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Saiba o que é Síndrome de Burnout, transtorno que fará Globo pagar R$ 1 mi a jornalista

Izabella Camargo foi demitida após ficar afastada do trabalho devido à síndrome; Justiça decretou reintegração da profissional

Última atualização: 22.11.2019 às 16:37

Izabella Camargo sofre de Síndrome de Burnout Foto: Reprodução
A jornalista e apresentadora Izabella Camargo, 38 anos, e a TV Globo chegaram a um acordo na Justiça trabalhista. Com isso, Izabella deverá receber 1 milhão de reais da emissora, mas em troca não poderá mais dizer a Síndrome de Burnout, foi causada pela empresa. A informação é do colunista do UOL, Ricardo Feltrin. Ano passado, ela foi demitida e reintegrada por determinação judicial em julho. No dia da reintegração, porém, a emissora não a recebeu. Mas o que é a Síndrome de Burnout, o que ela provoca? 

Segundo especialistas, a pressão diária e a alta competitividade dentro de uma rotina intensa e desgastante no mundo profissional pode provocar um estado de tensão emocional e estresse crônico, que consiste na chamada Síndrome de Burnout. Além do esgotamento físico e mental, comportamentos como agressividade, isolamento e mudanças de humor são alguns dos sintomas deste transtorno que afeta 32% da população economicamente ativa no País, causando um prejuízo estimado em 4,5% do PIB nacional devido à baixa produtividade e qualidade do trabalho.

Entenda o que é a Síndrome de Burnout

A psicólogaclínica Ana Maria Rossi detalha demais causas e consequências do Burnout.

O que é Síndrome de Burnout?
O Burnout tem sido traduzido como exaustão física e mental, é um nível devastador de estresse. O estresse não é uma doença, é uma adaptação que pode ser positiva ou negativa. Por exemplo, uma promoção desejada no trabalho é um estresse, mas é um estresse positivo. Já uma perda é um estresse negativo. Quando falamos em Burnout, não tem nada de positivo, afeta dramaticamente a saúde da pessoa e, inclusive, é um grande indutor ao suicídio.

De que forma a síndrome se manifesta?
O Burnout deixa a pessoa incapacitada. Tem algumas características que o diferenciam de outras situações. Um cansaço físico e emocional se recupera com férias, feriadão, final de semana de folga, mas o Burnout requer bem mais do que um mês de folga. A primeira característica é a exaustão, a sensação de que a pessoa foi além dos seus limites e se sente desprovida de recursos físicos e emocionais para lidar com a situação. São três características principais: ceticismo, insensibilidade e alienação. A pessoa passa a não se importar com o que está em volta dela. Tem sensação de incompetência e não consegue dar a volta por cima. Quando a pessoa sofre de Burnout tem diversas reações físicas e emocionais e isso reflete no trabalho. Se torna mais irritada, tem mais dificuldade de concentração, se torna mais agressiva ou passiva.

Quais são as principais causas do Burnout?
São vários fatores indutivos, um deles é a pessoa não se sentir gratificada ou reconhecida por aquilo que ela faz. Se esforça, faz o melhor que ela pode e não tem reconhecimento por aquilo. Todos nós temos uma necessidade muito grande de nos sentirmos reconhecidos e, quando não temos isso, começamos a ficar desmotivados, insatisfeitos. Outra coisa é a pessoa ser solicitada a executar projetos sem condições de fazê-lo, não tem recursos financeiros, não tem equipe, está sendo exigida, mas não tem como cumprir. Outra situação é a pessoa, para executar seu trabalho, ter de mentir ou omitir a verdade sobre o que está fazendo. Por exemplo, um vendedor sabe que a mercadoria não é de boa qualidade, mas se disser isso ao cliente não vende. E aí ele vai mentir. Dependendo do senso ético da pessoa, ela vai se sentir mal.

Qual o papel do gestor dentro deste contexto da síndrome?
O gestor estaria implicado no surgimento da síndrome, porque o reconhecimento e a delegação vêm dele e isso afeta. Uma certeza é reconhecer o trabalho dos funcionários, as tarefas que eles executam, também ter a sensibilidade de não exigir que um funcionário faça algo sem ter condições, sem estar devidamente treinado, não ter equipamento. Seria importante que houvesse essa sensibilidade. Com a sobrecarga do trabalho, empresas enxugando cada vez mais o quadro de empregados, é importante que o gestor possa respeitar os limites do funcionário. A pessoa tem que ter bem presente seus limites e saber quais são seus direitos. Às vezes, os gestores fazem com que os funcionários se sintam culpados. Muitos terminam suas coisas, mas se sentem intimidados de ir embora, então ficam ali se sentindo as últimas pessoas do mundo, quando poderiam estar buscando os filhos na escola, fazendo uma atividade física ou conversando com os amigos, por exemplo.

Qual a maneira de evitar a síndrome?
Há maneiras diferentes, uma delas é uma intervenção primária. É a pessoa eliminar aqueles fatores causadores de problema. Se tem limite para trabalhar 7 ou 8 horas por dia e está sendo exigido para trabalhar 11 horas vai ter sequelas. Em primeiro lugar, respeitar esses limites dos funcionários vai diminuir a possibilidade de adoecimento. Também possibilitar que o funcionário possa opinar sobre seu trabalho, que possa expressar seu sentimento sobre aquele trabalho que faz. Algumas empresas têm normas especiais e rígidas, mas então a empresa pode abrir um canal que dê possibilidade de o funcionário verbalizar o que está sentindo, de expressar a opinião dele. Outra situação é o gestor estimular funcionários a não ficarem depois de seu turno. Hoje se observa exatamente o contrário disso, às vezes o funcionário até finalizou seu trabalho, mas não vai embora porque fica com receio de que não está “vestindo a camiseta da empresa”. Entre outras medidas importantes está estimular os funcionários a, de alguma forma, socializarem com outros colegas, como promover um jogo de futebol, churrasco, celebração de aniversários, fazer com que se sintam prestigiados.

Como lidar com o Burnout?
É importante ter bem em mente seus objetivos de vida. Se está certo de que o trabalho está sendo uma fonte de adoecimentos e não tem condições de mudar, talvez seja importante ver outras alternativas, conhecer seus limites e ter disciplina mental para respeitar esses limites. Às vezes, a pessoa sabe que está se matando por uma causa que é uma rua sem saída. Quer dinheiro? Mesmo que venha com o pão que o diabo amassou? Sempre sugiro às pessoas que mantenham seus currículos atualizados, estejam sempre aprimorando conhecimento, para que possam buscar uma alternativa. É importante cultivar interesses fora do trabalho, ter uma rede com familiares, amigos, clube, um grupo ligado a alguma religião, um hobby, atividades que são agradáveis e prazerosas. E ter um estilo de vida saudável, dormir o número de horas que precisa, procurar ter alimentação saudável, praticar exercício físico e aproveitar técnicas de relaxamento no dia a dia podem ajudar, vão fazer com que a pessoa tenha melhores condições de lidar com o estresse.

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