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Notícias | Região Habitação

Mais de 20 famílias passaram a última noite na Ocupação Arvoredo

Os últimos a deixarem as casas na área ocupada tentavam salvar seus pertences que não foram levados pela mudança. Maior parte das 130 famílias encontrou abrigo com familiares

Por Eduardo Torres
Última atualização: 22.11.2019 às 21:39

Ação de desocupação foi pacífica Foto: Fernando Lopes/GES
No dia seguinte à ação de retirada das famílias da Ocupação Arvoredo, Francielle Terra, 21 anos, que está no último mês de gestação, ainda tentava, no começo da tarde quente desta sexta (22), salvar o que fosse possível da casinha que montou três anos atrás na área ocupada. Ela e o filho de cinco anos estavam entre as pelo menos 20 famílias — do total de 130 que moravam no terreno até a manhã de quinta (21) — que ainda passaram a última noite na área vizinha à Vila Tom Jobim, às margens da RS-118, já sem água e sem luz.

"Ontem (quinta) não tinha caminhão de mudança suficiente, então prometeram tirar as minhas coisas hoje (sexta) de manhã, mas carregaram quase nada da casa e não voltaram. Eu não sei como vou ficar, porque o pouco que eu juntei nesses anos está na minha casa", lamenta Francielle, que está desempregada.

Assim como praticamente todos os ocupantes retirados do terreno particular, ela encontrou abrigo provisório na casa de parentes. No caso da Francielle, a avó, na Morada do Vale II. Não houve relatos e pessoas que tenham passado a noite na rua por falta de alternativas.

A esperança dela era não ter que passar pela mesma angústia de outra moradora, também grávida, que na manhã desta sexta, sem conseguir retirar tudo da casa, viu a retroescavadeira passar por cima da casa simples de madeira e destruir o berço que já havia preparado para o bebê que vai nascer.

A Ocupação Arvoredo teve início em 2015. No final daquele ano, o empresário Silvano Schneider, um dos proprietários da Ritter Alimentos, reivindicou a propriedade do local, de 10 hectares, que havia comprado naquele mesmo ano. O caso se arrastou na Justiça até que, à beira da desocupação, que já havia sido ordenada pela Justiça, os moradores finalmente se organizaram e, com a ajuda da Cooperativa Habitacional Antônio Carlos Jobim, propuseram, no processo, a compra da área de 2 hectares, ocupada, por R$ 200 mil.

À reportagem, ainda na semana passada, o advogado do empresário, André Lima, reforçou que não havia margem para negociações, e que a proposta não seria aceita; Ela tampouco foi capaz de travar a ação de retirada das famílias do local.

Já na manhã desta quinta, surgiu um novo elemento ao processo. Um dos ocupantes não se enquadrava no perfil da Arvoredo. Tratava-se de Julhano Agnes. que argumenta no processo, chegou ao terreno em 2006, bem antes da compra por Schneider. Segundo a advogada Ligian De Conti, em 2015, ele teria cedido 2 hectares do terreno original para a ocupação. Agora, reivindicou a posse dos 8 hectares restantes, usados por ele como hospedaria de cavalos, e conseguiu por uma medida liminar.

Um acordo chegou a ser ensaiado entre as advogadas da ocupação e de Julhano para que as famílias fossem transferidas para a área protegida da ação de despejo, mas o plano não avançou. É que, no despacho que reconheceu a posse de Julhano, a juíza deixou claro que poderia revogar a liminar caso houvesse nova ocupação naquela área.

De acordo com a advogada Clarice Zanini, que representa as famílias ocupantes, ainda não há uma solução conjunta alternativa para a moradia das 130 famílias. O município tampouco aponta alguma destinação imediata para tantas pessoas. Conforme o advogado do empresário Silvano Scchneider, a destinação da área, em caso de confirmação da sua posse sobre os 10 hectares, está em fase de estudos.

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