Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, 6423 (parada 63) - Monte Belo - Gravataí - CEP: 94050-000
Fones: (51) 3489-4000

Central do Assinante: (51) 3600.3636
Central de Vendas: (51) 3591.2020
Whatsapp: (51) 99101.0318
PUBLICIDADE
Causa animal

Zanatta, o curandeiro dos animais

Um dos pioneiros na cidade na medicina animal, aos 77 anos, ele já se aposentou do ofício por sofrer do mal parkinson
13/03/2018 15:16 13/03/2018 15:16

Zanatta aproveita a aposentadoriaSão poucas as pessoas em Gravataí que possuem animais e que não ouviram falar do veterinário Belarmino Zanatta, popularmente conhecido como Zanatta. Um dos pioneiros na cidade na medicina animal, aos 77 anos, ele já se aposentou do ofício, há mais de quatro anos, por sofrer do mal parkinson e não conseguir mais controlar a tremedeira nas mãos. No entanto, deixou para sua filha Milene, o legado de seu dom. A moça faz faculdade de veterinária, e vê no pai uma grande enciclopédia de conhecimento e prática.

Mesmo não sendo diplomado com a graduação acadêmica em veterinária, seus conhecimentos são admirados por inúmeros profissionais e questionados por alguns. Não ter o diploma na área já lhe causou multas e alguns incômodos. Mas para muitos é inegável o seu talento e seu dom de curar animais das mais variadas espécies, visto pela satisfação de clientes e os inúmeros atendimentos bem sucedidos, os quais o fazem ser um ícone da profissão, em Gravataí.

A grandeza desse homem se faz na simplicidade de trabalhar com amor aos animais, mas o que poucos sabem é que, em sua trajetória em Gravataí, ele e sua esposa adotaram e criaram seis filhos, além de seus três consanguíneo. Há 35 anos, vivendo a trabalhando no bairro Santa Cecília, na parada 107, acolheu nossa reportagem e não poupou elogios e orgulho da família. “Todos os filhos são amigos entre si e fazem tudo junto. Acabei de vir da praia, da casa de um filho, semana que vem vou de novo, para a casa da filha, mas eles são vizinhos em Mariluz, ou seja, estaremos todos juntos por lá”.

Manhã no quadro, a tarde no campo

Zanatta veio de longe para cumprir seu destino na Aldeia. Nascido em Frederico Westphalen em 1940, ainda jovem fez os cursos técnicos de suinocultura, avicultura, zootecnia, doenças e cirurgias em animais. Ele lembra que nesses cursos desenvolveu suas habilidades e o trato de identificar a saúde animal. “Estudávamos pela manha, na sala de aula. A tarde íamos para as práticas, para o campo. Muitas vezes, abríamos os animais mortos para vermos sua anatomia, os músculos, as veias e órgãos. Com isso eu tive noção por inteiro dos danos das doenças e das lesões”.

Aos 18 anos, serviu no quartel de São Borja, sendo o soldado que mais se destacou na cavalaria e onde fez curso especialmente sobre as doenças dos equinos. “No exército eu aprendi a encontrar as veias dos cavalos só passando a mão sobre o lombo deles. Isso me ajuda muito na hora de aplicar medicações ou de coletar o sangue, não é todo veterinário que consegue”.

Sua carreira seguiu na região trabalhando principalmente com avicultura e suinocultura, aos 22 anos, já era avalista para o Banco do Brasil para a liberação de empréstimos aos pecuaristas que iriam investir na criação animal. “Eu era responsável de escolher as matrizes e de dizer o que era necessário em uma estrutura de produção para os criadores, para só depois liberarem o dinheiro. O banco pagava apenas os animais que eu escolhia. Só em olhar o animal eu sei se ele é saudável, se tem potencial ou se pode ter problemas”.

Para Gravataí

Com seu talento no interior, uma grande pecuária de Porto Alegre o convidou para ser o gerente de veterinária do estabelecimento, mas por pouco tempo. Em 1968, ele veio para Gravataí e abriu um grande aviário na parada 68, no qual criava em média 40 mil frangos que eram entregues a um grande abatedor do Estado. Ele seguiu nesse meio até abrir sua primeira pecuária em Gravataí, em 1975, nas proximidades da parada 92.

Ele lembra que nos primeiros dias na pecuária, um criador de gado lhe procurou, estava desesperado pois estava perdendo suas vacas, após parirem. “Era um homem de origem italiana, tinha muito sotaque e falava em dialeto. As suas vacas estavam com uma doença que faz o leite se misturar com o sangue, isso mata elas em pouco tempo e os terneiros ficam sem ter o que mamar. Então fui lá, sabendo o que era e como tratar. Ao chegar, a vaca estava quase morta e o filhote berrando de fome. Apliquei os remédios e em menos de uma hora ela estava bem e o bezerro tinha o que mamar. A esposa do proprietário dizia: - Esse homem é um santo na terra, ele ressuscitou a vaca morta -. A partir daí minha fama se espalhou”.

O salvador dos tambos

No final dos anos 70 e nas décadas de 80 e 90, a produção de leite era muito forte em Gravataí. Zanatta conta que o atendimento nos tambos de leite era o carro chefe dos seus serviços, atuando em Gravataí, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha. “Teve um dia que quando eu fui abrir a pecuária e estavam cinco produtores de leite me esperando. Cada um com uma urgência, uma vaca doente, outra com dificuldade de parir e assim por diante. Tive que reuni-los e dizer que eles tinham que me ajudar. Ai fomos todos nas cinco propriedades e resolvemos todos os atendimentos até o meio dia. Foi o jeito”.


A vaca no rio

O ofício de veterinário não é fácil, requer fazer coisas que não se deseja, mas na maioria das vezes é gratificante. Dentre as inúmeras histórias de atendimento, Zanatta suspirou ao lembrar que quando foi chamado às pressas para tentar salvar uma vaca prenha que havia caído em um rio, em Taquara. “A vaca estava em processo de parto e caiu em um arroio e acabou quebrando as pernas, estava condenada. Eu cheguei lá e ela estava apenas com o focinho para fora da água, tentando respirar. A única escolha era tentar salvar o filhote. Então tive que mergulhar e abri a barriga dela. Saiu uma linda terneira zebu, que se criou com saúde.

O relaxamento das pessoas

Em toda sua vida lidando com animais, Zanatta diz que já atendeu de macacos, capivaras, papagaios e todos os tipos de animais domésticos. Com o tempo e conhecendo os mais variados tipos de casos, ele afirma conseguir dar os diagnósticos muito rapidamente. Mesmo sem ter faculdade, ele diz que sempre busca informações e até decora as bulas dos remédios para ter certeza de cada composição. No entanto, ele garante que o que mais faz um animal sofrer são os maus tratos dos donos. “São muitos que amarram os bichos no sol, sem comida e até sem água. Deixam confinados e não limpam os locais. Tem muitos irresponsáveis. Ai vinham aqui me contando história. Na hora eu percebia a desidratação e desnutrição. Principalmente cães e gatos, tapados de carrapatos e até bicheiras, que sofrem por relaxamento dos seus donos”.


Homenagem dos filhosORGULHOSO: Com nove filhos (seis adotados) e mais 12 netos, sua família fez uma homenagem ao pai. Aposentado, Zanatta aproveita a companhia dos filhos e dos netos. “Todos estão casados e trabalhando, o que mais eu poderia querer?”.


Correio de Gravataí
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE