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Notícias | Gravataí Um dia a escola cai

Sem reformas em prédios interditados, Tuiuti perderá um terço dos estudantes em 2020

Direção projeta iniciar o ano letivo com 800 estudantes na escola do bairro Bonsucesso. São 400 a menos do que em 2019. Resultado direto da inércia do Estado após três meses da interdição de três prédios

Por Eduardo Torres
Última atualização: 14.02.2020 às 11:05

Refeitório continuará servindo como sala de aula na arrancada do ano letivo de 2020 Foto: Fernando Lopes/GES
Faltando somente três semanas para o início do ano letivo na Escola Estadual de Ensino Médio Tuiuti, no bairro Bonsucesso, em Gravataí, já há pelo menos uma péssima certeza: um dos maiores estabelecimentos de ensino público da cidade sofrerá uma redução de um terço no número de alunos em 2020. Serão, no máximo, 800 matriculados, ou 400 a menos do que em 2019.

É resultado direto da inércia do governo estadual em resolver os problemas de três prédios de salas de aula da escola, interditados desde novembro. Conforme a Secretaria Estadual da Educação, as obras para recuperação do forro e instalações elétricas das três estruturas estão orçadas em R$ 525 mil. No entanto, desde a interdição, sequer o edital de licitação para que uma empreiteira seja contratada foi publicado.

"Quem mais vai sofrer o prejuízo serão os estudantes do ensino médio, porque o Tuiuti é referência para toda a nossa região. Do nosso bairro e dos bairros vizinhos, que têm a rede municipal de ensino fundamental e depois procuram o Tuiuti para seguir os estudos no ensino médio", diz a diretora da escola, Geovana Affeldt.

Há ainda estudantes do sexto ano do ensino fundamental, especialmente da escola Bonsucesso, que é municipal e só vai até o quinto ano. A direção da Tuiuti chegou a organizar uma lista de espera no final do ano passado, e o documento foi entregue à coordenadoria de educação. A esperança era de que o interesse da comunidade agilizasse a solução para o caos estrutural dos antigos prédios.

O ano letivo iniciará com quatro salas de aula disponíveis no primeiro prédio reformado e entregue, depois de um ano interditado, no final de 2019. Além destas salas, os estudantes terão de ser improvisados no salão de eventos, sala dos professores, refeitório e sala de informática.

"Vamos fazer o máximo esforço para que todos os alunos tenham aula dentro da estrutura da escola, mas será muito difícil. Provavelmente usaremos outra vez os espaços cedidos pela igreja e pelo CTG", comenta a diretora.

Depois da interdição dos três prédios, parte dos alunos da escola que tem ensino fundamental, médio, técnico e profissionalizante nos três turnos precisou assistir aulas na estruturas do CTG Carreteiros da Saudade e na Igreja São José.

Ao menos a mobilização da comunidade garantirá a melhoria dos poucos espaços disponíveis. No jantar organizado pela escola em dezembro, foram arrecadados R$ 20 mil. O recurso foi usado, em parte, para pagar fornecedores de reparos anteriores e, na sua maior fatia, para reformar o piso do salão de eventos. Ali, a escola organizará pelo menos quatro salas de aula nesta arrancada de 2020.

Pelas redes sociais, como lembrança pelos 80 anos da escola, é mantida a campanha permanente "Tuiuti Precisa de Ti". Ao longo do ano haverá eventos para arrecadação de recursos e uma conta é mantida para possíveis doações que ajudem a recuperar a estrutura da escola.

A situação crítica da Tuiuti ficou evidente a partir do final de 2018, quando uma das salas de aula, já interditada, teve o forro desabado. Imediatamente, um dos prédios foi interditado e a comunidade abraçou a escola na briga por melhorias em toda a estrutura de 80 anos. A mobilização envolveu a ocupação da escola em junho e, no mês seguinte, após avaliação pelo governo estadual, os forros dos outros três prédios de salas de aula foram retirados.

Por um acordo entre os pais, alunos, professores e direção, as aulas foram retomadas mesmo com as salas em forro, mas a resistência não foi suficiente. Logo, em dias de muito calor ou de chuva, situações extremas passaram a ser registradas. O governo decidiu fechar aquelas estruturas até que sejam plenamente recuperadas. Quando isso acontecerá, ninguém sabe.

A reportagem questionou a Secretaria Estadual da Educação na manhã desta terça (11). Até o momento, não houve retorno.

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