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Diarreia, vômito, mal-estar...

Em dias quentes, aumentam os casos de virose

140 é o número de espécies de vírus causadores de diarreia em humanos já mapeados. E você aí pensando que era só enrolação do médico...
03/12/2018 03:00 07/12/2018 13:40

"Provavelmente é apenas uma virose." A frase dita por muitos médicos deveria ser de alívio para alguns pacientes ou mesmo os pais que chegam nas emergências dos hospitais da região com crianças apresentando sintomas como diarreia, vômito, mal-estar, dor abdominal, enjoo e até febre. Porém, o diagnóstico ainda traz muita desconfiança, embora não deveria.

Levantamento do Ministério da Saúde aponta que, nos dias mais quentes do ano, há aumento de pelo menos 50% no número de pacientes atendidos nas urgências das unidades de saúde do País com alguma virose. "Só de vírus causadores de diarreia em humanos já foram mapeados mais de 140 diferentes espécies ou genótipos. E podemos citar alguns como os principais, como rotavírus; alguns adenovírus, como o adenovírus 41; norovírus, astrovírus e enterovírus, estes últimos que não causam, mas são simulares ao vírus da pólio, e provocam diarreia em humanos", reforça o professor do Mestrado em Virologia da Universidade Feevale Fernando Spilki.

Contaminação

Foto por: Eduardo Cruz/GES-Especial
Descrição da foto: 'É o profissional de saúde que conseguirá dizer se o paciente está mais ou menos desidratado e fazer o acompanhamento', diz Spilki
O professor explica que as viroses são doenças causadas por vírus que trazem estes sintomas e por vezes são indistinguíveis de doenças bacterianas ou de diarreias causadas por protozoários. O que todas têm em comum é a possibilidade de serem transmitidas pela água ou por alimentos contaminados. "O verão facilita a transmissão destas doenças, ficamos muito mais exposto à água nas atividades recreativas de banho e a gente toma mais água também, come mais alimentos como verduras, legumes e hortaliças, que estão mais expostos a estes contaminantes, por isso é mais comum encontrar casos de diarreia nesta época. Algumas destas doenças são típicas de inverno, no caso de rotavírus e alguns outros, mas a maioria das viroses, doenças bacterianas e causadas por protozoários ligadas à diarreia são mais comuns neste época mais quente mesmo", destaca.


Um pega, mais gente na casa pega também?

Sim, isso pode mesmo ocorrer, e por dois motivos. "Primeiro porque normalmente a fonte é a água ou o alimento contaminados, algo foi apresentado a todos daquela casa, daquela família. Os vírus e protozoários são muito resistentes então mesmo que eu lave bem as mãos às vezes fica alguma sujidade, algo que não enxergo, e acabo contaminando um alimento e ingerindo também. Depois porque nada impede que também sejam transmitidos de forma direta. É muito comum pais que estão tratando um bebê com diarreia, trocando fraldas, acabem apresentando uma diarreia também, mais leve normalmente, além dos irmãozinhos pequenos. A criança fez a diarreia no pinico, no vaso ou na fralda, eu abro aquilo e esses vírus, através do aerossol, do ar, conseguem entrar em contato com as mucosas e me contaminar também. Grande parte destas doenças cursam também com vômito, por isso as chamamos de gastroenterites, e o vômito é uma via eficaz dessa transmissão direta. No caso do norovírus, por exemplo, é a principal via de transmissão, mais que contato com as fezes. Então é preciso muito cuidado ao manusear vômito e fezes, procurar utilizar luvas ou proteção pra evitar um contato direto com esse material", orienta o professor.

Casos leves ou mais graves precisam de atenção médica

Presente no calendário de imunizações do Brasil desde 2006, a vacina contra o rotavírus tem duas apresentações: monovalente, disponível na rede pública, que contém um tipo de rotavírus, enfraquecido, mas que é capaz, pela proteção cruzada, de estender a imunização; e a pentavalente, disponibilizada apenas na rede privada, e que protege contra cinco tipos de rotavírus. A monovalente deve ser aplicada em duas doses, aos 2 e aos 4 meses de vida, já a penta em três, aos 2, 4 e 6 meses de vida.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação contra o rotavírus reduziu em cerca de 74% o índice de morte de bebês menores de 1 ano e de 61,4% na faixa etária de 1 a 4 anos. As internações das crianças menores de 5 anos no País também registrou redução após a adoção desta vacina de cerca de 44%.

Mais atenção às crianças e idosos

Há dois grupos mais propensos a terem viroses nestes dias mais quentes, explica Spilki. "Vamos ver com mais frequência viroses em crianças com idade pré-escolar e idosos porque a criança ainda está desenvolvendo a imunidade, está tendo os primeiros contatos com estes vírus e outros agentes, e os idosos estão naquele processo que chamamos de imunossenescência, ou seja, com a imunidade diminuída, e tendo um contato que não é novo, mas a memória imunológica já não está ajudando tanto", detalha.

Dicas para evitar as viroses

"A conservação dos alimentos é especialmente importante para a proliferação de doenças bacterianas, algumas das bactérias terão crescimento maior pela exposição a uma temperatura elevada, conservar então os alimentos na geladeira", destaca o professor.

Utilizar água de uma fonte segura, revisar se o seu poço artesiano tem qualidade de água adequada ou então utilizar água tratada pelas companhias.

Se não tiver certeza da qualidade da água, fervê-la por um período prolongado, um pouco mais de 10 minutos.

Comprar os alimentos, principalmente as hortaliças, de locais onde se saiba a procedência, que saiba que foram irrigadas com água tratada.

Eliminar os locais que possam ser foco de proliferação do Aedes aegypti, que traz doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika e usar repelentes no verão. Estas doenças também trazem vômito e diarreia entre os sintomas.

Correio de Gravataí
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