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Notícias | Região EXCLUSIVO

Jéssica vive sem água, sem luz e longe das filhas

Na casa que divide com o filho de um ano, e com oito meses de gestação, os "gatos" da água e da luz são incertezas constantes para Jéssica. Depois das enchentes, as filhas de três e seis anos foram morar com parentes.

Por Eduardo Torres
Publicada: 08.07.2019 às 08:34

Foto por: Fernando Lopes/GES
Descrição da foto: Casa na Rua Sertório já ficou duas vezes debaixo d'água
Faz mais de um mês que a Jéssica Cardoso está longe das duas filhas, de três e seis anos. Com a casa debaixo d’água, durante as fortes chuvas de junho, no terreno do bairro Padre Réus, foi obrigada a entregar uma para a avó, a outra, para o pai. Quando fala nas meninas, não consegue conter o choro, mas, como ela diz, “antes preciso conseguir uma casa digna para elas”.

“Semana passada, ficamos quatro dias sem luz. É só começar um vento mais forte, os fios do ‘gato’ se soltam, e às vezes é difícil conseguir alguém para arrumar pra mim”, conta.

Ela chegou àquela casa em março, quando a família que ali morava foi chamada para o Breno Garcia. Antes, a casinha da Jéssica ficava no mesmo bairro.

“Saí daquela casa porque estava desabando. Aí vi que o pessoal estava botando abaixo as casinhas daqui, como essa sobrou, entrei. Já que a prefeitura me diz que eu sou a próxima, eu tenho a esperança de que não vai ser por tanto tempo assim”, diz.

Jéssica divide a casa gelada e praticamente sem móveis — os poucos que tinha foram furtados durante a enchente — o pequeno Tiago, de um ano. E ele tem asma.

“Tive que correr para o 24 Horas nessa semana, passamos a noite lá. Eu não acho justo com o meu filho viver desse jeito, mas é o que eu posso neste momento”, lamenta.


Ela vive atualmente só da renda do Bolsa Família. E Não se pode dizer que não correu atrás dos seus direitos. Assim que soube da possibilidade de se inscrever para um gigantesco loteamento na mesma região em que já vivia há muitos anos, ela não pensou duas vezes. Entregou a documentação e fez o cadastro no município. Mesmo vivendo em situação de risco, não foi incluída na primeira etapa, a da demanda fechada, para famílias de áreas de risco. Segundo ela, teriam faltado alguns documentos.

“Não desisti. Foi só abrir de novo para inscrições, voltei lá com tudo o que faltava”, conta.

Era a lista para a demanda aberta, que entraria no sorteio.

Antes de ser definida como suplente, na posição 27, porém, a documentação de Jéssica foi analisada e, teoricamente, ela foi pontuada conforme a sua situação. A Secretaria de Habitação não detalha estes critérios à reportagem. Em edital de janeiro do ano passado, porém, é explicado que para ser pré-selecionado ao programa era preciso ter renda bruta familiar inferior a R$ 1,8 mil, estar no cadastro único do município, não ter imóvel, ser maior de 18 anos e não ter sido contemplado em algum programa habitacional anterior.

A partir daí, ainda antes do sorteio, houve a hierarquização de acordo com as pontuações que eram acrescidas, por exemplo, a famílias com mulheres líderes, com integrante portador de deficiência ou de doença crônica, moradores há mais de cinco anos em Gravataí e em situação de rua, acompanhados por programas sociais.

Dias atrás, foi retratada no site da prefeitura a história da aposentada Paula Francisca Faes, 75 anos, que foi beneficiada com uma das casas do Breno Garcia pela demanda aberta. É ela quem cria as duas netas que, até bem pouco tempo, estavam no Centro de Acolhimento do município. Paula é, portanto, a líder da família e, acrescido ao critério de ser idosa, foi classificada, na hierarquização do sorteio das casas como a 220ª no chamado Grupo 2. Entre a dona Paula e a Jéssica, que também é líder da família, desempregada e, nos próximos meses, mãe de quatro crianças, há 797 pessoas classificadas pela aplicação dos critérios de hierarquia dos dossiês encaminhados pelo Senac ao município.

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