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Viver com Saúde

Perda ou diminuição do olfato tem diversas causas e pode não ter cura

Em média, 19% da população mundial sofre com anosmia e hiposmia e não consegue distinguir os cheiros
30/10/2018 14:58 30/10/2018 15:24

Foto por: Free-Photos/Pixabay
Descrição da foto: Cheiro de flor
O caminhão de lixo passou pela rua e provocou duas diferentes reações naquela família: enquanto a supervisora de treinamento Karina Filippsen, 43 anos, demonstrou aversão ao cheiro ruim pelo ar, o filho Igor Marka, na época com cinco anos, nem percebeu a mudança pelo ar. Em mais ocasiões o filho foi demonstrando que não percebia a variação dos aromas, até que a mãe verificou que era hora de procurar o médico.

“Fomos a dois especialistas, foram feitos todos os tipos de exames de laboratório e de imagem, até uma ressonância para saber se ele não teria um tumor, mas nada foi achado. Ele foi encaminhado também a um psicólogo, que também não identificou nenhum problema de ordem emocional”, conta Karina.

Cuidado em casa

Foto por: Fábio Winter/Divulgação
Descrição da foto: Rodrigo Pozzi Beilke, otorrinolaringologista
O otorrinolaringologista Rodrigo Pozzi Beilke explica que, assim como Igor, diversas pessoas sofrem com a anosmia, que é a perda total do olfato, ou a hiposmia, que é a diminuição ou dificuldade de sentir o cheiro das coisas, temporária ou não. “São ínfimas causas, mas existe uma média de 19% da população mundial que não sente cheiro nenhum direito”, cita o médico.

Atualmente com 16 anos, Igor precisou se adaptar a algumas mudanças em casa. “O maior cuidado sempre foi com a comida, para não deixar nada estragado na geladeira, por exemplo, porque ele não sabe identificar sem comer primeiro. Outra preocupação é uma orientação desde pequeno para quando mexesse no fogão porque daqui a pouco poderia ficar meio aberto e ele não iria sentir que o gás está vazando. Cuido também das roupas, ele mesmo já usa uma vez e coloca para pegar um ar para evitar algum mau cheiro, orientei também a usar o desodorante e o desodorante nos pés agora na adolescência”, detalha a mãe, acrescentando que, com estas adaptações, o filho tem uma rotina feliz e bem tranquila.

Por que não sentir o cheiro?

O médico ressalta que, como Igor, há diversos pacientes que não conseguiram encontrar uma explicação para o motivo de não conseguir sentir os odores. Porém, na maior parte dos casos, as causas para a diminuição ou perda total do olfato estão ligadas ao envelhecimento, traumas e sintomas de outras doenças.

“É mais comum nos idosos, porque na idade avançada temos um envelhecimento das mucosas, dos nervos e dos músculos ligados ao bulbo olfatório, essa parte superior nasal que é o nosso sistema de captação de partículas olfativas que, levadas ao cérebro, produzem a capacidade de sentir o cheiro. É o que chamamos de presbiosmia, o envelhecimento do olfato. A anosmia e a hiposmia podem também estar relacionadas a traumas na via área ou na face e assim ter lesionado algum outro compartimento, como a órbita, a maxila, pode ser até alguma lesão intracraniana, uma hemorragia dentro do cérebro, que pode estar acompanhada desses sintomas de sentir pouco cheiro”, informa.

Sobre as doenças, há uma lista enorme de males que podem originar a diminuição da capacidade de sentir o cheiro pelo ar. “Pode estar relacionada a alguma patologia grave, como um câncer na cabeça que ataca o bulbo olfatório, pode ser uma isquemia importante nesta região do bulbo, que não está recebendo sangue suficiente. Há ainda os tumores no nariz e pólipos na cavidade nasal que bloqueiam a passagem de ar pelo nariz, impedindo que o ar chegue às terminações do bulbo olfatório. Alzheimer e diabete (o açúcar alto no sangue queimam as terminações nervosas) também alteram o olfato, além de aneurismas, cirurgias cerebrais prévias por tumores ou câncer. Existe ainda a Síndrome de Sjögren, comum nas mulheres, em que todas as mucosas como olhos, boca, nariz, ânus e vagina podem ficar ressecadas, além das doenças mais raras como síndromes de má formações”, ressalta Beilke.

Foto por: Alan Machado/Tom Wang
Descrição da foto: Veja na imagem
Medicamentos e exposição excessiva

O otorrinolaringologista reforça a atenção para o uso de medicamentos e exposição a produtos químicos, o que pode alterar a capacidade nasal. “Remédios como antibióticos, anticancerígenos, imunossupressores podem sim atacar o bulbo olfatório queimando as terminações nervosas, são medicamentos chamados neurotóxicos. Sem contar, claro, o uso de drogas, como a cocaína, que destroem esses sensores. A relação direta com compostos químicos também deve ser observada, estas pessoas que trabalham com solventes, inseticidas ou que estão expostas a muita fumaça, o vapor quente liberado também queima nossas terminações nervosas”, diz.

Diagnóstico

O diagnóstico, conforme o médico, é feito através da história do paciente e do exame da cavidade nasal e das vias olfativa, seja físico, endoscópico e de imagem. “Quando for descoberta a causa, o tratamento é orientado no sentido de afastar a causa do problema, tentando restabelecer o olfato do paciente. Nem sempre é fácil conseguir, dependendo do fator causal. Acrescento aplicar tratamentos tópicos na mucosa nasal, com lavagens e uso de remédios anti-inflamatórios e antialérgicos, às vezes com antibióticos. Em alguns casos é feita a biópsia da mucosa nasal para verificar se não há uma lesão terminal, que não tenha mais volta, desses filetes do bulbo olfatório. E existem sim casos irreversíveis e idiopáticos, ou seja, em que não se achou a causa. Uma hipótese diagnóstica em uma paciente, por exemplo, é que seria resultado de uma lesão viral, por exemplo herpes vírus ou o sarampo, que atacou o nervo olfatório dela e a deixou sem olfato”, explica.

Na crise da rinite e da sinusite

“Pessoas com crise de rinite podem ter a hiposmia, que é a diminuição do olfato, porque a rinite é a inflamação da mucosa que recobre todo o nariz, assim ela incha e fica um líquido no meio das células que recobrem estas terminações nervosas. Na sinusite, a gente também não sente o cheiro direito porque a mucosa está tão infeccionada e inflamada, com pus, então a pessoa acaba sentindo o cheiro da secreção forte do nariz. Nestas crises, o ar não chega direito ao teto do nariz onde estão as terminações e por isso não se percebe corretamente os odores. Para resfriados e gripes, em muitos casos, ocorre o mesmo”, complementa o médico.

O gosto dos alimentos também pode ficar alterado durante estas crises. “Há toda uma relação quando você sente um cheiro bom ou ruim, isso evoca no teu cérebro algumas lembranças, se você comer uma feijoada, por exemplo, vai fazer esta combinação. Então durante uma inflamação das vias áreas, da garganta ou até mesmo a língua com alguma inflamação nas papilas, a gente não sente mesmo o gosto direito dos alimentos”, acrescenta.


Correio de Gravataí
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