Publicidade
Notícias | Região Defensivos nas lavouras

Aviões têm permissão para pulverizar agrotóxicos na APA do Banhado Grande

Autorização saiu nesta segunda-feira (5)

Por Andrei Fialho
Última atualização: 06.11.2018 às 09:50

Foto por: Especial
Descrição da foto: Método mais tradicional, com trator (foto), era o único permitido até agora
Há dois anos, mais de 200 pessoas fizeram um abraço simbólico ao Rio Gravataí, na localidade do Passo dos Negros, ponto de início da Área de Proteção Ambiental (APA). O objetivo era celebrar, entre outros, a recomendação do Ministério Público que deixa parte da Área de Preservação Ambiental Banhado Grande livre de pulverização aérea de agrotóxicos.

A iniciativa foi apresentada pelo promotor de Justiça Regional da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí, Eduardo Coral Viegas, em agosto de 2016 para a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e para a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema).

O objetivo era de proibir por dois anos a pulverização aérea de agrotóxicos, visto que o ecossistema da APA estava sentindo os efeitos dos pesticidas, segundo os apontamentos reunidos por Viegas. Este prazo foi estipulado em razão do período necessário para a construção do Plano de Manejo, sob responsabilidade da Sema e Conselho da Área de Preservação do Banhado Grande.

Sem Plano de Manejo, decolam os aviões

Com o encerramento do período proposto pelo MP, mas sem a conclusão do Plano de Manejo – diretrizes ambientais que regrarão a APA – os produtores da região solicitaram o direito do uso das aeronaves para as pulverizações. “Como o Plano de Manejo está, ainda, em fase de construção, assinei (ontem) o despacho com a reivindicação de toda categoria, incluindo aviadores, para se utilizarem desse método por mais um ano, mas levando em conta o cuidado de áreas sensíveis e métodos mais seguros”, revelou Viegas.

A primeira recomendação não extinguiu as pulverizações na APA, mas delimitou locais e técnicas que garantissem menos danos ao meio ambiente. Nesse Sentido, todos os produtores reunidos e ainda, representantes das entidades agrícolas como a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, a Federação dos Agricultores do Estado (Farsul) e o Sindicato dos Aviadores reivindicaram poder usar da técnica nesse plantio que está iniciando, no qual a Fepam e Sema acolheram a proposta.

Sem glifosato

Uma das garantias dos produtores é de que não haverá pulverização do herbicida ‘glifosato’ ou Roundup como é comercialmente conhecido, revelou o produtor Maurício Barcelos, que é o representante dos arrozeiros no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí.

“Os aviões também terão que ter equipamentos tecnológicos, como GPSs de última geração para não haver erro dos locais a serem pulverizados, os borrifadores serão mais precisos ao espalhar os venenos, diminuindo a quantidade e ainda, nos comprometemos a não usar o glifosato. Será uma boa experiência com bons aprendizados”, garante.

Retrocesso, garante Cardoso

Para o presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí, Sérgio Cardoso, houve um retrocesso ambiental com a liberação do uso dos aviões na pulverização de agrotóxicos. “A Secretaria Estadual do Meio Ambiente ficou uma gestão de quatro anos e não conseguiu concluir o Plano de Manejo da APA. Por isso há essa flexibilidade que é um retrocesso às conquistas ambientais para toda a região. Iremos fiscalizar de perto essas pulverizações, qualquer erro iremos tomar as atitudes legais cabíveis”, salientou.

Pescar só em abril de 2019

Foto por: Especial
Descrição da foto: Pescaria ainda não está permitida
Desde o dia 1º de novembro pescadores recolheram as suas redes, espinheis, tarrafas e outros artefatos de pesca que capturam peixes em grande quantidade. Começou a época de reprodução dos peixes e está proibido qualquer tipo de pesca predatória até 31 de março de 2019, em todo o Rio Grande do Sul.

Os pescadores profissionais registrados irão contar com apoio financeiro do governo, para subsistência nesse período de defeso, como é chamado. A pesca amadora é permitida apenas com linhas e caniços que possuam poucos anzóis.

Na APA do Banhado Grande também não pode

O 1º Batalhão Ambiental, que é responsável pela fiscalização das águas do Rio Gravataí e da APA do Banhado Grande só será permitido a pesca de anzol nas margens do rio que não estão na APA. Segundo o Sargento Jackson Homero, o Batalhão irá fiscalizar o Gravataí com grande intensidade nesse Verão. “Está proibido qualquer tipo de pescaria na APA do Banhado, sem de linha, nem de caniço”.

O Sargento também aponta que no período da piracema, o rio costuma ter menos água e assim concentra mais peixes. “Muitos ficam tentados em pescar, mas no banhado não pode, é um local especial justamente para a reprodução de diversas espécies. Mas não há proibição nenhuma das pessoas navegarem por toda a extensão do rio, desde que portem as licenças e não consumam nenhuma substância que altere a consciência, igual como é no trânsito terrestre”.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.