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Latrocínio em Estância

PMs de folga frustraram jantar de procurado por matar pai e filho

Suspeito comia pizza com família, correu e se cortou em arame farpado
25/04/2019 03:00 26/04/2019 10:27

Foto por: Brigada Militar
Descrição da foto: Rafael dos Santos Domingues chega ao plantão da Polícia Civil de São Leopoldo
Era mais uma informação de momento sobre o possível paradeiro do leopoldense Rafael dos Santos Domingues, 19 anos, um dos procurados pela morte de pai e filho no assalto à Ótica Elaine, no Centro de Estância Velha, no último dia 10. A denúncia poderia não se confirmar, como tantas outras, mas uma equipe de brigadianos que recém havia saído de serviço decidiu apostar na intuição. Eram seis, que voltaram ao quartel, vestiram a farda, pegaram a viatura e partiram para as buscas. Encontraram a casa indicada, em zona rural de Portão, e prenderam o foragido. Rafael jantava pizza com o filho pequeno, a namorada, uma mulher e os dois filhos dela, por volta das 23h30 de terça.

"Fomos sem nenhuma certeza e acabamos capturando um dos mais procurados da região", comemora o sargento Leonardo Baggio Iop, que comandou a investida do Pelotão de Operação Especiais (POE) de São Leopoldo. O foragido, porém, dificultou o que pôde para os PMs. Fugiu pelos fundos e saltou três cercas de arame farpado até ser contido, a cem metros da residência onde se escondia.

CONFORTO

"Ele se cortou e precisou fazer pontos no rosto", observa o sargento.

Antes de ser colocado na viatura, abraçou a namorada de 19 anos. Preferiu não se despedir do filho, que assistia televisão no sofá da sala com as outras duas crianças. É uma casa no bairro São Jorge que oferece relativo conforto, de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e uma piscina de fibra no pátio. O dono é um traficante de São Leopoldo, que comprou a propriedade para a companheira e os dois filhos.

"Estão me acusando de uma coisa que não fiz"

Foto por: Polícia Civil
Descrição da foto: Rafael Domingues
No pouco que falou com os brigadianos, Rafael insistiu na inocência. "Estão me acusando de uma coisa que não fiz e vou provar." O procurado comentou que estava fazendo carteira de motorista na manhã do crime. "Mas, se ele é acusado de algo que não deve, então que se apresentasse à Polícia ou Ministério Público e comprovasse o álibi. Por que buscar abrigo na casa de um traficante?", questiona o sargento.

Os policiais ainda falaram sobre a gravidade do crime e Rafael concordou: "Os caras que mataram têm que ficar presos." O capturado também respondeu sobre o possível comparsa no latrocínio, o hamburguense Davi dos Santos Mello, 20, que segue foragido. "Não sei quem é. E não fui eu." 

Sargento conta como foi a captura

Os acusados do latrocínio em Estância são caçados como se fossem troféus. O primeiro ficou com o POE de São Leopoldo. O sargento Leonardo Iop conta como foi a captura.

Como veio a informação do esconderijo?
Sargento Leonardo Baggio Iop - Eu já tinha tirado a farda e estava indo para casa, Eram 22h20, e nosso turno havia se encerrado às 22 horas. Recebi um telefonema informando que o cara estava em Portão e entrei em contato com os colegas. Voltamos ao quartel e nos preparamos para ir ao local. Comuniquei ao comando que iríamos conferir se era verídico ou não.

Logo encontraram a casa?
Sargento Iop - Conseguimos identificar a casa, já conhecida nossa por ser de um traficante preso, onde quem mora é a companheira dele com dois filhos. Quando nos aproximamos, começou a movimentação na residência.

Rafael fugiu?
Sargento Iop - Não tínhamos certeza de que ele estava lá. No que pensamos em averiguar e cercar, a moradora aparece no pátio. Ele corre para dentro e logo vejo o Rafael correndo para os fundos. 'O cara correu', alertei a equipe. Arrebentamos o portão, grande, de contrapeso, e fomos atrás. Ele pulou umas quatro cercas de arame farpado e se cortou todo. É uma área de campo, com poucas residências. Ele já estava na segunda propriedade dos fundos.

O que vocês conversaram com ele?
Sargento Iop - Indagamos sobre a situação e ele se disse inocente. Daí perguntei por que então estava fugindo e não respondeu. Apesar da correria, se comportou com frieza e tranquilidade. Em nenhum momento demonstrou medo ou arrependimento.

Ele disse por que fugiu?
Sargento Iop - Falou que fugiu da Vila Brás por que um grupo rival de traficantes estava ameaçando ele.

Contou há quanto tempo estava na casa?
Sargento Iop - Ele disse que estava há uma semana lá, mas a namorada contou que eram dois dias. Acho que ela falou a verdade. O traficante teria oferecido a casa para Rafael ficar de três a quatro dias até encontrar outro refúgio.

Foi apreendido algo na propriedade?
Sargento Iop - Fizemos uma averiguação, mas não encontramos arma, dinheiro, droga ou joias.

 

Delegado aumenta convicção

Para o delegado de Estância Velha, Márcio Niederauer, a convicção de que Rafael seja o assaltante de rosa é cada vez maior. "Hoje (ontem), duas testemunhas o reconheceram pessoalmente como um dos autores", salienta. Durante o interrogatório, no fim da manhã, Rafael usou do direito de permanecer em silêncio, por orientação dos advogados.

"Ele negou envolvimento no crime e disse que não conhece o Davi, mas não respondeu às perguntas mais sensíveis. Não quis colaborar no fornecimento de material genético, que deveria ser do interesse dele para comprovar a alegada inocência," À tarde, Rafael foi conduzido à Penitenciária Modulada de Montenegro.

As buscas agora se concentram ao assaltante de preto, apontado como o hamburguense Davi dos Santos Mello, 20. Sobre o motorista do City e do Focus usados na fuga, o delegado diz que não há novidades.

O crime

Por volta das 9 horas, dois homens entram na joalheria, na Rua Portão, e logo avisam que é assalto. São rendidos a dona, Elaine Canova, 54, o marido e sócio, Leomar Canova, 59, o filho Luís Fernando Canova, 35, e uma funcionária.

Enquanto o bandido de camisa rosa manda as mulheres recolherem joias, o comparsa de preto vai com Leomar e Luís Fernando ao escritório. Em seguida, aparecem pai e filho reagindo já na parte da frente, onde são alvejados.

Foto por: Reprodução/Facebook
Descrição da foto: As vítimas: Leomar Canova e Luiz Fernando Canova
O de preto sai correndo sem levar o que havia recolhido, mas o de rosa manda as mulheres entregarem a sacola que havia mandado encher de joias, avaliadas em R$ 350 mil. Os dois embarcam em um Honda City cor chumbo. O carro, roubado em Porto Alegre, é abandonado na Rua Ceará, bairro Rincão, em Novo Hamburgo.

Por volta das 11 horas, os bandidos deixam um Focus prata, também roubado, em rua lateral à BR-116, na área central de São Leopoldo. A Polícia Rodoviária Federal encontrou o veículo ligado e um telefone celular. Imagens mostram que três homens descem do carro e um de camisa rosa sobe uma passarela na direção do Centro.

Correio de Gravataí
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