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Cris Manfro

Deixa pra lá

"Não confunda com reprimir ou postergar para em outro momento vir à tona em forma de explosão"
30/09/2018 06:00

Cris Manfro NOVO Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Eu sou de um tempo que, quando alguma coisa perturbava, magoava ou incomodava, a gente costumava dizer “deixar pra lá”. Não confunda “deixar pra lá” com reprimir ou postergar para em outro momento vir à tona em forma de explosão. Era deixar pra lá mesmo, no sentido de não dar tanta importância, não supervalorizar, não atribuir valores indevidos, exagerando emoções, criando mil histórias na cabeça a cada evento. Os casais, da mesma forma, agiam assim: alguma coisa pequena incomodava, eles deixavam pra lá. Volto a repetir: é diferente de reprimir e ficar fazendo uma caderneta interna para em outro momento cobrar.

Era ter mais paciência, tolerância, era “ficar de boa”, ou melhor, era fazer o possível para ficar de bem. Era isso: a gente queria ficar de bem com o outro. Fazer o possível para não ter confusão, para evitar desacertos e, quando aconteciam, se pedia desculpas e se aceitava desculpas e, no mais, se deixava pra lá. Com isso, quem ficava de bem com o outro, acabava ficando de bem consigo mesmo também. Mas hoje parece que “tem que ser diferente”. Algo perturbou você e você não vai dizer ou fazer nada? Você, por acaso, é submisso? É pamonha? Que tipo de mulher você é? Não é uma mulher do seu tempo? E você, homem, vai permitir que alguém fale com você em desacordo com o que você espera? Que providências você vai tomar? Nem um pequeno soco vai dar?

É, meus amigos. Somos treinados a reagir a tudo e a todos. Vivemos super-reagentes. Um saco. Não é permitido deixar “nada pra lá”. Em tudo se tem que tomar providências, dar resposta, dar o troco, reagir. A vida em casal fica muito chata desse jeito. A cada palavra ou frase proferida, uma guerra. A cada coisa feita ou não feita, meses de greve, de falta de alegria e prazer. Anos ficando de mal, porque nada dá para deixar pra lá, com a ideia equivocada de que é assim que deve ser: nada pode ser deixado pra lá.

Li que certa vez que emitir a simples frase: “vou deixar pra lá”, já causa alívio. Se provoca alívio, aumenta a esperança. Aumentando a esperança, aumenta o bom humor e, aumentando o seu bom humor, o deixar pra lá fica mais fácil ainda. Resta saber se queremos deixar pra lá, porque deixar pra lá tem ligação direta com perdoar. Queremos, de verdade, passar por cima de certas coisas que magoam e dar espaço para ter bons sentimentos e que coisas boas possam acontecer? Às vezes dizemos uma coisa, mas fazemos bem outra. Dizemos que queremos consertar a relação, que queremos que tudo melhore e dê certo, mas não deixamos nada passar. Ficamos em alerta para pegar tudo que nos incomoda e não deixamos passar nada. Nada fica pra lá. Não encha tanto o seu saco e o dos outros, sendo reagente a tudo. A vida fica muito chata e dentro de você fica uma neblina negra. Vai aliviar esse coração, ser mais feliz, curtir a vida e, no mais, o que incomoda, deixe pra lá.


Correio de Gravataí
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