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No tratamento contra o câncer, a cirurgia nem sempre é o primeiro passo

Conheça a Terapia Neoadjuvante, que inclui a administração de medicamentos antes do tratamento cirúrgico ou radioterápico com o objetivo de reduzir o tumor e preservar órgãos

Por Adriana Lima
Última atualização: 19.11.2019 às 11:54

Oncologistas Antônio Fabiano Ferreira Filho e Daniela Lessa da Silva Foto: Marcos Quintana/Divulgação
A principal luta é pela vida, eu sei, mas autoestima é também entra na lista pelo bem-estar quando a briga é contra o câncer. "Via aquelas mulheres mutiladas e pensava que não era isso que eu queria para mim e que deveria haver outro jeito. Eu ia então batalhar para não tirar a minha mama, querendo ou não é parte do meu corpo, pode ser um egocentrismo, eu sei, mas a gente quer. Se tem outra solução é então menos agressão para mim, minha autoestima fica melhor. Hoje eu tenho só um cortezinho que eu posso mostrar, com tranquilidade, porque ele conta a minha história. Espero que outras pessoas também vejam que há outras oportunidades", desabafa uma professora de 43 anos de Campo Bom. Ela é uma das pacientes da região que optou pela Terapia Neoadjuvante.

Os oncologistas da Oncosinos e Hospital Regina, Antônio Fabiano Ferreira Filho e Daniela Lessa, explicam que o tratamento exige profissionais especializados. "Muitos pacientes recebem diversas formas de tratamento, como por exemplo: cirurgia seguida de quimioterapia e radioterapia. Para cada um, a escolha dessa sequência de tratamento obedece a uma lógica. Do seu correto planejamento e implementação dependem as chances de cura e a qualidade de vida dos pacientes", detalham.

Preservação

Os médicos de Novo Hamburgo também destacam que, como no caso da moradora de Campo Bom, dependendo das condições de saúde do paciente e estágio do câncer, podem ser implementadas estratégias de tratamento com a preservação de órgãos, como a mama, laringe e bexiga. Essa possibilidade tornou-se mais próxima da realidade com a Terapia Neoadjuvante. "É a administração de agentes terapêuticos antes do tratamento cirúrgico ou radioterápico. O objetivo da Terapia Neoadjuvante é reduzir o tamanho ou extensão do câncer antes do tratamento local (cirurgia e/ou radioterapia), com a possibilidade de reduzir as consequências de uma técnica mais agressiva que seria necessária se o tamanho ou extensão do tumor não fossem reduzidos."


" Um dos objetivos da Terapia Neoadjuvante é tornar os procedimentos locais (cirurgia e radioterapia), quando necessários, ainda mais eficazes e seguros e não substituí-los."

Não é só na mama

Câncer de laringe, com o objetivo de se tentar preservar a voz dos pacientes.

Câncer de bexiga, com o objetivo de preservação do órgão. Neste caso, são utilizados protocolos de quimioterapia e radioterapia em conjunto.

Câncer de próstata de risco intermediário e alto. O bloqueio hormonal pré-radioterapia diminui os índices de recidiva.

Câncer de pâncreas. Permite, em algumas situações, tornar operáveis alguns tumores que inicialmente não seriam passíveis de ressecção.

Câncer avançado de ovário, com o objetivo de melhorar o estado nutricional das pacientes e permitir cirurgias com menores riscos de complicações e com maior chance de remoção do máximo de tumor da cavidade abdominal.

Câncer de esôfago.

Câncer de pulmão.

Câncer de estômago.

Tumores ósseos: Osteosarcomas.

Sarcomas de partes moles.

Ação nas micrometástases que não se vê nos exames

Os oncologistas ainda ressaltam que a Terapia Neoadjuvante age não apenas no tumor primário, mas também na doença micrometastática - aqueles microscópicos tumores pelo corpo que não aparecem nos exames. "O tratamento sistêmico, ou seja, de todo o corpo, é iniciado de forma imediata com medicações anticâncer que percorrerão a corrente sanguínea até os diversos órgãos onde podem haver se alojado microscópicas células tumorais, não detectáveis por exames de imagem. É por causa da possibilidade da existência de doença micrometastática que muitas vezes se realiza o tratamento com quimioterapia e ou hormonioterapia após cirurgias de câncer de mama ou intestino, por exemplo. O objetivo da quimioterapia nestes casos é tratar doença microscópica em busca de maiores índices de cura."

Resultados

"No estudo NSABP B-18 demonstrou-se que a quimioterapia neoadjuvante, antes da cirurgia, diminuía em cerca de 80% o tamanho dos tumores e permitia a conservação da mama em 70% das pacientes com tumores entre 2 a 5 centímetros. Estes maiores índices de preservação da mama são conseguidos sem prejuízo das chances de cura das pacientes. É importante reforçar que, após cirurgias conservadoras de mama, em praticamente todas as pacientes é necessário o complemento com radioterapia", citam, acrescentando que, apesar de moderna, não é indicada a todos os pacientes.

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