de flocos na água denominada bruta.
Decantação: os flocos já formados na etapa de coagulação/floculação são removidos, depositando-se ao fundo dos decantadores. Isto acontece porque os flocos são mais pesados do que a água.
Filtração: a água dos decantadores é filtrada em filtros de areia, com o objetivo de remover os flocos mais finos e leves, que não são retidos nos decantadores. O resultado é uma água clarificada.
Desinfecção: consiste na destruição de micro-organismos presentes na água, através da adição de produtos químicos à base de cloro. A grande vantagem da utilização dos produtos químicos à base de cloro como agentes desinfetantes é que os mesmos, quando adicionados à água, apresentam concentrações residuais de cloro que permanecem na água até esta chegar à casa do consumidor final. Os residuais de cloro funcionam como uma espécie de barreira química presente na água tratada e distribuída, garantindo, desta forma, o padrão microbiológico da mesma.
Fluoretação: adiciona-se flúor à água tratada com o objetivo de redução de incidência da cárie dentária. Terminadas todas estas etapas, a água é denominada potável e está pronta para ser consumida pela população de Novo Hamburgo.

Os produtos químicos utilizados no tratamento de água na Comusa, considerando cada etapa do processo, são:
Clarificação: é utilizado cloreto de polialumínio em conjunto com coagulante à base de tanino, um polímero biodegradável de origem vegetal.
Desinfecção: é utilizado hipoclorito de sódio solução líquida.
Fluoretação: é adicionado ácido fluossilícico solução líquida.

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