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Psicologia

Casais precisam ter mais objetivos comuns para fortalecer relação

'Um casamento preserva o jogo do amor, mas precisa ser transparente nos investimentos', diz a psicóloga Magda Medianeira de Mello
07/03/2018 11:04 07/03/2018 11:06

Arquivo pessoal
Psicóloga e presidente da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Magda Medianeira de Mello
Quando a mulher ganha mais do que seu marido é preciso diálogo, falar dos sentimentos da estima de estar nesta ou naquela situação. Essa é uma das dicas da presidente da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Magda Medianeira de Mello, que reforça que casais devem ter objetivos em comuns para fortalecer a relação. “Os casamentos terminam quando cada um constrói objetivos próprios sem considerar o outro. O distanciamento individual afasta os cônjuges”, declara nesta entrevista.

Como o homem lida quando ganha menos que a mulher?
Magda - Os homens lidam conforme sua visão de mundo e visão de relacionamento. Se o homem for muito tradicional vai pensar que precisa ganhar mais do que ela e passa a se impor cobranças a si mesmo, em forma de tortura interna. Alguns, desqualificam a pessoa da mulher para tentar equiparar-se, tirar seu suposto poder. Este último é do tipo que adoece o relacionamento, por não admitir o sucesso da companheira.

Homens narcisistas pensam que são o centro de toda a família. Então, não veem o casamento como uma troca saudável e sim como uma relação de poder. Por outro lado, se o homem pensa de forma mais aberta, se o foco não for o poder sobre a mulher, ele irá vibrar com o sucesso dela. Isto irá construir uma relação saudável.

De que forma os casais devem agir nas casas onde isso ocorre?
Magda -
Casais devem ter objetivos em comum, a exemplo, planejamentos futuros. Isto fortalece a relação. Quando casam, pensam em unir forças, construir a vida, ter ou não filhos, etc. Os casamentos terminam quando cada um constrói objetivos próprios sem considerar o outro.

O distanciamento individual afasta os cônjuges. Assim, os casais devem agir como no começo: retomar a frequência sexual; planejar construções e viagens, ter momentos a sós, incrementar uma vida social saudável, ter saúde financeira. Em suma, investir no relacionamento. Se o foco for o relacionamento, um irá se orgulhar do sucesso profissional do outro, em virtude da viabilização dos investimentos na relação e na família.

Quais são as consequências para os filhos de casais onde a mãe ganha mais?
Magda - As consequências variam em relação à forma como o casal lida com a situação de a mulher ganhar mais. Se for tranquilo, mas o homem seguir com seu foco em buscar satisfação financeira/pessoal e tiver valor frente aos filhos, a vida seguirá sem conflitos. A questão é manter o valor pessoal do homem perante os filhos. Mesmo ganhando menos, é pai e tem uma história na família.

A regulagem da autoestima é importante neste caso. Manter-se com uma estima boa perante os filhos e se fazer respeitar pela presença e afeto dispendidos aos mesmos. Fortalecer laços familiares, reconhecer a mulher nas suas conquistas. Problemas acontecem também, quando a mulher desqualifica o homem frente aos filhos e vice-versa. Isto se torna o estopim de destruição da pessoa e, consequentemente, da relação.

A soma de contrariedades deteriora o que foi construído. Essa corrosão necessita ser evitada e tratada. Então, a consequência para os filhos de a mulher ganhar mais vai depender da forma como o casal lida com tudo o que foi exposto: pode ser motivo de orgulho para eles ter uma mãe de sucesso, mas poder ser motivo de presenciar guerras de poder entre os pais.

Esse assunto é latente nos consultórios?
Magda - Nos consultórios, percebo que as mulheres estão se saindo bem, desde que não se sintam exploradas. Elas estão muito críticas ao analisar a situação de o homem ganhar menos. Sempre fica o ideal da educação, da família de origem que estimulou, principalmente mulheres mais maduras, a se casar com homens que sustentassem a família. O que mais afeta as mulheres da nova geração é a liquidez das relações e não a situação financeira. A instabilidade e a infidelidade são fatores de peso maior nas relações atuais, já que os casais jovens compartilham tudo, afazeres domésticos, finanças, planejamentos de férias e de aquisições.

É latente a questão do ideal, será mesmo que o homem precisa ganhar mais?
Magda - Penso que isto esteja mudando. Vejo mulheres ajudando seus maridos e namorados a se colocar no mercado de forma mais valorizada. Se existe parceria, amor e encantamento um pelo outro, esse fator, do homem ganhar menos, passa a ser figura de fundo e não a prioridade.

Aponte dicas para evitar que o salário seja motivo de tensão a dois.
Magda - Para facilitar a relação, é preciso diálogo, falar dos sentimentos, da estima de estar nesta ou naquela situação. É preciso manter o foco do relacionamento: frequência sexual; afeto, desejo, planos futuros e uma mesma linguagem em relação aos filhos. O casal deve investir em passeios, viagens ou jantares a sós e recuperar o clima da paixão e do fogo. Reascender a chama é o trabalho mais árduo de uma relação: se fazer desejar com o passar do tempo. As relações são lutas e conquistas diárias, a vida toda.

O dinheiro é considerado uma ferramenta de poder?
Magda - O dinheiro poderá ser utilizado como ferramenta de poder na relação. Mas, se for, afetará a parte afetiva do casal. Por que quem ganha mais poderá tomar decisões sem consultar ou comunicar o outro, e isto de certa forma, decepciona e deprime o companheiro.

Num casamento é importante o compartilhamento das decisões. Se a relação se transformar num esconde-esconde dinheiro ou em decisões unilaterais, estaremos diante da corrosão da relação. Um casamento preserva o jogo do amor, mas precisa ser transparente nos investimentos para que o outro, mesmo ganhando menos ou desempregado, possa se sentir participante dos valores do casal. Isto, na hipótese de terem uma relação saudável.


Correio de Gravataí
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