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Ivar A. Hartmann

Contra facadas, incoerências

"Não importa o quanto as pessoas recusem sua candidatura, Bolsonaro não merece violência"
09/09/2018 07:00

Ivar A. Hartmann é professor da FGV
ivar.hartmann@fgv.br

O atentado contra Bolsonaro na última quinta-feira é triste e marcante por si só. Há uma oportunidade de lições e serem tiradas do insólito episódio. A capacidade de eleitores e eleitoras de aprender com essas lições é o que mede a evolução e saúde de nossa democracia.

Uma primeira lição possível é: violência não é a solução. A pesquisa mais recente, do Ibope, revela que 44% do eleitorado não votaria em Bolsonaro de jeito nenhum. Não importa o quanto as pessoas recusem sua candidatura, Bolsonaro não merece violência. Não há qualquer justificativa racional para esfaqueá-lo. É preciso que fique muito claro que está absolutamente errado quem afirma que ele fez por merecer.

O mesmo vale para a pessoa que cometeu o atentado. Uma das conquistas mais preciosas da civilização é o reconhecimento de que o responsável por um crime não deve ser linchado em praça pública e não deve ser torturado. Estão absolutamente erradas as pessoas que reagiram ao atentado pedindo a morte do responsável ou declarando que agora o País está em guerra e vale tudo. Não vale.

Uma segunda lição possível é a coerência. Está faltando coerência a muita gente em todos os partidos e posições ideológicas. Os maiores hipócritas, nesse caso, estão na parcela de apoiadores de Lula ou eleitores do PSol que manifestaram alegria com o atentado contra Bolsonaro. Afinal, um elemento importante da bandeira desses grupos sempre foi defender a tolerância e o combate à violência.

São também incoerentes os defensores de Bolsonaro que reagiram de maneira totalmente diferente a dois atos de violência. O esfaqueamento de seu candidato preferido despertou-lhes indignação e repúdio. O fuzilamento do ônibus de Lula foi causa para ironias e satisfação. Uma terceira lição possível é a importância do papel dos líderes no combate à violência.

Dentro do vasto grupo de apoiadores de Lula ou de Bolsonaro há pessoas mais e menos coerentes, há discurso contra violência e há também hipocrisia. São conjuntos de milhões de pessoas e é impossível esperar que sejam heterogêneos e com manifestações unívocas. Aí é que entram os líderes. Entre outras coisas, cabe a eles manifestar publicamente a oposição inequívoca à violência. Cabe a eles manter coerência. Foi o que todos os candidatos à presidência fizeram logo após o atentado.

Lamentavelmente, no quesito apologia à violência, Bolsonaro personifica o que de pior um líder pode fazer. Menos de uma semana antes de ser esfaqueado, ele utilizou um tripé de câmera para imitar uma metralhadora e gritou, sob intenso aplauso em um comício: “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”.


Correio de Gravataí
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