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Notícias | Região sem cpi

Duas semanas depois da denúncia, ainda não há investigação contra médicos de Gravataí

Faltam assinaturas para abertura de CPI, e Secretaria da Saúde também não abriu apuração, para esclarecer casos de médicos do SUS que estariam induzindo pacientes a fazerem cirurgias em suas clínicas particulares

Por Eduardo Torres
Última atualização: 10.11.2019 às 15:23

Exames confirmavam necessidade de cirurgia, então o médico propôs o procedimento em seu consultório particular Foto: Fernando Lopes/GES
O aposentado de 72 anos, morador do bairro Parque Florido, cansou de esperar. Recorreu ao banco e, por R$ 4 mil, fez na manhã desta quarta (6) a cirurgia de catarata de um dos olhos, com um médico particular, em Porto Alegre. Em Gravataí, não bastasse a fila por uma cirurgia pelo SUS, ele ainda foi um dos alvos dos casos de médicos do município que tentaram induzir pacientes à espera de cirurgias a fazerem os procedimentos em suas clínicas particulares. O idoso não aceitou e denunciou o profissional. Até agora, porém, nada foi feito.

Na Câmara de Vereadores, há mais de duas semanas, Dilamar Soares (PSD) protocolou pedido para abertura de CPI com o objetivo de apurar casos que teriam ocorrido em pelo menos duas especialidades médicas de Gravataí. Ele precisa de sete assinaturas para abrir a comissão, mas até hoje, só cinco vereadores assinaram.

O vereador diz que a sua denúncia foi motivada por pelo menos quatro relatos concretos, recebidos em seu gabinete nos últimos dois meses. A Secretaria Municipal da Saúde, mesmo depois de protocolado o caso na Câmara, ainda não abriu qualquer procedimento para investigar a conduta dos médicos suspeitos. De acordo com o secretário Jean Torman, que também é procurador-geral do município, o vereador foi oficiado solicitando informações sobre os fatos e os profissionais supostamente envolvidos.

"Não nos foi dado conhecimento com mais detalhes sobre o episódio e ainda aguardamos resposta neste sentido para tomar qualquer medida", explica Torman.

Necessidade facilita a proposta

O aposentado do Parque Florido teve a catarata diagnosticada em 2015. E o caso agora é crítico. Está praticamente cego. Foi neste estado que chegou a uma das unidades de saúde do município para a consulta que, pensava ser, determinaria o processo pré-operatório, em junho deste ano. O médico confirmou que ele seria submetido a uma cirurgia, quando o aposentado perguntou quando isso aconteceria, aí aconteceu o diálogo que o revoltou.

"Perguntei para quando seria, e ele disse que não sabia se iria dar ainda esse ano. Estava em junho. Eu fiquei desolado, então ele mudou o tom", conta o idoso.

Segundo ele, o médico teria perguntado se tinha pressa para fazer a cirurgia e sacou um cartão do bolso. Era o endereço do seu consultório particular.

"Me disse para ir lá conversar com ele, eu fui. Mas quando cheguei, a secretária disse que, só para consultar, eram R$ 400. Imagina o preço da cirurgia. Nunca mais voltei nesse médico", diz o aposentado.

O homem de 72 anos mantém a casa praticamente sozinho, tendo de atender à esposa, vítima de um AVC que lhe paralisou parte do corpo.

"Essa cirurgia é fundamental para mim, não tenho como fazer os serviços da casa quase sem enxergar", relata o idoso.

De acordo com o vereador Dilamar, casos como este, de extrema necessidade do paciente, são os mais típicos entre as suspeitas de médicos que induziram pacientes do SUS a fazerem cirurgias em suas clínicas particulares. Os casos de catarata, que exigem uma cirurgia de rápida recuperação e sem hospitalização posterior, estão entre as maiores filas de espera de Gravataí. Ainda assim, em 2018, logo após a chegada da Santa Casa na gestão do Hospital Dom João Becker, um mutirão entre outubro e dezembro permitiu que mais de 400 pacientes fizessem as cirurgias pelo SUS em Gravataí.

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