Compartilhar...

VOLTAR
FECHAR

Av. Dorival Cândido Luz de Oliveira, 4430 - Monte Belo - Gravataí/RS - CEP: 94050-000
Fones: (51) 3489-4000

Sétima das artes
A Bruxa

Crítica: A Bruxa

Horror independente americano produzido por brasileiro é pura angústia
A BruxaA Bruxa não é um filme de terror comercial ou convencional. Apesar de estar sendo lançado em grande circuito, não espere dele os elementos típicos de Invocação do Mal, por exemplo. Não se baseia na antecipação que leva ao susto, e tem poucas imagens gráficas. Tudo nele é clima e drama.
Em suma: A Bruxa é um excelente filme. 
Não falo apenas "excelente filme de horror", mas é ótimo cinema como um todo. Se o caro leitor espera algo que dê sustos divertidos, A Bruxa não é o teu filme. Mas se estiver esperando cinema com consistência, é uma ótima (e angustiante) opção.
A história se passa no período de colonização dos EUA. Uma família (os pais e cinco filhos) vivem isolados numa fazenda às beiras de uma assustadora floresta. Ainda no início da trama, o bebê é levado por uma bruxa -- e a família entra numa medonha espiral de culpa, delírio e medo. 
Não é só uma questão de clima que rege o filme. Os planos que mostram a floresta como algo misterioso e assustador não são mais importantes do que o drama dos seus personagens. E é na dramaturgia que A Bruxa se sustenta. Seu elenco pouco ou nada conhecido tem desempenhos incríveis, inclusive as crianças (o menino Harvey Scrimshaw, como Caleb, tem uma cena particularmente hipnotizante). 
As relações entre os personagens se desenvolvem como sustentáculo graças ao fato de serem concebidas para serem particularmente complexos -- do pai que ama os filhos ao mesmo tempo em que mente, aos gêmeos cujas ações causam desconforto o tempo inteiro. No que eles guardam de pior dentro de si é onde germinam as tensões, à medida em que a bruxa os vai atormentando. 
Por falar nisso, uma das melhores sacadas do diretor e roteirista estreante Robert Eggers foi a de retirar os diálogos do roteiro diretamente de processos contra pessoas acusadas de bruxaria nas colônias inglesas da América do século XVII. Assim, não só o linguajar dos personagens é arcaico (o que acentua a estranheza do filme), como o que eles falam refletem o sentimento de medo e paranoia religiosa dos colonos europeus. 
A mentalidade de quem vinha às Américas -- seja nas áreas de colonização inglesa, espanhola ou portuguesa -- ainda era profundamente medieval. A religião causava mais medo do que alívio; a ideia de pecado era avassaladoramente pesada. O roteiro consegue trazer esse conceito de forma muito vívida. As próprias representações da bruxa -- ora como uma velha nua, ora como uma jovem sedutora -- refletem imaginário do período com fidelidade. 
A Bruxa tem o brasileiro Rodrigo Teixeira (de Tim Maia e Alemão, entre outros) como um dos produtores -- então espante-se, é também uma produção nacional. Foi feito de forma independente, custando entre US$ 1 milhão e US$ 3,5 milhões. O baixo orçamento não impede, contudo, que a obra tenha excelente fotografia e som. Tecnicamente, é muito bem acabada. 
No final da sua incursão ao espírito de uma época sombria, a película surpreende por apresentar um desfecho quase anti-climático em termos de ação, ainda que imensamente provocador. Stephen King, rei da literatura de horror, disse que o filme é uma experiência assustadora. Ele é. Mas não espere algo fácil, ou sanguinolento. Espere angústia em estado mais puro. 

Sétima das artes

por Ulisses Costa
setimadasartes@ziptop.com.br

Ulisses Costa é formado em Publicidade, estuda História e é metido a cineasta. Diretor por vocação, produtor por necessidade e roteirista por obrigação, finalizou o seu primeiro curta-metragem, "O Gritador", este ano. Dá oficinas de cinema para alunos do Ensino Médio e faz parte da Grande Angular Produções, um desses agrupamentos de gente sem noção que ama a Sétima das Artes e não consegue pensar em outra coisa. Gosta de se apresentar com uma lista de filmes preferidos. Aí vão alguns: o filme de todos os tempos é Ben-Hur ( de Willian Wyler, EUA, 1959); o de aventura é King Kong (de Merian C. Cooper e Ernest Shoedsack, EUA, 1933); o de ação é Fervura Máxima (de John Woo, Hong Kong, 1992); o de drama é Ran (de Akira Kurosawa, Japão, 1985); o de terror é Nosferatu (de F. W. Murnau, Alemanha, 1921) e o de comédia é Monty Python em busca do Cálice Sagrado (de Terry Gillian e Terry Jones, Inglaterra, 1975). Quando quer levantar o astral, Ulisses vê O Fabuloso Destino de Amélie Poulin (de Jean Pierre Jeunet, França, 2001). Já quando quer baixar o astral escolhe A Missão (de Roland Joffé, Inglaterra, 1986). Quando quer se sentir inteligente vai de Adaptação (de Spike Jonze, EUA, 2002) e quando quer desistir, por saber que jamais chegará a tanto, se "tortura" com Laranja Mecânica (de Stanley Kubrick, Inglaterra, 1971). Para se reanimar e querer fazer cinema de novo, no entanto, tem um remédio infalível: Os Intocáveis (de Brian de Palma, Estados Unidos, 1987). Neste blog, com a visão de Ulisses, o caro leitor poderá acompanhar o que acontece no mercado de cinema mundial - de Hollywood a Bollywood - sem (muitos) preconceitos, além de tudo mais que pode ser captado com uma câmera. Então vai, claquete!

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS