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Medicina do trabalho

Ambientes estressantes: 30% dos funcionários precisam de ajuda médica

Médico do Trabalho alerta para as doenças físicas e psicológicas no exercício da profissão
25/03/2019 03:00 26/03/2019 15:10

Mais que local para exercer a função, o trabalho precisa ser ambiente de saúde. Contra isso, infelizmente há variáveis como a pressão para cumprir a meta de vendas, atenção e precisão no desenvolvimento de uma tarefa, administração de conflitos entre funcionários, descontrole na emissão de partículas nocivas à saúde, entre outras.

Um estudo coordenado por pesquisadores da Concordia University, no Canadá, apontou que aproximadamente 30% dos funcionários que trabalham em um ambiente altamente estressante acabam precisando de ajuda médica para a cura de problemas fisiológicos e emocionais. O estudo levou em consideração os trabalhadores entre 18 e 65 anos, avaliando o número de vezes que buscaram consultas médicas, as doenças crônicas, estado civil, renda, tabagismo e o consumo de álcool.

Ambiente

Foto por: Raquel Reckziegel
Descrição da foto: Antônio Fagan, médico do Trabalho
"Nosso dia tem 24 horas e boa parte dele passamos no trabalho, algumas pessoas até mais do que oito horas diárias, então com certeza, a maior parte das doenças vêm desse período. É por isso que o ambiente de trabalho precisa ser o mais saudável possível, desde a exposição a riscos ergonômicos, como a postura, a agentes químicos ou físicos, como o nível dos ruídos. O ambiente de trabalho também deve ser positivo do ponto de vista psicológico, é preciso um bem-estar para poder trabalhar, quem trabalha em um ambiente de estresse com certeza será em breve um paciente de médicos", cita o médico do Trabalho e emergencista no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Antônio Fagan.



  • Burnout and failure at work
    Foto:
  • Antônio Fagan, médico do Trabalho
    Foto: Raquel Reckziegel

Medo de sair de férias?

Esses 30 dias por ano especialmente dedicados ao descanso, muitas vezes não são tão esperados assim por alguns funcionários. É o medo de sair de férias, uma sensação de forte estresse que atrapalha um tempo que é necessário à saúde. "O medo desses trabalhadores surge porque pensam que a empresa pode se dar conta de que eles não são mais importantes para o processo, é uma síndrome que merece atenção porque estas pessoas não conseguem nem relaxar com medo de perder o emprego", ressalta.

Há ainda um grupo, segundo Fagan, de trabalhadores que saem de férias e não conseguem se desligar. "E temos uma ferramenta que complicou ainda mais essa questão, que é barata para o empregador, que é o WhatsApp. O funcionário fica no grupo de trabalho nas férias, trabalhando e convivendo com o ambiente de trabalho em pleno período de descanso, então isso hoje para a Medicina do Trabalho é avaliada como uma situação de bastante conflito. Nas férias e nas folgas é preciso se desligar, não pode ficar restrito ou ligado a essas mensagens. Muitas vezes, o empregador faz questão de que isso aconteça, é uma facilidade para ele que o colaborador fique nessa rotina de trabalho, mas é importante conhecer os nossos limites", reforça.

O retorno ao trabalho após o fim das férias também é outro assunto polêmico. Sim, é normal "demorar a pegar no tranco" nesse período. "A pessoa que realmente conseguiu tirar férias e se desligar do serviço terá que fazer um preparo psicológico para retornar porque precisará de um controle de atividades, de horários até para a alimentação. Quando estamos de férias temos nossos excessos, almoçamos mais tarde, pulamos uma refeição e no ambiente de trabalho não há como porque temos que ter o horário definido de alimentação: café da manhã, o lanche das 10 horas, o almoço, o lanche das 16 horas e a nossa janta. É fundamental ter esses horários para não permanecer mais do que quatro horas sem se alimentar. Readaptação também ao horário de dormir, pois é muito importante ter pelo menos oito horas de sono por noite", cita.

