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Correio de Gravataí
Publicado em 16/07/2015 - 11h14
Última atualização em 16/07/2015 - 11h29

Acimar reagiu e acabou morto

Polícia acredita que ex-prefeito tenha reagido a assalto

Leandro Domingos e Luciane Ferreira - redacaogravatai@gruposinos,com.br

Foto: Divulgação
O relógio marcava 12h30. Um homem vestido de carteiro bateu palmas na frente da casa do ex-prefeito e atual secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Acimar Silva, na Rua Pampa, bairro Sítio Gaúcho. A mulher dele, Marli Silva, atendeu. O homem disse que tinha uma entrega. Assim que o portão foi aberto, ele invadiu o pátio e entrou na casa. Houve luta corporal entre Acimar e o criminoso. Outros dois homens invadiram a casa. Houve tiros e Acimar foi alvejado por pelo menos um disparo. É esse o relato oficial passado ontem à tarde pelo delegado Anderson Spier, responsável pela Delegacia de Homicídios de Gravataí.

Encaminhado por vizinhos para o Hospital Dom João Becker, não conseguiu chegar com vida na emergência. Ainda na versão oficial passada pela polícia, a principal linha de investigação trata de uma suposta tentativa de assalto em que Acimar reagiu e foi morto, o que torna uma das figuras políticas mais conhecidas do município um número nas tristes estatísticas da violência urbana na cidade.
 
Foto: Leandro Domingos/GES-Especial
Vizinhos socorreram
 
Um vizinho que pediu para não ser identificado ouviu o estampido de um tiro quando almoçava. “Logo imaginei que tinha sido na casa do Acimar, já haviam assaltado lá uma vez.” A sua esposa ainda demorou a acionar a abertura do portão, mas foi o tempo suficiente para ele avistar um dos suspeitos vestido de carteiro sair correndo da casa do ex-prefeito para um lado e outros dois indivíduos no outro sentido.

A preocupação foi em socorrer o secretário, que estava caído no chão e sangrava muito. Outros vizinhos também ajudaram a socorrer. Para não perder muito tempo na espera da ambulância, decidiu levá-lo para o hospital no próprio carro. Para isto contou com a ajuda de outros dois moradores. Um deles, Gabriel Puhlmann, estava indo buscar o cavalo que pastava em um terreno baldio bem perto de casa quando ouviu os disparos ontem. “Deu uma gritaria e vi gente correndo de dentro da casa do Acimar”, conta. “Corri e quando entrei na casa ele já estava sangrando muito. Eu e um amigo colocamos o corpo dentro do carro de um vizinho e partimos correndo para o hospital.”

Foi na entrada da Rua Adolfo Inácio Barcelos que Acimar teria dado seus últimos suspiros. “Não tinha nenhum médico no carro, mas a gente tentava animar ele mesmo sabendo que ele estava respirando com muita dificuldade”, diz. “Na curva do CTG Aldeia dos Anjos ele apagou e não acordou mais”, lamentou o jovem de 18 anos, que disse conhecer Acimar desde que nasceu.
 
Caso é tratado como assalto, mas outras motivações não estão descartadasVigiado
 
Há relatos de que a cerca elétrica da casa de Acimar Silva teria sido danificada há poucos dias. Segundo o delegado Alencar Carraro, responsável pela 1a DP, a informação vai ser apurada. “É certo que o secretário Acimar vinha sendo estudado por bandidos antes do ataque”, destacou. “Parece que algo deu errado na hora da fuga. Possivelmente eles fugiram a pé porque o carro da fuga não estava onde deveria. Por pouco eles não foram interceptados pela chegada da Brigada Militar. Tudo indica um crime premeditado."
 
Assalto frustrado
 
Logo depois do crime, a Brigada Militar (BM) promoveu buscas pelos suspeitos na região. A BM acabou se deparando com um jovem de 21 anos que havia acabado de assaltar uma professora na parada 94 da RS-030. O criminoso não tinha nenhuma relação com o caso ocorrido na Rua Pampa. Após a prisão, buscas foram promovidas na região de Morungava, para onde relatos apontavam que os bandidos tinham fugido. Porém, ninguém foi preso.
 
Investigação
 
A polícia trabalha com duas linhas de investigação. O crime tanto pode ter sido uma tentativa frustrada de roubo (latrocínio), quanto um assassinato. O caso é apurado em parceria por agentes da Delegacia de Homicídios e da 1ª Delegacia de Polícia de Gravataí. Os depoimentos são coletados desde o início da tarde de ontem, segundo o delegado Anderson Spier. “O que se tem até agora é uma tentativa de roubo, porém os criminosos não levaram nada do Acimar. E por isso não está descartada a possibilidade de que o crime tivesse outras motivações.”

O delegado destacou que a polícia ainda não sabe com exatidão o que aconteceu dentro da casa. “Havia muito sangue no chão. Sabemos que a mulher do Acimar teria jogado um móvel contra um dos assaltantes”, aponta. “Só que ainda não apuramos a dinâmica que resultou nos tiros. E é por isso que o testemunho da mulher da vítima vai ser fundamental para esclarecer o caso”, garante o Spier, que finaliza dizendo que tudo indica que a arma usada no crime não era uma pistola
 

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