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Um dia a escola cai

Alunos do Tuiuti cruzam os braços contra estrutura precária da escola

Faltam professores, o forro desabou, salas improvisadas, biblioteca fechada e até recursos para obras perdidos pelo Estado. A maior escola estadual de Gravataí agoniza.
18/06/2019 14:13 18/06/2019 14:23

Foto por: Fernando Lopes/GES
Descrição da foto: Alunos fecharam a escola em protesto por melhores condições para estudar
Nesta terça (18), não teve aula na Escola Estadual Tuiuti, um dos maiores de Gravataí. Pais e alunos resolveram dar um basta no quadro de precariedade que prejudica aos 1,2 mil alunos diariamente. A escola é uma das 10 entre Gravataí e Cachoeirinha que, segundo o último levantamento do CPERS/Sindicato, têm de se virar com um déficit de pelo menos 21 professores.

No caso do Tuiuti, se o problema fosse só este, talvez a direção conseguisse administrar, mas é bem pior.

“Estamos com um prédio desabando, com as crianças tendo aula em uma situação terrível. A biblioteca está fechada e, para o ano que vem, vão acabar até com o bar da escola. O que o governo quer que aconteça com as escolas públicas? Nós resolvemos brigar pelo ensino de qualidade para os nossos filhos”, desabafa Marília Silva dos Santos, mãe de três alunos do Tuiuti.

Segundo ela, o movimento que nesta terça chamou atenção pelas faixas e cartazes em frente ao portão da escola continuará.

“Se for preciso, vamos dormir na escola, mas queremos solução para os nossos problemas”, diz.


Dois dos filhos dela, no segundo e no quarto ano do ensino fundamental, estão entre os mais prejudicados. Pelo menos em uma semana do mês, cada um deles tem aula “no interior”, como virou a expressão comum entre os professores quando uma das turmas é disposta na sala de aula improvisada no pequeno salão nos fundos do terreno da escola.

São 30 classes, um quadro pendurado em uma janela e a iluminação precária no espaço que fica separado dos demais prédios por um terreno alagadiço. Em dias de chuva, os alunos são recomendados a irem com botas de borracha para atravessar o barro.

A gota d’água aconteceu em novembro do ano passado. Foi quando o forro de uma das salas de aula do prédio 4 — onde há cinco salas de aula até então ocupadas pelas séries iniciais —desabou em horário de aula.

“Deve ter sido o anjinho das crianças que protegeu elas. Porque na véspera, quando notamos que o forro havia abaulado, eu interditei a sala. Pensei que pudesse cair uma lâmpada, ou algo assim. Quando vimos, desabou tudo”, recorda a diretora Geovana Rosa Affeldt.

Desde novembro, as crianças passaram a ter aulas em salas improvisadas. Uma parte na biblioteca, outra na sala que deveria ser de multimídia e uma terceira no “interior”.

Enquanto isso, todo o restante da escola fica impossibilitado de usar estes espaços para atividades.

“Nós resolvemos revezar as turmas entre estes lugares improvisados, até como uma forma de dividir o prejuízo”, lamenta a diretora.

Obra parada, recursos perdidos

O prédio com o forro desabado tem 40 anos, mesmo tempo de construção dos outros quatro. E o temor é que aconteça o mesmo no restante da escola. Já no final do ano passado houve esperança de que a Secretaria Estadual da Educação solucionaria o problema rapidamente. Com um contrato emergencial, uma empreiteira iniciou o serviço mas, depois de retirar todo o antigo forro, constataram que as telhas orçadas não eram compatíveis com o forro. Seria necessário um aditivo, em torno de R$ 50 mil, ao contrato.

Foto por: Fernando Lopes/GES
Descrição da foto: Forro desabou no ano passado e o conserto ainda é aguardado
O valor deveria ter sido pago em janeiro, mas até agora não foi depositado e a obra está abandonada. Na verdade, a segunda decepção da comunidade escolar em relação a alguma melhoria estrutural em poucos meses.

“Para ligar uma lâmpada, a gente leva choque”, conta o presidente do grêmio estudantil, João Pedro Batista, 16 anos.

É que, em 2016, o Tuiuti foi escolhido como uma das escolas beneficiadas para um investimento de R$ 120 mil, com recursos do Banco Mundial, para reformar toda a rede elétrica, que ainda é a original de quatro décadas atrás. Projeto vai, projeto vem, em 2018 parecia que todos os trâmites estavam completos, mas nada foi executado e, no dia 31 de maio, o recurso do banco, que já estava depositado na conta da escola, foi definitivamente perdido.


E agora até o custeio para o próximo ano pode sofrer um baque. É que boa parte dos recursos mensais à disposição da direção da escola vêm dos R$ 1,8 mil cobrados de aluguel pelo uso da cantina. O espaço é licitado e um permissionário o opera, mas já não poderá fazê-lo a partir de 2020.

Esta foi a ordem recebida pela escola em uma circular da Secretaria da Educação.

Conforme esta medida, o lanche nas escolas estaduais ficará limitado ao que é fornecido pelo Estado: o equivalente a R$ 0,49 por aluno.

“Atualmente, 40% do que é arrecadado com o aluguel do bar fica para custeio da escola. Nossa preocupação agora é até mesmo em como atender à nossa demanda. O valor para a merenda é insuficiente”, confirma a diretora.

De acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, as obras emergenciais do Tuiuti serão retomadas e o aditivo ao contrato da empreiteira será pago nos próximos dias. O governo afirma ainda que os R$ 120 mil perdidos para a execução da nova rede elétrica serão custeados com recursos próprios da secretaria.

Nenhuma das duas medidas, porém, tem data estabelecida para ser executada.

Correio de Gravataí
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