Ruídos em excesso não causam só surdez

Fagan lembra que os efeitos do estresse causado por ruídos muito alto e frequentes trazem danos não apenas à audição. "Existe a Perda Auditiva Induzida pelo Ruído - Pair - que o principal efeito é o estresse. É o trabalhador que exerce sua função num ambiente ruidoso e não se cuida, começa a ter perda auditiva e também alterações de conduta. Uma pessoa que trabalha num ambiente ruidoso chega em casa e tem atitudes agressivas e de estresse perante pequenas reações, em conflitos familiares mínimos já desencadear uma reação agressiva, de agredir a esposa e os filhos, ou ter insônia, dores de cabeça, prejudicando a qualidade de vida dele a partir de uma perda auditiva induzida pelo ruído. Pessoas que hoje acabam indo para o alcoolismo devido ao zumbido que tem no ouvido, pois no momento em que ingerem uma determinada quantidade de bebida alcoólica o zumbido diminui. Hoje, graças a Deus, a gente tem encontrado bem pouco isso porque as empresas optaram pela segurança do trabalho e têm exigido o uso do protetor auditivo, controlam a iluminação do local de trabalho, o ruído. A fiscalização também mudou muito e o Ministério do Trabalho age com muito mais regularidade. Muitas empresas têm o médico do trabalho, que atende dentro da empresa, e que verifica o que é preciso mudar para melhorar, como as palestras de conscientização quanto à qualidade de vida, para que as pessoas tenham conhecimento sobre os males do cigarro, a importância da alimentação saudável e da atividade física fora do trabalho e também nas pausas através da ginástica laboral, uma ferramenta que tem sido bastante utilizada nas empresas para diminuir as doenças osteomusculares", destaca.

O que é preciso mudar na minha empresa?

"Todo ambiente de trabalho precisa ter um questionamento: o que daria hoje mais conforto a esses trabalhadores nesse local? Hoje temos a ginástica laboral, a pausa necessária, por exemplo, em um ambiente onde há uma esteira trabalhando e há uma rotina de trabalho entrelaçada entre esses trabalhadores. Para as pessoas que trabalham muito tempo sentadas, a Medicina do Trabalho prioriza que a cada 90 minutos você tenha ao menos 10 minutos de caminhada. É importante ainda que o almoço não seja feito no seu ambiente de trabalho, mesmo que permaneça no mesmo prédio, é importante que vá para outro local, para um refeitório, um restaurante, e desse local vá para uma área de conforto, seja um sofá, um banco ao ar livre ou com uma televisão para fazer com que saia da tua rotina de trabalho", reforça o médico.

O especialista ainda lembra a importância das relações saudáveis. "Hoje, o mais comum é sair do ambiente de trabalho e ir para o celular e essa tecnologia prejudica a relação entre as pessoas. Na hora de intervalo, em vez de conversar com o colega de trabalho, cada um vai para o seu grupo de celular, fechado, se comunicando com outras pessoas que estão longe. A relação entre pessoas é então prejudicada trazendo alterações, principalmente em nível de função mental, como por exemplo, sensação de estar sendo perseguido porque você não conversa mais com as pessoas, você se fechou num sistema tecnológico em que ouve ou vê o que você quer. A pessoa vinha trabalhando bem e de repente começa a se afastar, a ter necessidade de tomar medicamentos psicotrópicos para conseguir trabalhar porque tem alteração de pensamento, ficam depressivas, diminuem a autoestima, aumenta a obesidade, o sobrepeso e entram no vício, como cigarro e álcool", diz.

O coordenador

Nesta interação, entra também a importante função do coordenador. "A partir do momento que esse gestor reúne sua equipe e traça metas, objetivos e limites para o grupo, isso conforta quem está dentro dele. Muitas vezes a função do coordenador é justamente fazer as interligações: você ajuda ela, ele te ajuda", destaca o especialista.

Atividade física fora do local de trabalho

Esqueça o esforço feito pra subir aquelas caixas escada acima ou a caminhada de um lado a outro da empresa o dia todo. O médico explica que é preciso dedicação na hora de se exercitar. "É importante o movimento do corpo, dentro da velocidade de cada um, e recomendada uma atividade física durante 45 minutos por pelo menos três vezes por semana. A atividade precisa de uma preparação: você vai trocar de roupa, calçar um tênis e a cabeça estará com este foco. Isso vale para qualquer trabalhador, mesmo para o coletor de lixo, por exemplo, que caminha e corre o dia todo. Aí terá então outro enfoque, ele fará uma natação, um fortalecimento muscular na academia que vai até ajudar na atividade diária dele", destaca.

Afaste os vilões

O médico do Trabalho ainda lembra a importância da alimentação saudável no horário de serviço. "Quando falamos em vícios, é importante falar do uso do cigarro e consumo de bebida alcoólica, mas há também o consumo exagerado de doces e outros alimentos que não são saudáveis. Temos visto muito entre pessoas que trabalham na frente do computador a gavetinha ali com balas, pirulitos, chocolate, ou seja, mantêm um consumo diário demasiado do açúcar. Isso faz com que a glicose suba numa velocidade muito rápida e, no momento que ela cai, abre o apetite e aí a pessoa sai para comer e tem aumento de peso considerável. Então às vezes a obesidade surge nessa inadequação da alimentação no ambiente de trabalho", destaca Fagan.

Correio de Gravataí
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