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Publicado em 04/04/2015 - 14h02
Última atualização em 04/04/2015 - 16h05

Eliseu Padilha estaria fazendo lobby para parque eólico no litoral, afirma revista

Revista Época denuncia relações do ministro da Aviação Civil e o diretor da Eletrobras, Valter Cardeal

Karina Sgarbi - karina.sgarbi@gruposinos.com.br

Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini
A edição da revista Época deste final de semana coloca sob suspeita as relações do ministro da Secretaria de Aviação Civil, o gaúcho Eliseu Padilha, ligado ao PMDB, e o presidente da Eletrobras, o engenheiro Valter Cardeal. Os dois se encontraram no dia 19 de março, no gabinete do órgão. Segundo a publicação, Padilha estaria atuando a favor da multinacional portuguesa EDP Renováveis. Em resposta, o ministro negou as acusações e disse que vai processar a revista.
 
A empresa, segundo a Época, estaria interessada em ampliar a geração e a venda de energia do parque eólico Cidreira 1 para a estatal Eletrobras. Ainda de acordo com a publicação, Padilha teria relações comerciais com a EDP ocultadas por uma rede de empresas e supostos laranjas.
 
A revista aponta que Padilha seria o suposto dono da área onde estão instalados os aerogeradores da EDP. Entretanto, o terreno estaria mesmo é no nome da Uno Empreendimentos - empresa que já teria se chamado Eliseu Padilha Empreendimentos -, pertencente supostamente à Empresa Amanhecer. As empresas, segundo a publicação, seriam de responsabilidade de dois assessores de Padilha e a Simone Camargo, esposa do ministro.
 
Pela área ocupada por Cidreira 1, a Época apurou que seriam pagos pela EDP ao proprietário R$ 250 mil/ano e o valor correspondente a 1,8% de toda energia vendida pela empresa à Eletrobras. O ministro não tem contrato com a Eletrobras e nem é produtor de energia.
 
Em resposta à Época, a EDP informa que sua subsidiária EDP Renováveis Brasil S.A. não participou das negociações do arrendamento referente ao projeto Cidreira 1. O projeto foi adquirido pela companhia em 2009 com condições já existentes. A empresa ressalta que não há intenção ou estudo feito para a expansão do parque eólico.
 
Cardeal, por meio da assessoria de imprensa da Eletrobras, também negou o lobby e afirma que fez uma visita agendada de cortesia a Padilha.
 
 
Lobby em "nome de quem se a arrendatária não tem interesse?"

O senhor participou deste esquema de lobby como a revista afirma?
Padilha - O parque eólico está construído em cima de uma área que tem três proprietários. Uma das três é uma empresa da qual eu sou sócio, maior acionista e diretor. Quer dizer, quem assina por ela sou eu, está tudo regularizado no nome dela. Tu lês a matéria e vai ver que a matéria diz coisa completamente diferente disso. Como é o nome da empresa? Gaivota Participações Ltda. Quer dizer, isso está no registro de imóveis, na junta comercial, em todos os lugares. Quem vai fazer uma matéria sobre terra o mínimo que tem que olhar é no registro de imóveis, pra ver no nome de quem tá. Este parque é de uma multinacional portuguesa EDP, eles arrendaram a terra e fizeram um parque eólico lá em cima. Mas aproveitando, eu arrendei toda a terra, não tem mais terra para arrendar. Quer dizer, eles já têm a terra arrendada na totalidade. Então, a matéria diz que eles não têm nenhum interesse em ampliar o parque, não existe nenhum processo. Eu já arrendei a terra, então não fica de pé essa história de ter que fazer lobby. Porque quando tu fazes lobby é em nome de alguém e em favor de algum assunto. Aí eu pergunto: em nome de quem se a EDP que é arrendatária não tem interesse? Não tem processo tramitando, não tem pedido tramitando, não tem nada tramitando. Então como é que tu vais fazer lobby?

Por que o senhor acredita que a revista afirmou que o motivo da sua reunião com o Cardeal era a ampliação do parque eólico?
Padilha - Eu acho que foi uma imaginação do jornalista, né. Porque se tu fores observar a matéria, ele foi atendido depois do Cardeal. E se tu veres a matéria tem uma foto do Cardeal entrando na minha sala, então por que é que tu estás numa sala de espera, esperando para falar com uma pessoa, e tu vais fotografando todo mundo que tá por ali? Então eu não sei, sinceramente não sei, ele é que sabe explicar porque. Eu sei o que é que acontece, o que aconteceu e qual é a situação real. Nunca escondi nada, o parque é de uma empresa minha, e procuram estabelecer uma nebulosidade nisso, não existe. É de uma empresa minha, o diretor sou eu, quem tem o contrato é essa empresa que eu falei, ponto, não é nada disso que eles disseram lá, que é outra empresa.

O que foi tratado então nesta reunião?
Padilha - O Cardeal foi me cumprimentar pela minha posse, já que ele não tinha ido ainda, me desejar sucesso.

O senhor recebe as quantias citadas na reportagem?
Padilha - Neste contrato tem uma cláusula de confidencialidade, significa dizer que eu não posso revelar, a não ser para a Receita Federal, que informo mensalmente, eu não posso revelar. Se a EDP quiser revelar eu concordo sem nenhum problema, mas eu não posso revelar se não vou infringir o contrato, tem multa, tem rescisão, um monte de coisa.

Como o senhor avalia toda a situação citada pela reportagem envolvendo o seu nome?
Padilha - Ora, por óbvio que não é bom, claro que não é bom, apenas não é a verdade. Não existe nenhum processo, e vou dizer pela última vez, não existe nenhum processo da EDP pedindo a ampliação, que é a dona do parque, não existe na Eletrobras nenhum expediente neste sentido, não existe em nenhum órgão público, absolutamente nenhum documento, pedido ou requerimento sobre este sentido, logo, sobre o que não existe é impossível fazer lobby.

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