Olá leitor, tudo bem?

Use os í­cones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, ví­deos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, 6423 (parada 63) - Monte Belo - Gravataí - CEP: 94050-000
Fones: (51) 3489-4000

Central do Assinante: (51) 3600.3636
Central de Vendas: (51) 3591.2020
Whatsapp: (51) 99101.0318
PUBLICIDADE
Gilson Luis da Cunha

Duas damas na eternidade

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 20052018)
20/05/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha

A semana que passou marcou a despedida de duas atrizes, duas damas que marcaram época, uma no cinema, outra na TV: Margot Kidder e Eloísa Mafalda.

Margot Kidder (17/10/1948-13/05/2018) será para sempre lembrada como Lois Lane, a aguerrida e, frequentemente, sem noção, repórter do Planeta Diário e eterna namorada do Super-Homem, na cinessérie que começou em 1978 com Superman - O Filme. A atriz canadense começou a atuar no cinema em 1969. Após alguns anos fazendo telefilmes e pequenas produções, ela ganharia atenção do público e da crítica ao interpretar duas irmãs siamesas no clássico de Brian De Palma Irmãs Diabólicas (1973).

Mas a fama viria mesmo como o papel de Lois Lane em Superman - O Filme, no qual fez um dos maiores pares românticos da história do cinema, com Christopher Reeve, no papel título. Sua Lois era uma mulher à frente de seu tempo, competitiva, workaholic, por vezes arrogante, mas sempre motivada, e capaz de encarar qualquer obstáculo em busca de um furo de reportagem. Nos extras do DVD de Superman - O Filme, é possível comparar o teste de Kidder com o de outras atrizes. A diferença é brutal. Margot Kidder é simplesmente uma força da natureza, carismática e explosiva, sem precisar de uma beleza extraordinária. As outras, bem, as outras, com todo o respeito, sabiam ler as falas..., mas nem só da energética e competitiva profissional Margot compõe sua Lois.

A lendária sequência do voo noturno sobre Metrópolis, na qual ela e o Super-Homem flertam sem palavras, ao som da música de John Williams, entrou para a história do cinema. Com um monólogo em off, Margot Kidder demonstra que aquela personagem que surge no início do filme, irritadiça e estabanada, é um ser humano, capaz de amar. Ela voltaria em Superman II, no qual seu romance com o Homem de Aço se torna mais intenso. Infelizmente, os produtores não souberam como lidar com isso, fazendo com que o Super-Homem tivesse outro interesse romântico no filme seguinte, no qual a participação de Kidder é bem menor.

Ela faria vários pequenos filmes, mas poucos atingiriam o sucesso. Um deles foi o primeiro filme da série Amityville (1979). Em 1996, após um período sem trabalhar, devido a um acidente de carro, ela apresentou sintomas de desordem bipolar e esquizofrenia, tendo sofrido um colapso e ido morar nas ruas de Los Angeles. Após ser recolhida pela polícia, passou por meses de internação, dos quais saiu militando em favor dos direitos dos doentes mentais.

A virada do século seria uma virada em sua vida e carreira. Em 2004, ela participaria da série de TV Smallville, interpretando Bridget Crosby, assistente de Virgill Swann, um cientista interpretado por Christopher Reeve, seu par romântico em Superman - O Filme. Em 2015 ela ganhou um prêmio Emmy por sua performance na série The Haunting Hour.

Eloísa Mafalda, nascida Mafalda Theotto (18/09/1924-16/05/2018) nasceu em Jundiaí, interior de São Paulo, numa família humilde, neta de italianos. Com apenas 12 anos, ela se revelou uma excelente nadadora e só não representou o Brasil nos jogos olímpicos de 1936 porque seu pai não permitiu sua ida à Alemanha. Começou sua vida profissional como costureira, até conseguir um emprego como auxiliar descritório nas Emissoras Associadas, onde conheceu Alice Waldvogell, que lhe ensinaria a arte de interpretar. Seu irmão era radialista e conseguiu convencê-la a fazer um teste de rádio-teatro. Eloísa foi aprovada e escolheu seu próprio nome artístico.

Ela fez uma carreira atuando nas radionovelas da Rádio Nacional, indo em seguida para a TV Paulista, que seria comprada pela TV Globo. Já na televisão, ela faria diversos papéis, principalmente em novelas como Gabriela, na primeira versão, onde viveu Maria Machadão. Eloísa se caracterizava por performances energéticas, fossem elas simpáticas, como a Dona Nenê, na primeira versão de A Grande Família, ou vivendo personagens ranzinzas, como a Dona Pombinha Abelha, de Roque Santeiro.

Em diferentes ocasiões, disse que o sucesso foi causal, já que nunca tivera a ambição de ser atriz. Apesar do sucesso em vários papéis, Eloísa Mafalda viverá para sempre na memória de quem a viu como a primeira Dona Nenê, ao lado de Jorge Dória, o primeiro Lineu de A Grande Família. Ela interpretava a matriarca da família Silva com tanta naturalidade que era a coisa mais fácil do mundo acreditar na mãe daquela família "muito unida, mas também muito ouriçada", que tinha que lidar com as maluquices dos filhos, o mau humor do marido, e a sem-vergonhice do genro, tudo para manter aquele lar feliz. Otimista incurável, sobre sua infância pobre, Eloísa costumava dizer: "eu era infeliz e não sabia".

Em apenas uma semana, a cultura pop brasileira e mundial perdeu essas duas damas da dramaturgia, mulheres lutadoras que, em diferentes momentos da vida, enfrentaram dificuldades e as venceram, de quebra, brindando o público com suas performances. E por isso, eu as saúdo. Adeus, Margot. Adeus, Eloísa. E obrigado por terem feito parte de nossas vidas. Vocês jamais serão esquecidas. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Correio de Gravataí
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE