Publicidade
Acompanhe:
Notícias | Região Energia solar

A energia que vem do Sol para ajudar o Héric

A casa do Héric, de 21 anos, mantido em UTI Residencial, no bairro São Geraldo, em Gravataí, há três anos, foi uma das beneficiadas com sistema de placas fotovoltaicas gratuito instalado pela RGE. Economia com a luz pode chegar a 70%

Por Eduardo Torres
Última atualização: 21.11.2019 às 10:25

Héric recebe os cuidados dos avós com equipamentos de UTI em casa há três anos Foto: Eduardo Torres/GES
O cheiro de perfume toma conta do ar, no começo da tarde, na casa simples no fundo do terreno, no bairro São Geraldo. Pudera, o perfume é um dos tantos cuidados que a avó Ângela Beatriz da Silva, 56 anos, ao lado do marido, Aldo Pereira da Silva, 63 anos, dedicam ao verdadeiro xodó, o neto Héric Matheus da Silva Dutra, de 21 anos. Faz três anos que Héric depende de tratamento intensivo em casa, com o uso de um aparelho que mantém a sua respiração, e isso tem exigido ainda mais dos avós, que o cuidam desde pequeno.

"Pode até faltar para nós, mas para ele nunca. Eu nunca vou deixar faltar", desabafa o avô.

Há duas semanas funciona na casa da família uma ajudinha inovadora, econômica e eficiente. Por manterem a UTI Residencial, foram escolhidos pela RGE para a instalação de cinco placas fotovoltaicas no telhado, que produzem energia elétrica para a residência a partir da captação da luz solar. A estimativa, de acordo com o engenheiro de eficiência energética da companhia, Cristian Sippel, é de que, principalmente nos meses de verão, a economia com a conta de luz chegue a 70%.

"A cada 30 dias faremos a leitura da produção e consumo da energia na casa. Foi instalado há 15 dias, é possível que eles ainda não percebam grande modificação nos valores, porque o sistema ainda está se adaptando, mas a perspectiva é muito positiva e já deu resultados bem importantes em outros lugares", conta o engenheiro.

A família é uma das beneficiadas com a tarifa social por ter o tratamento intensivo do Héric em casa. Ainda assim, desde que foi preciso usar o respirador, a conta saltou de uma média de R$ 150 por mês para R$ 700. Com a renda da aposentadoria do Aldo e do benefício do Héric, fica difícil custear.
Além do sistema de energia solar, a companhia trocou as lâmpadas da casa pelas de LED, mais econômicas e duradouras.

"Nós aprendemos a poupar ao máximo. Usamos o ar-condicionado só quando precisa mesmo para o Héric, e as luzes, o mínimo possível", conta Ângela.

Cuidados desde a infância

A ajuda para os custos com a energia elétrica será mais uma ferramenta na batalha que os avós travam para garantir o bem-estar do neto, diagnosticado ainda antes de completar dois anos com a Síndrome de West. Por consequência da doença, adquirida após um parto complicado, que causou sequelas no cérebro, o menino nunca enxergou nem aprendeu a caminhar. Deslocava-se com cadeira de rodas, mas as complicações respiratórias vieram depois, e tornaram o tratamento ainda mais complexo.

"Como nós cuidamos muito bem dele, e isso quem diz são os médicos, lá no Hospital de Clínicas nos disseram que o melhor seria ele ser tratado em casa, como nós fazemos. Recebemos o equipamento para a respiração dele e mantemos tudo bem organizado como tem que ser", orgulha-se a avó.

Expectativa da Ângela é reduzir em até 70% a conta que hoje chega a R$ 700 mensais Foto: Eduardo Torres/GES

É que além do equipamento e da cama hospitalar, são oito medicamentos diariamente, cinco deles controlados. Todos fornecidos pela Farmácia do Estado depois que os avós brigaram na Justiça por este direito. O mesmo acontece com as fraldas, também fornecidas.

Na luta pelos direitos do neto, Aldo não mede esforços e, literalmente, veste a camisa. Era com ela, que traz a foto do Héric estampada, que ele estava quando recebeu a reportagem.

"Quando algum medicamento está em falta, ou quando vem menos fralda, eu já sei o caminho. Vou lá no Ministério Público e no Fórum com três orçamentos. Ligeirinho, por ordem judicial, o Estado paga o que faltou. É direito do meu neto", diz o Aldo.

A casa é toda acessível, conforme as necessidades que o Héric sempre teve. As únicas paredes internas separam a sala bem espaçosa, com cozinha, do quarto. E isso facilita, por exemplo, a iluminação mais eficiente da casa.

Programa de eficiência

Em Gravataí, além da casa do Héric, somente mais uma foi contemplada pelo sistema e Geração Distribuída. Ao todo, entre 14 cidades gaúchas, 48 clientes já receberam e outros sete ainda receberão o novo sistema, que faz parte do Programa de Eficiência Energética (PEE), da RGE. Falando hoje sobre a inovação, o avô, contente, não esconde a ansiedade para ver os resultados da prometida eficiência. Mas não foi sempre assim.

Placas fotovoltaicas foram instaladas no telhado da casa Foto: Eduardo Torres/GES

"Um dia um moço chegou aqui no portão de casa, tinha meu nome e os nossos dados e disse que tinha vindo instalar esse equipamento de energia solar. Me assustei, só disse para ele que eu não tinha dinheiro para isso. Então ele me disse para ligar para a RGE, foi aí que me explicaram que era tudo de graça. Que vergonha, no outro dia pedi desculpas para eles, quando vieram instalar", brinca o Aldo.

Como o modelo é novo, o contato com o cliente também é direto. Aldo e Ângela têm linha direta, por whatsapp com o engenheiro do projeto.

"Qualquer problema que dê, é só procurar eles. Nos atendem a qualquer hora", conta o aposentado.

De acordo com o engenheiro Sippel, o equipamento completo custa R$ 7,5 mil por cliente, e produz 183 kWh por mês. Ao todo, a ação tem investimento de R$ 536 mil. Quando os 55 sistemas estiverem em funcionamento, a estimativa da RGE é de uma economia de 125,1 MWh por ano, e uma redução na demanda de energia do sistema de 2,27 kW.

"Nosso foco é atender clientes de baixa renda e possibilitarmos às famílias terem uma conta de energia menor, para poderem ter recursos para medicamentos e outras questões importantes nos casos de UTIs residenciais", explica Sippel.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.