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Sem verbas

Cortes na educação podem fechar Instituto Federal em Gravataí

Com a confirmação da redução em 30% dos recursos federais para educação, campus na cidade, com 260 alunos, corre risco de fechar em setembro.
14/05/2019 12:04 14/05/2019 12:53

Foto por: Arquivo Pessoal
Descrição da foto: Estudantes e funcionários do instituto fazem protesto em Gravataí nesta quarta
O campus de Gravataí do Instituto Federal não terá como funcionar até o fim do ano. Ou pior, a perspectiva do diretor-geral do campus do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul) da cidade, Marco Antônio Vaz, é de que em setembro, se nada mudar, a unidade vai parar. Este é o cenário previsto para os próximos meses a partir do anúncio, pelo Ministério da Educação de cortes de 30% nas verbas da educação federal.

Em protesto contra os cortes, os estudantes do instituto, que mantém 260 alunos na cidade, além de cursos de extensão oferecidos a estudantes da rede pública e abertos à comunidade, sairão em caminhada no final da manhã desta quarta desde o campus, no bairro Bom Sucesso, até a avenida Dorival de Oliveira.

"Queremos mostrar para a sociedade a importância de tudo o que é feito aqui e do que a nossa cidade pode perder. Nós vamos sofrer muito, porque o ensino aqui é apaixonante, de muita qualidade. Foi o que me fez querer entrar para o instituto", diz a estudante do terceiro ano no curso técnico em Informática, Larissa Cardoso, 17 anos.


É que, se no plano federal a discussão dos números do corte soa quase como piada de mau gosto, entre os 30% e os 3,5%, aqui, os números do corte, conforme a direção do instituto, são bem reais, e afetarão diretamente os atuais 260 alunos — além de colocar em cheque novos ingressos e a sonhada expansão da unidade. Por enquanto, ao menos o auxílio permanência, oferecido a 90 alunos de baixa renda, para o transporte e alimentação, está mantido.

O corte chegará 37,1% no custeio (água, luz, segurança, manutenção) e de 62,3% nos investimentos (ensino, obras...). Os números estão em discussão em Passo Fundo, em um encontro entre os diretores dos campi do instituto no Rio Grande do Sul.

"Se fosse um corte até 15%, acredito que conseguiríamos readequar uma série de situações, mas seguir funcionando. Da forma como foi colocado, não teremos muita saída. Ainda tentaremos negociar e ver se mudamos a situação", diz o diretor.

Segundo ele, já são adotadas algumas medidas de economia de luz, com o desligamento da iluminação externa nos horários de pico, à noite, e com a reutilização de água, com cisternas. Serviços terceirizados de limpeza e vigilância estão sob risco.

Sem estrutura, menos ensino

No ensino, a direção começa a repensar a abertura do curso de Educação Física escolar, previsto para iniciar em junho, no turno da noite. Era ainda previsto até o fim do ano o anúncio da abertura do primeiro curso superior do IFSul em Gravataí, provavelmente na área de TI.

"É bem possível que nem consigamos manter o campus aberto à noite para conter os gastos", avisa o diretor.

Os primeiros a serem afetados, porém, serão os alunos que recebem bolsas de monitoria para participação em programas de extensão e pesquisa. Até o ano passado, havia 12 bolsistas. A unidade de Gravataí atualmente mantém três cursos de extensão, de dança, jiu-jitsu e de programação de computadores para a comunidade. Há ainda um projeto de pesquisa na área de História.

"Os projetos estão funcionando, mas nem iniciamos a monitoria neste ano pela falta de recursos. Sem a participação dos estudantes, corremos sério risco de interromper essas atividades e sofrermos com alguma evasão, porque um dos principais objetivos é integrá-los à comunidade. Muitos dos nossos estudantes são estimulados justamente por estes programas", avalia Marco Vaz.

Uma das participantes da extensão é justamente a Larissa. No ano passado, foi bolsista no curso de Comunicação Não Violenta. Neste ano, ela participa das aulas de jiu-jitsu para estudantes do ensino fundamental de Gravataí, iniciadas neste mês, já sem bolsa. Ela já sente o peso da desestruturação do ensino público federal.

"Nós já não contamos, por exemplo, com um ônibus próprio, que é comum nos institutos federais, para as atividades próprias do curso e da extensão. Sempre que precisamos fazer essa troca com outras unidades, e termos contato com algo que vai nos acrescentar no ensino, precisamos recorrer a ônibus emprestados de outras instituições", comenta.

Moradora do bairro Monte Belo, ela sempre estudou em escolas públicas de Gravataí. Foi no Jerônimo Timóteo da Fonseca, em uma palestra, que teve contato com a única instituição de ensino federal da cidade.

"Fiz uma escolha pela qualidade de ensino que tem no instituto, não necessariamente por ser um curso técnico. Ver isso ser colocado em risco é muito preocupante", diz a estudante.

Crescimento a conta-gotas

Ela iniciou o curso técnico em Informática para a Internet em 2017. Até hoje, o único mantido no campus Gravataí, com ingressos de 72 novos alunos por ano, justamente porque as dificuldades orçamentárias, se agora tendem a chegar no fundo do poço, já vinham tropeçando há cinco anos, quando as atividades do IFSul iniciaram na cidade.

O maior retrato da crise está na infra-estrutura, na Rua Men de Sá. Há dois prédios erguidos, que representam 30% do que era planejado para 2019, atendendo a menos de 20% de estudantes que eram previstos para este ano.

"Deveríamos ter seis prédios, uma quadra esportiva e 1,4 mil alunos", resume Marco Vaz.

As obras do terceiro prédio, que deverá abrigar uma biblioteca, laboratório de ciência e dois laboratórios de informática, iniciaram em 2016 e ainda não acabaram depois de diversas paradas por falta de pagamento federal.

"Se não conseguirmos concluir este ano, nosso temor é de que não conclua mais, com este corte ainda maior nos recursos", avalia o diretor.

Em nota conjunta publicada na semana passada, o Instituto Federal detalhou que o corte em 2019 chega a R$ 18,5 milhões no Estado, correspondendo a 30% dos R$ 61,8 milhões previstos pela Lei Orçamentária de 2019. Esse valor, segundo a nota, "inviabiliza o funcionamento da instituição no exercício de 2019, além de resultar no imediato cancelamento de ações programadas".

Uma nova carta pública dos diretores deve ser divulgada após o encontro de Passo Fundo.

Correio de Gravataí
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