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Meio Ambiente

A pulverização de agrotóxicos é para atender interesses econômicos

Liberação na APA do Banhado Grande é questionada por Jackson Müller
08/11/2018 09:53 08/11/2018 09:54

Jackson Müller em defesa do meio ambienteApós a divulgação da autorização do uso de aviões para a pulverização de agrotóxicos na Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande, o doutor em Ecologia e professor do Curso de Ciências Biológicas e Gestão Ambiental da Unisinos e ex-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí, Jackson Müller, procurou a redação do Correio de Gravataí para explicar que essa liberação é um descaso com as questões ambientais que envolvem a APA e que os órgãos públicos competentes estariam atendendo apenas os interesses econômicos dos produtores.

O ambientalista garantiu que o Rio Grande do Sul está regredindo nas questões ambientais por questões econômicas, sendo que a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) foi intimada pela justiça a fazer o Plano de Manejo da APA do Banhado Grande e mesmo assim não o fez. Müller afirma que o órgão justifica falta de corpo técnico para fazer tal documento ao mesmo tempo que propõe o fim da Fundação Zoobotânica, a qual tem os peritos capacitados para consolidar o plano regulatório.

Correio de Gravataí: O que é a APA do Banhado Grande?

Jackson Müller: Há 20 anos foi constituída a APA, com o intuito de proteger e preservar locais característicos das nascentes do rio Gravataí, como o Chico Lomã, em Santo Antônio da Patrulha, o Banhado Grande em Gravataí e Glorinha, e o Banhado dos Pachecos em Viamão. A APA possui uma área demarcada de 136 mil hectares, as quais possui locais com extrema sensibilidade ambiental e com ecossistema delicado, com espécies únicos de fauna e flora e que necessitam desse habitat para sobreviver.

CG: E qual a função do Plano de Manejo?

Jackson: A função do Plano é de demarcar os locais mais sensíveis e que necessitam de maior proteção, mas principalmente de regulamentar as ações e os tipos de empreendimentos que podem ser desenvolvidos. É uma espécie de plano diretor, como há nos municípios, porém, nesse caso, define e garante as questões ambientais e de preservação da vida em toda a sua área.

CG: Por que não há ainda o Plano de Manejo?

Fauna e flora expostos aos agrotóxicosJackson: Essa é uma responsabilidade da Sema, por envolver uma área com diversos municípios. Já são 20 anos esperando esse plano que nunca se consolidou. Em 2015, quando a pulverização aérea de agrotóxico como o herbicida ‘glifosato’ atingiu a vegetação nativa, matando diversas plantas, árvores e até ninhos de pássaros, juntamente com o lodo liberado de algumas lavouras de arroz que elevaram a turbidez normal do rio, do coeficiente de 150 para 750, inviabilizando o tratamento da água na estação de tratamento da Corsan, no Passo dos Negros, foi determinante para que o Ministério Público (MP) entrasse com uma liminar solicitando que a Sema fizesse o Plano de Manejo, ou seja, teve que a justiça solicitar que o estado fizesse o seu trabalho.

Ai em 2016, o MP emitiu uma resolução impedindo a pulverização de agrotóxicos por avião, entendendo que era necessário concluir o Plano de Manejo para regulamentar as permissões, locais e métodos para esse tipo ação nas lavouras. Porém, em vez da Sema agilizar esse documento, fez o contrário, passou a dar desculpas como falta de recursos e de corpo técnico, mas, ao mesmo tempo, o governo do Estado propõe a extinção da Fundação Zoobotânica, órgão que possui os agentes especializados para produzir o Plano.

A verdade é que a Sema encontrou, na morosidade desse processo, um meio de atender os interesses econômicos dos produtores dentro da APA. Não é aceitável que a Secretaria autorize o uso de aviões, justamente quando já há duas liminares do MP, uma solicitando o Plano e outra proibindo a pulverização. A reação da Sema deveria ser a da precaução, pela segurança, por não autorizar esse tipo tão agressivo de aplicação de venenos.


CG: Quais consequências o senhor vê com a pulverização por aviões?

Jackson: O rio Gravataí está entre os 10 mais poluídos do Brasil e entre os três mais do Estado. Ele sofre impacto por todos os lados. Por isso, permitir que haja pulverização de agrotóxicos é mais uma forma de poluir e contaminar as águas do rio. Sem contar os danos à vida de plantas e animais.

Atualmente são 22 mil hectares de plantações de arroz na APA. Há produtores conscientes e que cuidam e seguem todas as normas e até possuem açudes e reservatórios de água em suas propriedades. Mas também há agricultores arrendatários sem vínculos com o local que apenas visam o lucro de suas plantações, não se preocupando com os procedimentos. A questão é que não há mecanismos de controle e de fiscalização, por isso o tema é tão pertinente, de visões distintas em razão dos interesses.

Não há controle da propagação dos agrotóxicos com a pulverização com avião. Não tem como ter precisão com a “nuvem de vapor” de veneno. O vento pode levar para longas distâncias e contaminar tudo em seu percurso. Há casos do sumiço de abelhas na zona a APA. Apicultores reclamaram a morte de colmeias inteiras e os enxames que não morreram, apresentaram mel contaminados. Vale lembrar que as abelhas são as grandes polinizadoras de pomares, árvores e flores.



Correio de Gravataí
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