Olá leitor, tudo bem?

Use os í­cones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, ví­deos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, 6423 (parada 63) - Monte Belo - Gravataí - CEP: 94050-000
Fones: (51) 3489-4000

Central do Assinante: (51) 3600.3636
Central de Vendas: (51) 3591.2020
Whatsapp: (51) 99101.0318
Viver com Saúde

Informação e apoio são essenciais para vencer o câncer

Chances de cura aumentam à medida em que a doença é diagnosticada precocemente
04/02/2019 03:00 05/02/2019 14:02

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: LEONARDO: venceu a leucemia
Millôr Fernandes disse, certa vez, que "o pôr do sol é de quem olha". A simples frase estampa as redes sociais do cineasta gaúcho Leonardo Vieira Peixoto, 29 anos, que enfrentou a Leucemia Linfóide Aguda (LLA), um tipo de câncer do sangue e da medula óssea que afeta os glóbulos brancos. A citação muito diz respeito à etapa vivida e vencida, que propiciou ao jovem ter critérios para fazer escolhas de vida. Hoje é lembrado como o Dia Mundial do Câncer, data que visa conscientizar a população sobre a doença, que assim como mostra Leonardo, é possível vencer.

O diagnóstico foi em 2008, quando o cineasta começou a se sentir mais cansado que o normal e não conseguia mais fazer atividades que antes eram do cotidiano. Depois de quatro meses de pesquisa e diagnósticos atrapalhados, soube que tinha câncer. A primeira reação foi prática: o que eu preciso fazer agora? Mas foram dias difíceis. Ele deu entrada no hospital na véspera do seu aniversário, à época de 19 anos. O fim do tratamento foi em 2011 e a alta médica em 2016. Ficaram diversas lições. "Aprendi a ter critérios para as escolhas da vida. Aprendi o valor da resiliência e a valorizar cada passo dividido com pessoas que nos querem bem."

Foto por:
Descrição da foto:
Na avaliação do oncologista Antonio Fabiano Ferreira Filho, ainda há muito medo. Por isso há necessidade de desmitificar que o câncer não significa uma sentença de morte. "As pessoas precisam receber informação adequada de profissionais, com um diagnóstico correto e um plano de tratamento do início ao fim", afirma. Segundo o Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o câncer é principal causa de morte em 516 municípios brasileiros. O Rio Grande do Sul é o maior em número de óbitos por causa da doença em todo o País, com 33,6%.

Os dados mostram que a maior parte das cidades onde a doença já é a principal causa de morte está localizada em regiões mais desenvolvidas do País, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. O médico pontua que até 2030 o número de casos devem aumentar em cerca de 60%. Segundo ele, as pessoas estão vivendo mais, o que faz com que os riscos de câncer aumentem, já que quanto mais idade, mais ocorrem mutações do DNA.

Sobrevida

O médico observou que de 1970 pra cá, dobrou a sobrevida de pacientes com câncer. "Só 25% viviam mais de 10 anos. É por isso que a sociedade precisa estar bem informada, que as política públicas pensem no suporte que darão aos pacientes. É outro desafio, mas a medicina tem avançado, os tratamentos estão melhores. As pessoas precisam procurar tratamento com profissionais especializados. O objetivo é sempre alcançar maior chance de cura, aumentar a sobrevida e qualidade com o mínimo de efeitos colaterais." É possível vencer o câncer, sim. E como mesmo lembra Leonardo, o pôr do sol está ali para quem quiser olhar. "As pessoas que nós gostamos estão do nosso lado. Nos cercando de coisas boas e disponíveis conseguimos força para as batalhas maiores", finaliza.



  • LEONARDO: venceu a leucemia
    Foto: Divulgação
  • câncer infantil
    Foto: Divulgação

  • Foto:

Linfoma de Hodgkin enfrentado pela menina de 13 anos

Foto por:
Descrição da foto: YASMIN: venceu o câncer

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: YASMIN: venceu o câncer
Em 2009, enquanto cursava o 8º ano do Ensino Fundamental, aos 13 anos, a hamburguense Yasmin dos Santos Etges recebeu a notícia de que estava com câncer. Descobriu em função de uma gripe, nas férias de inverno, que não passava. Inicialmente a suspeita era de pneumonia. Depois de um raio-x, passou a ser tuberculose. Yasmin, hoje com 23 anos, foi encaminhada para uma pneumologista e na tomografia apareceu que se tratava de um tumor. Fez biópsia, em Porto Alegre, e depois de 10 dias veio o diagnóstico: Linfoma de Hodgkin (tipo de câncer que se origina no sistema linfático).

Tudo aconteceu menos de um mês até a primeira internação da jovem publicitária. "Fiquei bem assustada, mas nem deu muito tempo de assimilar as coisas, até porque eu era bem nova. Mas sempre pensei em enfrentar da melhor maneira possível", relembra. Ela conta que recebeu muito apoio, força e carinho, até de pessoas que ela nem mesmo conhecia. "Foi essencial para eu me manter firme e confiante. Minha mãe também, além de estar todos os dias ao meu lado, foi um exemplo de força pra mim."

Yasmin afirma que teve diversos aprendizados desde quando recebeu o diagnóstico até o dia que recebeu alta da casa de saúde. Ela também mudou a forma de ver a vida e as coisas ao seu redor, a começar por dar mais valor ao que e quem tem. "A fé também foi essencial pois estava totalmente dependente. Entender que nada vale tanto quanto a saúde foi algo que vivenciei na pele. Por pior que fosse a minha situação, no quarto ao lado, ou até no mesmo, tinha alguém com uma situação muito pior. E por fim, mas não menos importante, é o que temos o hoje. O amanhã é totalmente incerto."

