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Notícias | Gravataí Com telha de zinco

Agora, choveu dentro das salas de aula do Tuiuti

Depois do pico de quase 60 graus nas salas de aula mantidas sem forro, a chuvarada escancarou as goteiras. Ação de empresários locais já conseguiu reformar, pelo menos, o salão da escola

Por Eduardo Torres
Última atualização: 06.11.2019 às 09:43

Alunos improvisaram a proteção das classes com guarda-chuvas Foto: Arquivo Pessoal
Desta vez foi a chuva que impôs mais um absurdo obstáculo para que os estudantes da Escola Tuiuti, em Gravataí, tenham aulas normais. Para escapar das goteiras nas salas de aula mantidas sem forro desde julho, lonas e até guarda-chuvas foram abertos sobre as classes como forma de proteger os cadernos da água.

A cena foi registrada na biblioteca, que assim como a sala de informática e a de multimídia, há bastante tempo estão improvisadas como salas de aula. De acordo com a direção da escola, não há outro espaço para remanejar os alunos e escapar das goteiras. Segundo a diretora, Geovana Affeldt, "choveu" dentro de pelo menos cinco salas de aula nos últimos dias. No calorão, um termômetro já havia registrado pico de quase 60 graus debaixo das telhas de zinco, sem forro, mantidas nos últimos quatro meses.

Do caos à esperança

Aos poucos, porém, o caos que chegou ao limite em junho deste ano, provocando uma mobilização de estudantes, com a ocupação da escola, tem chamado atenção da comunidade. E o salão de eventos, que vinha sendo usado como sala de aula para os pequenos desde o começo do ano, virou um sopro de esperança. Ao menos ali, o forro e as telhas foram reformados em questão de semanas — algo inimaginável na burocracia do Estado — graças à mobilização liderada pela empresária Leila Rosane Mateus, 55 anos.

Forro do salão foi reformado pela mobilização de empresários de Gravataí Foto: Fernando Lopes/GES

"Eu vi uma reportagem sobre o estado que estava a escola e não acreditei. Percebi que precisava fazer alguma coisa, e que se as pessoas se mobilizassem mais pela escola, muita coisa já poderia estar diferente. Infelizmente, estamos em uma sociedade em que as pessoas estão muito acomodadas, de braços cruzados. Conversei com a direção em julho e no mês seguinte já estava correndo atrás de recursos para reformar a escola", conta a empresária que é proprietária de uma concessionária de veículos no bairro Cohab.

Em dois meses, ela conseguiu arrecadar, com outros 20 amigos e empresários da cidade, R$ 6 mil para parte da estrutura. Restam pagar outros R$ 8 mil, para os quais, Leila pensa em organizar a rifa de um carro, além da impressão de uma revista da escola, como forma de arrecadar contribuições de empresas que patrocinem a publicação. Mas o serviço já foi executado, com a reforma do telhado e do forro, além do isolamento térmico do salão. Ali, pelo menos, os alunos não sofrerão com a chuva ou o forte calor.

A intenção da empresária era reformar as salas de aula nos quatro pavilhões da escola que é uma das maiores da rede estadual de Gravataí, mas esbarrou na burocracia.

"Quando fui conversar com a Coordenadoria da Educação, soube que só o Estado pode mexer naquelas estruturas. De que forma a iniciativa privada vai ajudar assim? A solução foi reformar, pelo menos, o salão, que foi uma estrutura erguida pelo Círculo de Pais e Mestres (CPM)", diz.

Sem recursos para reformas

Enquanto isso, a promessa de reforma nos forros e estrutura elétrica de três pavilhões, feita pelo governo estadual logo após a mobilização da comunidade escolar, quatro meses atrás, segue uma incógnita. Já foi feito o levantamento de engenharia das estruturas e uma avaliação de que as obras necessárias custarão pouco mais de R$ 500 mil. O projeto está parado na 28ª Coordenadoria Regional da Educação (CRE), e até agora, não há nenhum indicativo de empenho do valor necessário pelo governo.

"O jeito, por enquanto, é seguirmos improvisando, mas é cada vez mais complicado. Das goteiras, pelo menos, dá para desviar, mas do calorão, não tem como", lamenta a diretora.

Biblioteca, sem forro, virou sala de aula improvisada Foto: Fernando Lopes/GES

Ao menos, as obras já iniciadas no final do ano passado, e paralisadas duas vezes, em um dos pavilhões, onde ficavam as turmas da educação infantil, devem terminar até o final de novembro.

"Os materiais estão na escola e a empreiteira já recebeu o pagamento pelo Estado. Estamos ansiosos para que eles retomem o serviço e consigam terminar no prazo, que era 21 de novembro", comenta.

Este pavilhão foi interditado na reta final do ano letivo, em 2018, quando o forro desabou. Por sorte, na véspera a direção da escola, temendo o pior, já havia transferido as aulas dos pequenos para o salão.

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