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Ivar A. Hartmann

Cansado de política nas redes sociais?

"Negar-se a discutir política, sob o pretexto de que é cansativo ou gera desavenças, não é uma alternativa"
30/09/2018 07:00

Ivar A. Hartmann Ivar A. Hartmann é professor da FGV
ivar.hartmann@fgv.br

Muitas pessoas se incomodam com o volume de manifestações sobre política em suas redes sociais. Esse sentimento não é novo e apenas foi intensificado pela proximidade com as eleições.

Para alguns o terror é a sobrinha aspirante a comunista que critica toda e qualquer piada machista feita no grupo da família no WhatsApp. Outros não aguentam mais aquele tio servidor público cujo perfil do Facebook serve apenas para compartilhar teorias da conspiração petista para acabar com o Brasil. Outros ainda acabam se surpreendendo com o colega de trabalho que elogia o Amoêdo on-line, mas nunca fala de política no escritório.

Por que isso chateia tanto, mesmo quando nem discordamos da posição política da pessoa? Em parte é porque a sociedade brasileira está em um momento de transição. Antes a política era pouco discutida nos círculos sociais. Se no trabalho não é prudente falar disso e só converso com meus colegas de trabalho na empresa, então nunca tomaria conhecimento de suas inclinações. Tampouco o almoço de família no domingo era momento para falar sobre comunismo e facismo.

O resultado é que discutir política era um privilégio de intelectuais, como se apenas eles estivessem autorizados e manifestar sua opinião. A maioria das pessoas assistia, lia ou ouvia passivamente os meios de comunicação em massa.

Ou seja, estamos lentamente sendo expostos a uma realidade nova, na qual todas as pessoas possuem um meio on-line e social para expressar suas preferências, desconfianças e elogios a opções políticas, posicionamentos, partidos e candidatos.

Quando uma enorme parcela da população que era consumidora passiva de opinião política passa, em poucos anos, à condição de produtora e disseminadora dessa opinião, alguns problemas temporários surgem. São dores do crescimento.

Até que todos saibam diferenciar uma crítica de um ataque ou uma ideia de um insulto, as brigas persistirão. Mas o que hoje são desentendimentos, amanhã serão debates. Discussões superficiais e tomadas por estereótipos simplistas lentamente ganharão profundidade.

Até lá, é importante lembrar que a fase atual de incômodos e brigas por causa de política é muito melhor do que a fase na qual éramos meros consumidores passivos, inertes e apáticos em relação aos rumos de nosso país. Tomar as rédeas e protagonizar mudança dá trabalho e exige diálogo.

Negar-se a discutir política, sob o pretexto de que é cansativo ou gera desavenças, não é uma alternativa. O resultado das eleições afeta todos nós, sem exceção.


Correio de Gravataí
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