Publicidade
Acompanhe:
Notícias | Região Feira do Livro

Borges Netto, entre a saga farroupilha e as memórias de família, lança o Batalhão Gravataí

Escritor gravataiense lança seu mais recente romance durante a Feira do Livro, este mês. Em Batalhão Gravataí, Borges resgata histórias do seu bisavô, Zeca Garcia e de um fictício grupo de resistência local ao império

Por Eduardo Torres
Última atualização: 07.11.2019 às 11:16

Borges Netto autografa Batalhão Gravataí no dia 24 de novembro Foto: Divulgação
Memórias afetivas e o cenário da Guerra dos Farrapos, transportados para um imaginário Batalhão Gravataí, estão na mais recente obra do escritor Borges Netto. O romance histórico, que leva o nome do batalhão, é o 12º dele, que é o mais destacado escritor da Aldeia, e terá sessão de autógrafos no dia 24 de novembro, na Feira do Livro de Gravataí.

"Este livro é uma espécie de homenagem à minha família. Minhas irmãs queriam muito que eu botasse no papel as histórias que ouvíamos do meu bisavô. E o romance foi a forma mais interessante de mostrar um pouco sobre o Zeca", diz o autor.

Trata-se de Zeca Garcia, de quem o Borges, desde pequeno, ouvia dizer que tinha lutado em uma guerra e, depois de ser dado como morto, voltou a Gravataí, no Rincão da Madalena, onde estão as origens da família do João Antônio da Silva Neto, que virou Borges Netto, hoje com 62 anos e 24 livros já escritos. O Rincão, aliás, é cenário constante na trajetória do escritor. Foi ali que o filho de um agricultor e de uma costureira passou a sua infância, na lida do campo.

Mesmo que os registros históricos não reservem a Gravataí nenhum capítulo de maior importância no confronto entre farroupilhas e imperiais, que se arrastou por dez anos e virou quase mito no Rio Grande do Sul, Borges escolheu justamente esta peleja para relatar as aventuras e desventuras do Zeca, que era agricultor e foi chamado à guerra.

"Meu pai nunca soube dizer em qual guerra o meu bisavô batalhou. Só contavam que era uma guerra distante. Talvez ele tenha batalhado na Revolução Federalista ou até mesmo na Guerra do Paraguai, não há relatos muito exatos. No romance, ele é um seguidor de Bento Gonçalves, e dos farroupilhas, e está no batalhão Gravataí", relata.

Está nas páginas do romance, por exemplo, o fato mais relevante da guerra por estes lados: a fuga dos farroupilhas, depois da tomada e perda de Porto Alegre, quando incendeiam a antiga ponte de Cachoeirinha. Zeca, o do Batalhão Gravataí, estava entre eles.

Ao centro, Borges Netto é o mais destacado escritor da cidade Foto: Priscila Milán/GES-Especial

Borges Netto, considerado "o pai das letras gravataienses" por Eduardo Jablonski, no texto de apresentação do romance, conversou com o CG sobre a sua nova obra.

Que figura é esta do Zeca, personagem principal de Batalhão Gravataí?
Borges Netto: Era meu bisavô. Há muito tempo eu queria contar as histórias que eu ouvia meu pai contar sobre o Zeca e as origens da nossa família. Com este livro, de certa forma, eu realizo um pedido também das minhas irmãs, que me pediam para botar no papel a história do nosso bisavô.

Trata-se de um romance, então, realidade e ficção muitas vezes se misturam. O que há de real e de criação nesta trama?
Borges Netto: Meu pai nunca soube dizer em qual guerra o Zeca lutou. Sabíamos que ele se envolveu em uma guerra, foi para o campo de batalha e chegou a ser dado como morto. Quando voltou, encontrou a sua mulher já casada outra vez, afinal, ele oficialmente havia morrido. Possivelmente ele tenha participado da Guerra do Paraguai, ou a Federalista, talvez. Mas a Farroupilha me daria mais argumentos para contar um pouco dessa realidade das guerrilhas e da figura do Bento Gonçalves retratada com um pouco mais de aproximação.

Existiu um Batalhão Gravataí durante a Guerra dos Farrapos?
Borges Netto: Esta parte é romance. Não encontrei muitos relatos históricos sobre a participação de gravataienses na guerra, conforme indicam os materiais do Agostinho Martha. O mais próximo de nós foi quando Bento Gonçalves, em fuga de Viamão, toca fogo na ponte de Cachoeirinha. O Zeca, nesta história, é um farroupilha, e faz parte deste grupo de Gravataí contra o império.

O Rincão da Madalena está outra vez como pano de fundo em teu romance. Conta um pouco dessa vivência e do que o Zeca, teu bisavô, deixou de lembranças.
Borges Netto: Lembro que visitávamos o vô João Antônio no Rincão, e só tinha como chegar lá na estrada de carroça. Minha família nasceu ali. Também tinham uma terrinha no Morro Itacolomi, mas lá, perderam. O Zeca plantava mandioca e frutas. Era um produtor de laranjas naquela região. E também plantava amendoim. Trazia a produção daquela terra até o seu Pompílio Gomes, na região da atual Anápio Gomes.

O Rincão é uma constante na tua obra. Por quê?
Borges Netto: É de onde eu trago lembranças da infância, das minhas origens e das histórias que eu sempre ouvi. Sem dúvida, essa relação com a terra e a memória afetiva ajudou a construir a minha literatura.

Obra é o 12º romance de Borges Netto Foto: Repdrodução
Sobre o livro

Batalhão Gravataí

É o 24º livro, sendo o 12º romance, do escritor gravataiense que foi patrono da feira em 1997. É uma publicação lançada com apoio do Clube Literário de Gravataí.

A ilustração da capa é de Fernando Medina, sobre a aquarela "Tempestade esperando a caravana", obra de 1858, de Alfred Müller, que está exposta no Louvre.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.