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Mauro Blankenheim

Spritz bier

"Os dias de janeiro que rebentavam o novo ano eram regados a boas risadas entre os parentes que vinham de fora curtir o feriado"
18/11/2018 06:30

Mauro Blankenheim Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

Já vão remotos os tempos em que sorvíamos a deliciosa cerveja explosiva nos incalculáveis verões de Novo Hamburgo. Como diz o nome, a cerveja que esfriava nossos caniculares verões sem ar condicionado, estava sempre sob pressão e vez em quando assustava ao espocar uma garrafa dentro do frigorífico, nome dado ao aparelho que se localizava nas antigas cozinhas para conservar alimentos perecíveis e que antecedeu a chegada inexorável das Frigidaire.

Novo Hamburgo sempre teve verões quentes. Os dias de janeiro que rebentavam o novo ano eram regados a boas risadas entre os parentes que vinham de fora curtir o feriado. Era o tempo do telegrama, o telefone era um raro avanço que o Grupo Sinos viria ajudar a trazer para a região, o que a desenvolveria sobremaneira.

Cenário impensável para os dias de hoje, juntava um punhado de gente na esquina da Lima e Silva com a Bento, todos acomodados nas calçadas cativas em suas confortabilíssimas preguiçosas, aquelas que tinham o assento de lona, e uma base chanfrada para o encaixe dentado da regulagem do usuário.

Altas horas, boas e más piadas, críticas ao governo, muitas histórias, música a cargo da família regavam as noitadas que pareciam não ter fim, tanta era a alegria que proporcionavam. Desnecessário dizer que o risco de sermos abordados por algum delinquente era zero.

Comercialmente, nesse ínterim, o NH construía cases de sucesso nacionais com seus anunciantes: o maior revendedor de ar condicionado, a revenda Ford Galaxie no 1 do País e uma das mais importantes concessionárias de motos do Brasil.

Junto com o desenvolvimento certamente experimentado de forma mais convincente durante o ciclo da exportação de calçados, vieram também as mazelas decorrentes do aumento da população, os cinturões de pobreza que acomodam as pessoas marginalizadas, atraídas pelo crescimento econômico e que não encontraram jeito para participar dessa onda. Fenômeno que todas as urbes inevitavelmente vivenciam quando colocam mais gente no mesmo espaço. O Grupo Sinos lança então o projeto Jornal na Sala de Aula, e logo em seguida o Projeto Agora, do aipim ao computador.

Nos últimos 50 anos, testemunhados por mim, desde os meus mais tenros aninhos, tempo de se matricular sozinho na Educação Infantil da Oswaldo Cruz, sem a presença dos pais, tal a curta distância entre as noites de verão e a secretaria da escola, pude acompanhar, entre tantas outras, a Sapato do Brasil, que acabou desembocando na criação da hoje Abicalçados.

Na semana que findou, Mario Gusmão, fundador do Grupo Sinos, teve seu rosto imortalizado nas paredes da Associação Riograndense de Imprensa. Nada mais justo. Nada mais oportuno. Nada mais merecido.


Correio de Gravataí
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