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Os caminhos para o voto responsável e consciente

A uma semana do pleito que elegerá os futuros prefeitos e vereadores, cientistas políticos dão orientações importantes para que os eleitores fiquem atentos e não deixem para decidir em cima da hora na eleição

Por Gustavo Henemann
Publicado em: 07.11.2020 às 03:00 Última atualização: 07.11.2020 às 08:16

Brasileiros vão às urnas no próximo domingo, dia 15, para eleger prefeitos e vereadores Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

Daqui a uma semana, a população brasileira irá novamente às urnas para definir quem serão os prefeitos e vereadores das suas respectivas cidades, que terão quatro anos para buscar as melhores soluções para os problemas das suas comunidades. E, devido à correria do dia a dia, muitas pessoas ainda não definiram seus candidatos preferidos. Porém, cientistas políticos alertam para a necessidade de encontrar um tempo na agenda para buscar informações que podem ajudar por uma escolha responsável e consciente na hora do voto.

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Para o professor do Programa de Pós-Graduação Diversidade Cultural e Inclusão Social da Universidade Feevale e cientista político, Everton Rodrigo Santos, é muito importante que os eleitores possam fazer uma reflexão anterior, não escolher qualquer candidato ou se basear naqueles que estão à frente na corrida pela prefeitura ou Câmara de Vereadores. "Sei que todos trabalham, tem seus problemas pessoais, mas é importante que busquem candidatos (no caso de vereadores) que moram na mesma região, no mesmo bairro, e que saibam identificar os problemas locais, não optar por qualquer um. É preciso verificar aqueles que reúnem condições, experiência, formação e plano de governo", destacou.

Pesquisa

Conforme estudo realizado pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), 40,4% dos gaúchos não acompanham as campanhas eleitorais, 44,1% assiste o programa eleitoral gratuito pela televisão, 9,5% acessam informações pelo Facebook e Instagram e 4,5% utilizam o rádio.

De acordo com a cientista social e política e diretora do IPO, Elis Radmann, os eleitores que deixam a decisão para esta última semana vivem no descrédito em relação à política atual. "Nesta semana, eles vão falar com sua rede de relacionamento, procurar processos contra os candidatos, acessar as páginas dos candidatos na Internet e nas redes sociais. A grande dica é que se escolha os candidatos pelas propostas que mais lhe agradem e que diga respeito as suas necessidades regionais e demandas dos seus bairros. É comum no Brasil que a decisão também seja pelas características do candidato, sendo a honestidade uma delas, procurando escolher o candidato com mais ficha limpa", argumentou.

Ideias

Santos pontuou ainda a necessidade de verificar se as ideias que os candidatos defendem estão alinhadas aos pensamentos do próprio eleitor. "É preciso buscar o que está por trás do nome do candidato, o que ele vem fazendo pela comunidade. No caso dos vereadores, às vezes querem apenas uma vaga para ajudar a si, ter um emprego, não para ajudar a cidade", comentou.

Para a diretora Elis Radmann, os candidatos que buscam a reeleição podem ser beneficiados por conta da pandemia. "Os prefeitos que buscam a reeleição, e que fizeram um trabalho razoável ou bom, terão vantagem. É o que chamamos de voto econômico", pontuou.

Divulgacand

Para contribuir na busca por informações dos candidatos, o TSE disponibiliza a plataforma Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais Eleições Municipais 2020, chamada Divulgacand, que pode ser acessada em divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/. Lá é possível conhecer o histórico dos candidatos, informações sobre o partido político ou coligação e todas as contas eleitorais.

Mais confiança nas mídias tradicionais

O professor Everton Santos salientou ainda que as mídias tradicionais, como impressa, rádio e televisão têm papel fundamental para auxiliar os eleitores na melhor tomada de decisão, diferente das redes sociais, que muitas vezes acabam infestadas por fake news. "O eleitor precisa confiar mais na imprensa tradicional, porque as informações são checadas, há espaço para o contraditório. Nas redes sociais nem sempre as informações são verificadas", exemplificou. Santos ainda afirmou que as campanhas eleitorais pela Internet têm papel importante a partir das tecnologias de promoção e vieram para ficar, independente do pós-pandemia.

Há quem prefira votar em branco ou anular

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Para votar em branco é necessário que o eleitor pressione a tecla "branco" na urna e, em seguida, a tecla "confirma". Já o nulo é aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. Para isso, precisa digitar um número de candidato inexistente, como por exemplo, "00", e depois a tecla "confirma".

Antigamente como o voto branco era considerado válido, ele era contabilizado para o candidato vencedor. Na prática, era tido como voto de conformismo, como se o eleitor se mostrasse satisfeito com o candidato que vencesse as eleições, enquanto o nulo - considerado inválido pela Justiça Eleitoral - era tido como um voto de protesto contra os candidatos ou políticos em geral.

É possível justificar o voto

Por conta da pandemia de coronavírus, o TSE disponibilizou neste ano um novo recurso a quem estiver fora do domicílio eleitoral e quer justificar o voto. A justificativa será por georreferenciamento e deve ser feita preferencialmente pelo aplicativo e-Título, que evita a ida presencial a um local de votação. A funcionalidade no app estará disponível nos dias de votação e pode ser encontrado para os sistemas Android e iOS. Quem não tiver acesso a um smartphone pode justificar em qualquer local de votação. Se perder as datas de votação, é possível justificar no prazo de 60 dias depois de cada turno, comprovando o motivo da ausência com atestado médico ou bilhete de viagem, por exemplo, diretamente no cartório eleitoral, no e-Título ou pela Internet no Sistema Justifica.

Votos válidos

Atualmente, conforme a Constituição Federal e a Lei das Eleições, vale o princípio da maioria absoluta de votos válidos, que são os dados a candidatos ou a legendas. Votos em branco e nulos são desconsiderados e acabam sendo apenas um direito de manifestação de descontentamento do eleitor, que não interfere no pleito eleitoral. Por isso, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição. (ABr)

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