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Atenção no hospital

Medidas simples, como lavar as mãos, podem evitar infecções generalizadas

A sepse mata cerca de 240 mil pessoas no Brasil todos os anos. É a maior causa de morte de pacientes em UTIs
28/09/2018 14:47 28/09/2018 14:48

Foto por: Adriana Lima/Adriana Lima/GES-Especial
Descrição da foto: Técnica de enfermagem Camila Santos Rodrigues
Mata mais que câncer e infarto do miocárdio, mas pouco se fala nela. A infecção generalizada ou sepse é caracterizada por um conjunto de manifestações no organismo para o combate de uma infecção, ou seja, não significa que a infecção chegou a vários órgãos, mas que há várias inflamações pelo corpo na tentativa de combater os invasores (bactérias ou vírus), o que pode levar à falência do órgãos ou até a mesmo a morte.

Conforme um levantamento do Instituto Latino Americano de Sepse, o Ilas, cerca de 400 mil casos de infecção generalizada são diagnosticados por ano no Brasil, levando 240 mil pessoas à morte. Ainda segundo o Ilas, a doença é a principal causa de mortes em UTIs.

A principal medida de prevenção, conforme explica o médico infectologista da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, Marcelo Bitelo, é lavar as mãos. Isso mesmo, uma medida simples e barata. “O custo de uma higiene de mãos com álcool é em torno de 3 centavos. Já o tratamento total de uma infecção de um paciente de UTI grave, entre todos os cuidados sobre o que ele pode sofrer neste período, pode chegar até 10 ou 15 mil reais”, reforça.

Cinco passos

O cuidado deve ser constante, porém a enfermeira da Fundação sapucaiense, Ana Paula Monteles, detalha os cinco principais momentos em que os profissionais devem cuidar da higienização das mãos. “O primeiro é antes do contato com o paciente. Antes de ir para a assistência, o profissional fez um percurso, tocou na chave do carro, manipulou maçanetas e muito mais. Segundo, é depois de ter contato com o paciente. O terceiro é depois que tive contato com qualquer material em que há exposição a fluidos, qualquer coisa que possa escorrer não só o sangue, mas um fluido corporal.

O quarto se dá depois que tive contato com áreas próximas do paciente, mesmo sem tocar nele. O quinto momento é este antes de realizar um procedimento asséptico, ou seja, fui puncionar um paciente, realizar um curativo, então embora naquele paciente, por exemplo, acabei de trocar uma sonda, eu preciso higienizar as mãos quando for fazer um curativo em outro local”, diz.

Antes da cirurgia e na área da UTI

Foto por: Adriana Lima/GES-Especial
Descrição da foto: Marcelo Bitelo, médico infectologista
Sim, parece muito com as imagens de filmes e seriados de saúde toda aquela preparação antes de um procedimento cirúrgico. Já na UTI, o processo é semelhante ao do ambulatório, mas o cuidado é redobrado. “Antes de uma cirurgia, toda a equipe que irá atender este paciente deve fazer o processo de antissepsia cirúrgica das mãos, é preciso escovação, uso de um produto antisséptico, tem toda uma rotina bem maior para a higiene de mãos.

E na UTI é o mesmo cuidado que temos numa unidade de assistência, como a enfermaria, a diferença é que os pacientes de UTI têm mais dispositivos invasivos, como cateter venoso central, ventilação mecânica, sonda de demora. E todo dispositivo invasivo aumenta o risco de infecção desse paciente”, cita o médico.

Álcool pode substituir água e sabão?

O médico lembra que, no hospital, o sabonete e o álcool em espuma utilizado nas áreas de assistência ao paciente não são iguais aos que usamos em casa ou no escritório, por exemplo. “Eles precisam atender a uma composição específica, conforme determina a Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, cita.

A enfermeira explica os momentos em que um ou outro produto pode ser usado. “Se as mãos estão sujas, não posso usar o álcool, não é eficaz. Até talco de uma luva que fica nas mãos é uma sujeira e barra a ação do álcool, então aí é preciso água e sabão.

Algumas literaturas trazem que até a quinta higienização de mãos com álcool é eficaz, quando não há sujeira. A partir da sexta, é preciso lavar com água e sabão e assim recomeçar. Hoje, usamos mais o álcool pela facilidade de acesso dentro do quarto, mas não existe o que é mais eficaz. E depois de lavar com água e sabão não é preciso passar álcool porque o preparo deste sabonete faz o mesmo que o álcool.”

Limpeza do hospital também é prevenção

Foto por: Adriana Lima/GES-Especial
Descrição da foto: Ana Paula Monteles, enfermeira
Limpar um hospital também não é a mesma coisa que limpar a casa, ressalta a enfermeira. “Temos produtos adequados, o desinfetante e detergente hospitalar. Temos também a frequência de higienização do ambiente, que são de dois tipos: a limpeza concorrente, aquela feita diariamente, e a limpeza terminal, que é quando o paciente tem alta. A limpeza diária ocorre uma vez por dia em áreas administrativas, onde não há circulação de pacientes. Nas áreas críticas e semicríticas a higienização se dá pelo menos duas vezes ao dia.

O funcionário da manhã vem, então, e higieniza o quarto, o banheiro, retira o lixo e, de tarde, repete o processo. Nesse tempo, o paciente pode ter alta aí é preciso, além dessas, uma limpeza terminal que englobará teto, parede, mobiliário e maçanetas, para receber esse outro paciente que virá. Cada detalhe é observado, a escadinha que ele subiu, o suporte do soro, a bomba de infusão que ele usou.

Essa limpeza ambiental é, então, dividida em duas partes, uma delas é a parte geral, com o auxiliar de serviços gerais, e uma outra que o técnico de enfermagem faz porque aquele ventilador, aquela bomba de infusão, monitor, cabos é ele quem já conhece, tem noção das técnicas necessárias para limpeza e o cuidado ao manusear o equipamento. Isso nos favorece muito na prevenção porque é uma forma de criar uma barreira, de evitar que esse germe chegue a outro ambiente”, destaca Ana.


Correio de Gravataí
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