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Flávio Fischer

Sobre o meu caminhão

"Por pior que seja o momento e por mais distante que as soluções possam parecer, um dia tudo virará lembrança"
20/05/2018 06:30

Flávio Fischer é tabelião e presidente da Fundação Semear
flavio@fischer.not.br

Sou tabelião há mais de trinta anos e nesta profissão encontrei a realização em todos os sentidos, pois pude colocar toda a criatividade e minhas ideologias naquilo que acho mais nobre no ser humano, que é usar o seu dom para servir ao próximo. Mas é comum que as pessoas façam piadinhas de que para mim as coisas são fáceis. “Fischer, você não tem preocupação”. “Qual será a dificuldade de ser tabelião?”; “É tudo tão caro só para colocar um carimbinho...”, entre outras coisas. Aproveito para esclarecer que todos os dias enfrento o desafio de desenvolver meus funcionários para trazer segurança aos negócios firmados na cidade de Novo Hamburgo e batalhar pela quebra do paradigma de que tabeliães são uma etapa desnecessária e burocrática entre tantos desserviços do nosso País – por que não são.

E sim, eu já passei por muitos “perrengues” daqueles que a gente pensa que não vai ter saída e hoje, bem perto dos 70 anos, dou fé de que tudo passa! Um dia, lá por 1977, bem antes de me tornar tabelião, fui fiador de um cidadão, amigo do amigo do meu ex-sogro. Eis que o homem não pagou o caminhão e fui cobrado por quase cem prestações que valiam 50% do valor do meu salário. Bati de porta em porta (pois não existiam redes sociais ou celular) até que achei o caminhão e seu dono folgado. Usei todas as minhas habilidades naquela discussão e, por fim, consegui recolher meu caminhão, que serviria para vender e tentar mitigar meus problemas financeiros. Hoje não sei dizer como, mas aceitei que o dono do caminhão voltasse dirigindo o caminhão até Campo Bom ao lado.

Foram horas de viagem à noite, na boleia daquele caminhão, com meu suposto inimigo dirigindo enraivecido pelo fato de eu ter requerido o seu patrimônio. O silêncio daquela boleia era ensurdecedor. Eu dormia e acordava e estávamos rodando, até que numa curva acordei com o caminhão girando e um grande estouro. Sofremos um acidente. O motorista teve lesões leves, mas eu fiquei preso nas ferragens e ninguém sabe dizer como sobrevivi. Foi-se o caminhão que não tinha seguro, ficaram cicatrizes no rosto e nos braços, juntamente com um carnê para pagar, numa fase da minha vida em que eu estava batalhando pelo meu espaço e os recursos eram escassos.

Foram anos digerindo aquele sapo e me privando de outros gastos, até que um dia quitei a última prestação. E o que eu aprendi com isso? Que tudo passa. Por pior que seja o momento que você possa estar vivendo e por mais distante que as soluções possam parecer, um dia tudo virará lembrança. Tudo o que vivemos é história para contarmos a alguém cheios de sabedoria. Portanto, se você está com um grande problema, por pior que seja, lembre-se que ele tem dia e hora para acabar e que para tudo há uma solução. Essa é a história da sua vida: seja forte, comprometido e otimista!


Correio de Gravataí
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