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Gilson Luis da Cunha

O universo é injusto

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 29042018)
29/04/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha

Um amigo e leitor me perguntou se nesse fim de semana teríamos uma crônica sobre Vingadores: Guerra Infinita, que estreou nessa última quinta-feira. O problema é que, enquanto escrevo essas linhas, mal acabei de sair de uma exibição do filme. E estou meio zonzo, no bom sentido. Até gostaria de escrever no calor do momento. Mas prefiro fazer isso depois, com calma e atenção aos detalhes. Além disso, se essa fosse a crônica desse fim de semana, eu estaria sendo extremamente injusto com dois ícones da cultura pop que nos deixaram no final de semana passado: Waldyr Sant’anna e Verne Troyer.

Sant’anna (26/11/1936 - 21/04/2018) foi um dos gigantes da dublagem brasileira, dono de uma das vozes mais versáteis e expressivas do ramo e também ator em diversas novelas da Globo, entre as quais, Roque Santeiro e O Salvador da Pátria. Começou sua carreira em 1956, na rádio Excelsior de São Paulo, como locutor e disc-Jóquei. Ele se iniciou na dublagem em 1958, se afastando por um breve período para trabalhos em rádio e televisão. Retomou a carreira de dublador nos anos 60, no Rio de Janeiro, trabalhando nas empresas TV Cinesom e CineCastro.

Na Cinesom ele se consagrou dublando o Patolino, papel cuja necessidade de atuação cômica e agilidade nos diálogos revelaria sua genial veia cômica, que ele viria a exercitar em desenhos animados como Missão Quase Impossível (Houndcats), no qual dublava Garrinha, o gênio dos disfarces de um amalucado grupo de agentes secretos onde o personagem de Sant’anna era o único felino numa equipe de cães.

Essa veia cômica o levaria a papéis tão diferentes quanto o engenheiro Scott, na segunda dublagem de Jornada nas Estrelas, a série clássica e a primeira (e melhor) voz de Homer Simpson, além dos diversos papéis de Eddie Murphy em filmes dos anos 80 e 90, como, por exemplo, um príncipe em Nova York. Claro, ele podia ser bem sério quando queria e deixava isso bem claro em papéis dramáticos como o do Brigadeiro-General Hummel (Ed Harris), em A Rocha, ou o Diretor Assistente Skinner (Mitch Pileggi) na série de TV Arquivo X.

Sant’anna era conhecido por seus colegas pelo bom humor, traço que compartilhou com uma infinidade de personagens, em desenhos, séries e filmes. Eu sou meio chato para troca de dubladores. Mas, depois de ver o trabalho dele como Scott, na segunda dublagem de Jornada nas Estrelas, mordi a língua. Mesmo não lembrando o rouco sotaque escocês que James Doohan criou para o turrão, porém simpático engenheiro-chefe da Enterprise, sua dublagem demonstrava uma imensa fidelidade ao espírito do personagem.

Verne Troyer (01/01/1969 - 21/04/2018) foi o tipo de astro que surgiu por conta de um feliz acaso. Filho de uma família Amish que deixou a comunidade, ele começou sua carreira com dublê em 1994, no filme Ninguém Segura Esse Bebê, por causa de seu tamanho (Ele tinha 81 cm de altura). Pouco tempo depois, ele faria trabalhos como dublê em diversos filmes, tais como Homens de Preto (1997) e My Giant (1998). Quando o diretor Jay Roach e o astro Mike Myers o avaliaram para o papel de Mini-Mim, o clone malsucedido (isso é questionável) do Doutor Evil na cine série Austin Powers, ficaram tão impressionados com o carisma e o talento cômico de Troyer que a morte do personagem foi apagada do script original, rendendo uma participação maior de Mini-Mim no filme seguinte do atrapalhado agente secreto.

Ele voltaria a trabalhar com Mike Myers em O Guru do Amor, no qual faz o papel de um irascível técnico de uma equipe de hóquei canadense. Sua vida e sua carreira foram interrompidas por complicações ligadas ao alcoolismo. Mas ele será lembrado para sempre por sua forte presença cênica, provando que o talento pode ter o tamanho que quiser.

O 21 de abril foi um dia duplamente triste para a cultura pop. Perdemos Waldyr Sant’anna, nosso eterno Homer Simpson, e Verne Troyer, o clone mais engraçado que qualquer cientista louco e gênio do mal poderia desejar. O universo é mesmo injusto. Entropia, você pensa que ganhou, mas ambos viverão em nossas lembranças e em nossos corações. E, como diria o Dr. McCoy: "Eles não estarão mortos enquanto lembrarmos deles". Vida Longa e Próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Correio de Gravataí
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