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Por dentro do treino de guerra na Ala 3, em Canoas

Exercício Operacional Tinia mobilizou Força Aérea do Rio Grande do Sul e contou com reforço de aviões e 600 militares de todo o Brasil Reportagem: Andrei Fialho

O inimigo foi imaginário, mas as Alas 3 e 4 da Força Aérea Brasileira (FAB), conhecidas tradicionalmente como as Bases Aéreas de Canoas e Santa Maria, respectivamente, realizaram do dia 18 de novembro até o dia de ontem o Exercício Operacional Tinia, que agregou mais de 600 militares de todo o Brasil e reuniu todos os caças F-5M da FAB nas duas localidades gaúchas, entre outras aeronaves.

O treinamento simulou um cenário chamado de "guerra convencional", quando há um conflito entre forças armadas de dois países ou alianças de nações. Nesse caso, as duas bases aéreas atuaram como aliadas em ações conjuntas, reunindo mais de 50 aeronaves em variados procedimentos. O comandante da Ala 3, Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira, foi o diretor de toda operação e destacou que o exercício é tradicional, mas tem, a cada edição, novos desafios. "Cada Ala atuou como se fosse uma Força Aérea de um país, nosso desafio foi de executar ações de coalizão planejadas junto de um sistema de comunicação integrado por videoconferência, conforme são as ações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Foi a primeira vez que realizamos esse tipo de ação dentro em exercícios de guerra convencional", explicou.

Exercício Operacional Tinia mobilizou FAB no Estado Foto: Paulo Pires/ GES

Em Canoas, o ambiente e todos os procedimentos dentro da Ala 3 eram vividos como em um cenário de guerra. Desde o acesso de nossa reportagem como a utilização de celulares eram regrados. Foram 16 dias em que todos os setores operacionais das duas Alas trabalharam de forma intensa. Desde a manutenção das aeronaves, movimentação de caminhões para abastecimento, equipamentos de monitoramento e comunicação, tudo deveria estar em plena ordem de operação.

Dentre as diversas atividades, a operação Tinia trouxe a prática de um cenário internacional, em que duas esquadrilhas partem de origens distintas e se encontram em um ponto específico para realizarem uma ação conjunta. "Foram diversas ações simuladas, como escolta, reconhecimento aéreo, controle e alarme em voo, ataque, varredura, reabastecimento em voo, posto de comunicação no ar, defesas aérea e antiaérea, assalto aeroterrestre, busca e salvamento em combate, dentre outras. Todas elas elevam a moral de toda a equipe por sua intensidade, principalmente quando trabalhamos os resgates em que todos se sentem responsáveis por todos e o espírito de coletividade, companheirismo e proteção ficam claros entre todos", destacou.

Todos os resultados foram muito positivos para o Brigadeiro Nogueira, pois a operação Tinia foi planejada desde o mês de abril de 2019. Com papel destacado em toda ação, o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) foi o responsável de interligar a comunicação entre as duas Alas e assim poder comandar as missões integradas. "Ocorreu tudo de forma perfeita, as dificuldades que encontramos foram em razão da meteorologia e não de questões operacionais. O trabalho do 1º GCC foi muito bom e elevou e integrou as experiências entre controladores e pilotos. A coordenação de um treinamento com mais de 50 aeronaves em duas sedes não é tarefa fácil. Os pilotos voaram empregando as táticas e manobras específicas para cada um eles, enquanto os controladores estavam em solo apoiando e dando o suporte necessário. Tudo funcionou perfeitamente", concluiu.

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Treinamento deve ajudar no transporte de órgãos

Dentre as diversas ações da Aeronáutica para a sociedade está o frete de órgãos para transplantes. O Brigadeiro Nogueira destaca que é só a FAB que faz a logística em lugares remotos e que as companhias privadas de aviação não mudam rotas e nem horários quando carregam órgãos.

Brigadeiro Nogueira dirigiu o Exercício Operacional Tinia Foto: Paulo Pires/ GES

"Um dos benefícios dessa operação é o treinamento de acesso a ambientes de risco ou sem estrutura. Assim, pilotos e toda equipe praticam a criação de rotas e em lidar em localidades distintas. Isso reflete positivamente na movimentação de órgãos ou de pacientes que necessite de transplante. Cada vez mais nos tornamos especialistas nesse serviço", revelou.

 

Operação mostra aforça militar do Brasil

São muitos os benefícios do treinamento, como garante o Nogueira. Para ele, é fundamental a prática e a repetição de trabalhos, como em uma equipe esportiva. "Quanto mais os pilotos, controladores, mecânicos e demais da equipe estiverem atuando, mais eles aprendem e mais estarão preparados para uma ação real. Por outro lado, nós mostramos ao mundo que estamos ativos, operantes e alertas, o que gera uma segurança internacional. O Brasil é um país pacífico e é reconhecido por isso. Mas o treinamento traz benefícios como o controle de fronteiras, maior eficiência na abordagem em voos clandestinos que trazem drogas e contrabandos", defendeu.

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1,6 mil é o número de militares efetivos na Ala 3, em Canoas

Treinamento qualificou direta e indiretamente todos da corporação. Quando chegou em 1937, ainda no município de Gravataí, o 3º Regimento de Aviação marcou a vida e a rotina de Canoas. Protagonista na Emancipação, a Base Aérea é o nome popular da unidade militar que já foi o 5° Comar e agora, é a Ala 3. Foram gerações de brasileiros que por causa do ar se instalaram em solo canoense em missão. Nesse legado há inúmeras famílias e ainda um contingente ativo com mais de 1.600 homens e mulheres que concluíram mais uma página da história da Base.

 

Segurança em todos os procedimentos

É praticamente impossível um avião sair do hangar com alguma falha mecânica. Primeiro os mecânicos fazem um conjunto de vistorias e se estiver apto para voo, o piloto faz uma segunda checagem. Já na cabeceira da pista, a aeronave só decola depois que um mecânico revisar tudo novamente e, com sinais, avisar o piloto que está tudo certo. São três revisões para garantir a segurança de todos.

O cuidadodo jornalismo na guerra

Nossa reportagem teve acesso aos bastidores do Exercício Operacional Tinia, na Ala 3. Em um cenário de ambiente de guerra, a própria equipe teve que se adequar às normas de segurança, principalmente no que tange a imagens e informações que em um conflito real poderiam ajudar com um eventual inimigo. Entre os hangares e a pista de decolagem, era intensa a movimentação de militares. Da cabeceira da pista foi possível registrar a decolagem de 12 caças F-5M simulando uma missão de ataque, onde ficou nítido o poder que essas máquinas supersônicas possuem, tanto para ataque e para a defesa do Brasil.

 

Guerra convencional e não convencional

Na guerra não convencional o inimigo não é um país e sim grupos terroristas, o que exige outras estratégias de ataque.

 

Aeronaves

A operação contou com 50 aeronaves, como os caças F-5M, A-1 e A-29; a aeronave-radar E-99; as aeronaves de reconhecimento R-99, R-35AM e R-35A; as aeronaves de transporte C-130 Hércules e C-105 Amazonas; e o helicóptero H-60L. Todos caças F-5M da Força Aérea Brasileira foram direcionados para esse treinamento.

R-99 é usado como radar para detectar inimigos Foto: Paulo Pires/GES

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