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Publicado em 18/06/2015 - 11h14
Última atualização em 18/06/2015 - 11h44

Crítica: Divertida Mente

A Pixar voltou. Que não se ausente mais.

Ulisses da Motta Costa

Divertida MenteA Pixar Animation é uma das vanguardas criativas de Hollywood. Porém, nos últimos anos, tinha deixado um pouco a desejar (levando em conta o alto padrão que eles mesmos criaram). Fizeram uma sequência incrível de obras-primas no final da década passada -- Ratatouille, Wall-E, Up - Altas Aventuras e Toy Story 3. Depois, emendaram três filmes médios (ou, no mínimo, contestados por algum motivo): Carros 2, Valente e Universidade Monstros. Anunciou no final de 2013 que ficaria o ano seguinte sem lançar nada. E sai do hiato de lançamentos com Divertida Mente

Sai do hiato e também da fase cambaleante: Divertida Mente é simplesmente sensacional. Joga a Pixar de novo na frente do mercado de animação não somente na criatividade, como também na técnica. O estúdio voltou à velha forma e seu novo título fica ombro a ombro com os melhores da empresa. 
 
O conceito é muito bem sacado: o filme imagina o cérebro (ou a mente) de todo o ser humano como uma sala de controle, onde cinco personagens organizam sentimentos e memórias: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho. A mente na qual a história se passa é a da garota Riley, de onze anos, que passa por um momento difícil ao se mudar com sua família para uma nova cidade. 

Há duas ações acontecendo: o pequeno drama humano de Riley e sua confusão em estar infeliz com seu novo lar; e uma jornada épica dentro da sua mente, em que Alegria e Tristeza tentam recuperar as memórias-base da menina (que são responsáveis pela sua personalidade). O contraste entre esses dois âmbitos é incrível: a saga dentro da mente é grandiosa, tensa, urgente, enquanto que o conflito externo é intimista. Ambos se complementam com perfeição. 
 
Tentar falar do brilhantismo criativo do filme é tarefa difícil: mais fácil assisti-lo e apreciar a quantidade incrível de ideias que a equipe conseguiu colocar dentro deste conceito: os sonhos que são feitos num estúdio de cinema, a câmara do pensamento abstrato, as memórias que somem, o trem do pensamento, aquela música irritante que não sai da nossa cabeça. Tudo ganha uma explicação numa diegese tão bem construída que temos a impressão que poderíamos passar horas assistindo àquele universo sem nos cansar. 
 
Tecnicamente, a Pixar tem aquele cuidado típico, mas dá alguns passos além. O universo dentro da mente é coloridíssimo e repleto de texturas incríveis -- destaque para o corpo da Alegria, que parece ser feito de pequenas partículas de luz. 
 
Enfim: vá ver no cinema. É daqueles que merecem. Impossível não rir e não se emocionar com ele. Prepare os lenços de papel para a cena final, aliás. É daquelas que tocam no fundo da alma. E depois, deixe a Alegria da sua mente tomar contar e morra rindo com os sensacionais créditos finais. Ah, sim, aviso: quando o caro leitor sair da sessão, não ache estranho o fato de estar olhando para as outras pessoas, pensando no que se passa na cabeça delas. É o efeito duradouro que Divertida Mente deixa dentro de nós.