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Gilson Luis da Cunha

Quem paga o jantar?

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 11112018)
11/11/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.gilsonluisdacunha.com.br

No início da semana me chamou a atenção uma notícia sobre Venom, o curioso derivado do universo do Homem-Aranha, que, em sua mais recente encarnação nos cinemas, nada tem a ver com o escalador de paredes mais querido dos quadrinhos. Dizer que o filme, por motivos mercadológicos (leia-se, os malditos executivos de estúdios) se desprende de sua origem nas HQs (onde, como você sabe, o simbionte foi primeiro associado a Peter Parker, o Homem-Arranha original), é chover no molhado.

O que realmente me causa espanto foi ler que a Sony Pictures, animada com o desempenho do filme do Simbionte, considera encerrar sua incipiente parceria com o Marvel Studios e trazer o Homem-Aranha "de volta para casa" (desculpem o trocadilho infame). O filme custou aproximadamente duzentos milhões e oitocentos mil dólares e rendeu o dobro disso em sua estreia nos EUA. No resto do mundo, arrecadou aproximadamente quinhentos e quarenta e cinco milhões de dólares e esse número tende a subir, um pouco mais lentamente, agora que o efeito da novidade já se desfez.

Os números, de fato, são bons. Não chegam a ser extraordinários. Mas são bem decentes e, ao que parece, a estratégia da Sony de embargar as críticas do filme até depois da estreia rendeu resultados. Claro, esses resultados se aplicam ao público "casual", pessoas que pouco ou nada sabem sobre os personagens, muitos atraídos por um trailer, ou nem isso. A questão é: por quanto tempo esses números se sustentam?

A maioria do público geek, fãs de raiz, como os que ajudaram franquias como Star Wars, Star Trek e o próprio Universo Cinematográfico Marvel, torce o nariz para esse filme. Essa mesma fatia de público certamente ficaria muito contente com a manutenção do Homem-Aranha no mesmo universo que os Vingadores e Guardiães da Galáxia. Claro, sabemos que anseios de fãs para executivos de estúdios, têm a mesma importância que palestras sobre semiótica em tibetano têm para vendedores de carros. O que esses senhores são incapazes de ver é que Venom, o filme, teve o desempenho que teve, muito por causa de Tom Hardy, o astro de Mad Max, Estrada da Fúria, um rosto familiar ao público.

O público da Marvel, certamente não foi assistir Homem de Ferro por causa de Robert Downey Jr e, muito menos, Capitão América por causa de Chris Evans. Foram para assistir os personagens que aprenderam a admirar nas HQs sendo representados, senão de forma 100% fiel, ao menos, de forma digna e com adaptações de linguagem e visual que honrassem o material original.

A Sony faz uma aposta arriscada ao acreditar que o público que prestigiou Venom e o público que vibrou com a entrada do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel são o mesmo público. Um é o que o nome já diz: casual. Hoje, prestigiou Tom Hardy vestido de Venom. Amanhã, pode ser um drama ou uma comédia romântica qualquer com o próximo casalzinho da moda. O outro é um público apaixonado, sobre os ombros do qual impérios foram construídos e, graças a quem certos atores poucos expressivos, tornaram-se lendas (essa foi para você, Chris Pratt).

Chegará um momento em que os advogados, que fatiam os direitos de personagens entre diferentes estúdios, e os executivos com ilusões de "talento criativo" terão que fazer a fatídica pergunta: Quem paga o meu jantar? Nesse dia, do jeito que tratam os fãs, é possível que eles descubram que esses já cansaram de pagar o jantar deles. Mas essa é só uma opinião. Vida longa e próspera e que a força esteja com você. Até domingo que vem.

PS.: Neste domingo, a partir das 16 horas, durante a Feira do Livro de Porto Alegre (Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital), Gilson Luis da Cunha participa da décima terceira edição do Mutação - Quadrinhos, Fanzines e Cultura Pop. Ele apresenta a palestra "50 Anos de Planeta dos Macacos".


Correio de Gravataí
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