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Viver com Saúde

Prisão de ventre afeta até 30% dos brasileiros; saiba como evitar o problema

Tratamento vai bem além de só comer um mamão
25/02/2019 03:00 26/02/2019 14:25

Inchaço, dor abdominal e, principalmente, um mau humor terrível, entre outros sintomas. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 20% e 30% da população brasileira tem alguma alteração na área intestinal que leva à constipação, também chamada de prisão de ventre. O coloproctologista da Unimed Vale do Sinos, Pitágoras Kieling, explica que é importante interpretar as queixas para chegar ao diagnóstico correto, pois em até 60% dos casos estes pacientes se autodenominam constipados sem que isso seja realmente o que ocorre. "Os sintomas a serem considerados se referem à consistência endurecida das fezes, o esforço evacuatório, sensação de evacuação incompleta, bloqueio na saída das fezes, uso de manobras de auxílio digital para evacuar e uma frequência de menos de três evacuações semanais. A duração do surgimento dos sintomas também é considerada", ressalta.

O profissional destaca que a constipação intestinal é mais frequente em pessoas acima de sessenta anos de idade em ambos os sexos, mas que é predominante entre as mulheres e entre afrodescendentes. Kieling lembra que nem toda alteração do funcionamento do intestino está ligada aos maus hábitos. "No último consenso médico de especialistas denominado ROMA IV, foi definido que a presença de dois dos sintomas por um período de três meses nos últimos seis meses, caracteriza a constipação. Nem tudo é tão fácil como parece. Precisamos avaliar a origem da constipação, que pode ser apenas funcional ou secundária a inúmeras causas como doenças metabólicas, doenças neurológicas, alterações psicológicas, neoplasia [tumor], uso de medicações, entre outras", cita.

Todos os dias?

Um dia sem "ir aos pés" já é motivo de chateação para a maioria das pessoas. Então o normal seria evacuar todos os dias? Não! "Pode haver diferenças na frequência das evacuações que são consideradas normais. Aceita-se a variação desde mais que uma evacuação diária até três evacuações semanais. Não devemos considerar de forma radical os números ou nos prendermos a tabelas. Elas nos servem como referência apenas. Com isso, a procura de auxílio médico deve ocorrer quando há sintomas, como relatados antes. Independe se estes sintomas são recentes ou antigos, com duração acima de seis meses", detalha o médico.


Atividade física ajuda sim!

Quando a constipação está ligada apenas ao mau funcionamento do intestino, que é a causa mais comum, uma das primeiras medidas a serem tomadas é o aumento da ingestão de fibras e outras mudanças nos hábitos de vida. "A dieta com fibras, a ingestão de líquidos e a atividade física regular constituem o tripé básico do tratamento da constipação, que leva a melhora significativa dos sintomas na maioria dos pacientes. Durante a atividade física há um aumento da circulação sanguínea periférica e há liberação de hormônios que estimulam a atividade neuromuscular e, secundariamente, a motilidade intestinal. Há estudos que comprovam o aumento do desejo evacuatório logo após a realização da atividade física", reforça o coloproctologista.

Entre as crianças

A constipação intestinal também pode atingir os pequenos. Conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria, mais de 90% dos casos na faixa etária que inclui infância e adolescência são de natureza funcional. A entidade alerta que muitas vezes é preciso apenas reeducar a criança para o uso do banheiro, além de cuidados com alimentação. E, em alguns casos, o uso de medicamentos poderá ser indicado, com orientação médica. A duração do tratamento é variável, mas pode se estender por meses.

Mais doenças

Não é só o mau humor o resultado de uma constipação sem tratamento adequado. Pitágoras Kieling explica que mais males podem surgir do descontrole da doença. "Tanto a constipação, pelo esforço evacuatório e a consistência endurecida das fezes, pode levar a sintomas hemorroidários ou de outras patologias como fissuras anais, como, ao contrário, estas doenças, por provocar dor e sangramento, podem levar a constipação, secundariamente, devido ao medo de evacuar. Podemos ainda ter divertículos secundários relacionados a regiões aonde há um aumento significativo da pressão dentro do intestino. Como o tempo de trânsito prolongado está relacionado ao aumento reflexo na força de contração da parede do intestino, para poder movimentar o conteúdo fecal mais ressecado, pode haver a formação de divertículos ao longo dos anos", informa.

O médico também cita que a retenção de líquidos é comum entre os constipados. "Uma das funções do intestino grosso é a reabsorção de líquidos buscando o equilíbrio orgânico. Uma pobre ingesta de líquidos e um tempo de trânsito intestinal aumentado levam a um aumento na absorção dos líquidos e consequentemente a produção de fezes mais ressecadas."

Não é só mamão e aquele iogurte

Aos primeiros sintomas de constipação intestinal, alguém já sugere: coma mamão! Ok, ajuda sim, mas não só ele até enjoar, certo? E também não é para recorrer com frequência àquele milagroso iogurte que viste em alguma propaganda. "Os alimentos ricos em fibras são fundamentais no funcionamento intestinal. Produtos industrializados com fibras podem ter efeito positivo, como iogurtes com fibras. Particularmente tenho preferência por produtos naturais, que são mais saudáveis, ricos em outros nutrientes, como vitaminas, e de menor custo. Mais agricultura e menos indústria. Só um conselho", cita o coloproctologista.

Lembrando que são fontes de fibras as leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico), grãos, farelos e farinhas integrais (arroz, linhaça, aveia, cevada), os vegetais (agrião, alface, abóbora, abobrinha, aipo, aspargos, beterraba, brócolis, couve, acelga, batata-doce, rúcula, entre muitos outros) e as frutas como abacaxi, ameixa fresca e seca, banana, caju, damasco, laranja, pera com casca, maçã com casca, entre várias outras.

Um chazinho apenas hoje, tudo bem. Mas atenção àquela receitinha ou dica de massagem da vizinha sem consulta a um médico especializado; tudo deve ser bem orientado. "Não devemos nos enganar com produtos laxativos ditos naturais, como o sene e a cáscara sagrada, que têm efeitos indesejados no uso indiscriminado e a longo prazo. As massagens abdominais e os exercícios perineais relacionam-se ao tratamento fisioterápico da constipação e tem produzido resultados satisfatórios em estudos desta especialidade", diz Kieling.

Emocional também conta

O ato de evacuar ainda traz receios a algumas pessoas e acaba criando entre elas algumas manias, como o fato do só conseguir isso se for no banheiro de casa e ficar "segurando" por muito tempo. "Tanto questões emocionais, que promovem alterações hormonais com efeito direto na motilidade intestinal, como questões sociais e comportamentais podem levar a sintomas de constipação. Por exemplo: a atitude de adiar, ao longo de muito tempo, o ato evacuatório porque está em um local inadequado, pode trazer como consequência a perda da vontade de evacuar mesmo tendo fezes junto a saída do intestino", detalha o médico.

Correio de Gravataí
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