Bem-estar influencia o processo

No tratamento do câncer, é muito importante o bem-estar emocional do paciente e isso influenciará todo o processo. A psicóloga Gabriela Marques analisa que receber o diagnóstico de câncer gera ansiedade, medos e inseguranças, já que geralmente as pessoas desconhecem o que vem pela frente. A família, muitas vezes, redobra o cuidado com essa pessoa, o que pode ser prejudicial ao bem-estar dela. "A superproteção acaba trazendo uma sensação de 'inutilidade' e isso aumenta a ansiedade, baixa a autoestima e pode até gerar sofrimento ao paciente. É importante tomar certo cuidado, (até porque) o paciente precisa entender que sua rotina não será mais a mesma, mas ele ainda tem a possibilidade de fazer atividades para que se sinta útil", sublinha a psicóloga.

Ela acredita que a busca por atendimento psicológico é importante, já que a pessoa terá um ambiente para expressar angústias e aflições, assim como aprender lidar com a ansiedade. "Eventualmente se cria a fantasia de que a pessoa que está com câncer 'vive só para isso e em função disso'. Eu diria que bem pelo contrário. Alguns pacientes vão entender o câncer apenas como uma etapa, e continuarão ativos em suas rotinas", destaca.

Em contrapartida, outros associarão o câncer a um castigo. "Muitas vezes o câncer entra na vida das pessoas e possibilita uma segunda chance. Oportuniza uma pausa em meio a rotinas desgastantes. A doença vem como um alerta e faz a pessoa parar e repensar seus objetivos de vida."

Segundo Gabriela, é importante que os pacientes, mesmo em tratamento, mantenham alguma atividade que traga prazer a aumente a autoestima. "É importante o paciente oncológico não perder o vínculo social e evitar ficar isolado, pois o contato com outras pessoas (quando permitido pelo médico) é sempre positivo para a saúde mental, principalmente quando trata-se de pessoas que tragam otimismo, esperança e alegrias."

O que é e o que causa

Câncer, que surge a partir de uma mutação genética, ou seja, de uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para as suas atividades. É o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Essas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

O câncer não tem uma causa única. Há diversas causas externas (presentes no meio ambiente) e internas (como hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas). Os fatores podem interagir de diversas formas, dando início ao surgimento do câncer. Entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas. As mudanças provocadas no meio ambiente pelo próprio homem, os hábitos e o estilo de vida podem aumentar o risco.

Apesar de o fator genético exercer um importante papel na formação dos tumores, são raros os casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos. Os mais comuns em mulheres são de mama, colo de útero, intestino e pulmão. Em homens, próstata, pulmão e intestino.

Fonte: Inca

Entidades de apoio moldam perspectivas

Pela região, no Estado e País afora, há entidades de apoio que ajudam pacientes com câncer em várias frentes, o que é muito importante para o resgate da autoestima e criação de novas perspectivas de vida. Grandes exemplos da região são a Associação de Assistência em Oncopediatria (AMO Criança), a Liga Feminina de Combate ao Câncer e os grupos Vida Rosa e Amigas de Mãos Dadas. Este último, por exemplo, tem 178 mulheres cadastradas, sendo que muitas já venceram a doença e voltam para dar apoio. "Essas pacientes têm uma resposta muito rápida (no tratamento) em função do apoio que nós damos", comenta uma das fundadoras, Flávia Trevisan.

Já a AMO se encarrega de atender 41 pacientes (entre crianças e adolescentes) e mais 75 familiares. "Nosso atendimento vai um pouco além de fornecer remédios, exames ou cirurgia. Tratar o câncer infantil é oferecer apoio para enfrentar e superar. Uma pessoa feliz, alegre e consciente responde melhor ao tratamento", afirma a gerente administrativa Carla da Silva.

A Liga de Novo Hamburgo atualmente conta com 459 pacientes cadastrados. "Quando há um diagnóstico de câncer, abala toda a família. A primeira coisa que as pessoas pensam é que não tem mais cura. Pelo contrário. Um carinho, um abraço e um sorriso são importantes", diz a presidente Regina Dau. Fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais atuam na Liga.

Prevenção

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a prevenção do câncer engloba ações realizadas para reduzir os riscos de ter a doença. O objetivo da prevenção primária é impedir que o câncer se desenvolva. Isso inclui evitar a exposição aos fatores de risco e a adoção de um modo de vida saudável. O objetivo da prevenção secundária é detectar e tratar doenças pré-malignas (por exemplo, cânceres assintomáticos iniciais).

Algumas dicas: não fume, se alimente bem, mantenha peso adequado, pratique atividades físicas, faça exames preventivos, atente para a necessidade de vacinas, evite bebidas com álcool, evite comer carne processada e evite exposição ao sol entre 10 e 16 horas.

Saiba mais

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele, com aproximadamente 6.260 novos casos diagnosticados no País a cada ano. De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Oncoguia em parceria com o cliqueSUS, 98% dos medicamentos utilizados no tratamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com melanoma são pouco eficazes. Dados mostram que 1,4% dos remédios prescritos por médicos não têm eficácia para o mesmo problema. São registrados casos principalmente no RS, com 5,28 a cada 100 mil habitantes.

Os tumores não se alimentam de açúcar. "As células cancerígenas consomem todos os nutrientes de maneira acelerada, não apenas a glicose", explica oncologista Felipe Ades. Não há estudo realizado que comprove que o açúcar provoque o câncer. Também nunca foi demonstrado que a exclusão de alimentos ricos em glicose da dieta cause algum impacto no tratamento de pessoas com a doença.

Correio de Gravataí
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE