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Alerta aos pais

Alergia alimentar afeta até 5% das crianças

Dieta de restrição ao alimento e derivados é uma das formas mais utilizadas para tratamento na busca de um bom convívio social
13/02/2018 16:07 13/02/2018 16:08

Maria Laura Müller, de 2 anos, e Larissa Moccelin da Silva, 11, vivem a uma distância de pouco mais de 30 quilômetros. No entanto, a rotina das meninas, uma de Parobé e outra de Novo Hamburgo, não é muito diferente. Ambas sofrem de Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV). O caso delas não é único. Embora no Brasil não existam estudos populacionais de percentual de crianças com Alergia Alimentar (AA), o presidente do Comitê de Alergia e Imunologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria/RS, o alergologista Hélio Miguel Simão, salienta que estima-se que 5% das crianças tenham alguma alergia alimentar.

“A faixa etária mais propensa são os dois primeiros anos de vida e em torno de 70-80% das alergias alimentares desaparecem até os cinco anos de idade. Nestas que persistem, podemos estudar se é possível fazer a dessensibilização com o alimento”, explica.

As principais AA são as alergias à proteína do leite de vaca, que afetam as duas moradoras, uma do Vale do Paranhana e outra do Sinos. Segundo o médico, essa alergia se inclui em dois tipos: APLV mediada por anticorpos IgE, com reações mais imediatas, principalmente urticária ou dermatite perioral. São as manifestações potencialmente graves que podem evoluir para a anafilaxia, antigo choque anafilático.

Ele explica que geralmente o paciente tem reação 15 minutos ou 30 minutos após a exposição ao alimento e pode comprovar através de exames. E o outro tipo é a APLV não mediada por anticorpos IgE, com reações mais tardias, cujo aparecimento de manifestações ocorre até dois dias após a ingestão do alimento. Simão exemplifica que em bebês, sangramento nas fezes é comum, quadros de colite, mais restrito ao sistema digestivo e estes quadros não evoluem para anafilaxia.

Tudo bem pesquisado para o bem da filha

Eduardo Cruz/GES-Especial
Família: Larissa com os pais Wagner e Juliana sempre atentos

No apartamento de Larissa Moccelin da Silva é possível deparar-se com muitos objetos que identificam que ali há uma pessoa com alergia alimentar. Entre eles, no freezer da cozinha, os alimentos específicos para seu consumo estão identificados; no armário de seu quarto há notas adesivas em caixinhas que informam que ela é alérgica; sua mãe, Juliana Busato Moccelin, tem uma lupa para conseguir ler os rótulos das embalagens dos alimentos adquiridos pela família e até a ração da cachorrinha da família não contém leite.

Eduardo Cruz/GES-Especial
Juliana Busato Moccelin, tem uma lupa para conseguir ler os rótulos das embalagens dos alimentos
“O que procuramos cuidar é que ela seja uma criança normal. A gente não quer viver dentro de uma bolha. Temos restrições e a gente se adapta”, conta a mãe da menina, que tem todo o cuidado e também do pai, o funcionário público, Wagner Rodrigues da Silva, 46.

Larissa tem alergia à proteína do leite de vaca, que se manifestou quando era bebê. No inicio, mingau e iogurte, por exemplo causavam vômitos na menina. A garota teve alguns sintomas como urticária, pele e olhos vermelhos, lábios roxos, muita coceira e tosse. No início a família foi em pediatra até chegar ao alergologista.

Larissa está em uma fase adiantada do tratamento. Há um ano ela está em processo de dessensibilização ao leite, no método do leite pré-aquecido. Diariamente ela consome um bolinho com leite. “A alergia dela é severa e persistente”, salienta a mãe, que diz que a maior dificuldade é o convívio social. Não são todos que entendem o que a menina tem.

No entanto, Juliana e seu marido vivem buscando informações, participam de grupos sobre o tema, entre eles o movimento Põe no Rótulo, cujo objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância da clareza da presença de alergênicos nos rótulo. A família espera pelo bem da filha e alertam que é importante investigar, procurar orientação correta e não forçar quando a criança não quer comer algo. 

Vontade de ir a uma sorveteria e comprar chocolates

Susi Mello /GES-Especial
Esperança: Maria Laura já se acostumou tanto com a rotina das medicações que nem faz cara feia para tomá-los e até brinca com supervisão da mãe

Maria Laura Müller é vaidosa e gosta de brincar. Na sala de sua casa, enquanto a entrevista ocorre, ela passa batom na boca e diverte-se com a mochila de rodinhas “lilás e pink” e com as bolinhas coloridas da barraquinha montada no mesmo espaço. Quem vê a menina não imagina que aos três meses esteve internada. O diagnóstico na época não foi de que tinha uma infecção intestinal por conta da proteína do leite de vaca e sim que havia contraído uma virose.

Foram alguns meses para a família conseguir saber que ela tinha alergia a proteína do leite de vaca, a soja e ao ovo. Somente quando tinha 1 ano e seis meses começou o real tratamento da APLV. Ela tem uma dieta especial e sua mamadeira tem o leite especial para sua dieta.

Em sua casa, muita coisa mudou quando a alergia foi oficialmente descoberta. “Passamos a usar farinha de arroz, ferver o leite e tivemos que esterilizar todas nossas louças para evitar resquício de leite”, conta a mãe Patrícia Ramos, segurando a filha no colo, que não se cansa de mexer nas embalagens de remédios e que não faz cara feia para tomar. 

A esperança da mãe, que passou situação semelhante com seu primeiro filho, o Arthur, 16 anos, que teve alergia ao ovo e ficou até os 8 anos sem poder consumir o alimento, é que a filha melhore. “Não vejo a hora de levar em uma sorveteria e comer chocolate. A gente encontra esses alimentos mas é mais caro”, diz.

Escolas fazem parte do processo de tratamento

Não é somente a mochila que acompanha a estudante Larissa Moccelin da Silva na escola. Além do material, ela tem duas caixinhas especialmente identificadas: uma de primeiros socorros e outra com doces que ela pode comer. Ambas deixam claro que ela é alérgica à proteína do leite de vaca. A preocupação em deixar claro tudo isso à escola vem da sua mãe, a dona de casa Juliana Busato Moccelin, 47 anos, que deixou de lado a arquitetura para acompanhar integralmente sua filha.

Susi Mello /GES-Especial
Maria Laura tem alergia a proteína do leite de vaca, a soja e ao ovo
A mãe da pequena Maria Laura Müller, a comerciante Patrícia Ramos Silvano, 38 anos, também está atenta a essa fase. Sua filha começou a frequentar a escolinha desde o dia 6 fevereiro. “Ela não pode dividir material de higiene e de alimentação, o lanche é especial e ela tomará o leite que mandarei”, ressalta a comerciante. Essa preocupação com a escola é importante e faz parte da rotina da família de alérgicos.

“A escola precisa se familiarizar com os diversos tipos de alergia alimentar e criar rotinas para que estes pacientes não recebam os alimentos que causam alergia”, sustenta o alergologista Hélio Miguel Simão. Ele explica que para pacientes menores, os funcionários devem ter as informações precisas dos alunos alérgicos e suas alergias. Assim como a medicação a ser utilizada e as comunicações adequadas, as crianças devem ter rotinas de higiene após lanches, evitar que entrem em contato físico durante as refeições, lavar a boca e mãos após ingestão de alimentos, cuidado nas atividades de lanche coletivo ou passeios externos que muda a rotina de controle.

É preciso evitar que os alunos troquem merenda, fixar rotinas nos refeitórios com alerta para funcionários dos casos de alergia da escola, cuidar para não ter contaminação de utensílios ou alimentos com traços de alimentos alergênicos, regularmente realizar reuniões com os pais para esclarecimento do quadro alérgico do aluno.

“Acho importante ter uma vida normal”

Como é a tua vida. O que tu sentes?
Larissa Moccelin da Silva - Agora que estou fazendo tratamento é bem melhor. Posso comer em alguns restaurantes que não comia. E quando não estava fazendo tratamento não era tão ruim, porque a maioria das coisas eu podia comer, as coisas mais comuns, arroz, feijão, fritas. Só as coisas que tinham leite que não podia comer. Os meus colegas também me ajudam, eles cuidam um pouco.

De que forma?
Larissa - No último dia de aula, a “profe” estava dando doce. E lá na minha escola, eu tenho a minha caixinha com os meus doces. Quando a “profe” dá os doces, eu pego de lá. E daí eu ia lá pegar, a minha colega já tinha me trazido os doces.

Achas importantes essa ajuda?
Larissa - Eu acho que é. Eu, por exemplo, nunca aconteceu isso de me sentir diferente por causa da alergia. Não tem necessidade, mas acho que é importante.

O que sentia quando tinha alergia?
Larissa - Eu sentia coceira. Não lembro, porque não tive alergias fortes. Era coceira e o corpo meio inchado, o rosto e as orelhas. Mais forte, em 2013. E no ano passado, tinha me dado uma alergia porque tinha aumentado a quantidade de leite que ia no bolo, mas não foi forte.

O que recomendaria para pais, amigos, vizinhos, quando depara-se com crianças com alergia?
Larissa - Acho que é importante viver uma vida normal. Isso vai passar. Tem pessoas que têm outros problemas e essa pessoa tem esse e vai passar.

É preciso respeitar pessoas com alergia?
Larissa - Sim, porque tem pessoas que não sabem que alguém tem isso. A maioria das pessoas que eu não conheço não sabe que eu tenho alergia. Daí eu explico para eles que não posso.

Médico alerta para vacinação

O médico de Família e Comunidade da Unimed Vale dos Sinos, Marcos Vinícius Ambrosini Mendonça, salienta que a vacinação é fundamental para a imunidade. Entretanto, uma vez que algumas vacinas são inoculadas em embriões de galinha, em diferentes quantidades, existem algumas orientações sobre vacinação em alérgicos ao ovo. Na tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): pode e deve ser administrada em pacientes com alergia ao ovo, independentemente de sua manifestação clínica (incluindo anafilaxia). A da gripe (Influenza, incluindo H1N1) é indicada em pacientes com alergias leves e moderadas a ovo. Pacientes com urticária ao alimento devem ser observados por cerca de 30 minutos após a vacinação.

O Ministério da Saúde (2014) contraindica a vacina para pacientes com história de anafilaxia ao ovo. E a vacina da febre amarela é contraindicada em alérgicos ao ovo, diante de qualquer manifestação clínica. Além das vacinas, Mendonça salienta que o estímulo ao aleitamento materno no primeiro ano de vida é fundamental assim como a introdução tardia dos alimentos sólidos potencialmente provocadores de alergia. Recomenda-se à introdução dos alimentos sólidos somente após o sexto mês de vida.

Saiba mais

Conceito - Alergia Alimentar (AA) é uma reação exagerada do organismo contra um alimento que é inofensivo para este paciente. O próprio sistema imunológico produz anticorpos contra componentes daquele alimento de forma descontrolada. A alergia alimentar é sempre uma reação que envolve o sistema de defesa do paciente diferente das intolerâncias alimentares que são em geral deficiências de enzimas, como por exemplo, a intolerância a lactose, falta ou redução da enzima lactase. A alergia alimentar é uma herança familiar, uma tendência genética para este tipo de doença.

Manifestações - A AA pode se manifestar de diversas formas. Geralmente atinge a pele, manchas elevadas avermelhadas na pele que mudam rapidamente de lugar acompanhadas de coceira, chamada urticária ou inchaço principalmente periocular e labial. Ainda pode se apresentar com quadro de diarreia, vômitos e sangue nas fezes, bem como comprometimento respiratório: tosse, chiado no peito, obstrução nasal, espirros e coceira nasal. O mais comum é atingir a pele, mas pode estar acometendo dois sistemas ao mesmo tempo. Casos mais graves: urticária (pele) e tosse (respiratório).

Alimentos - Leite de vaca, clara de ovo, soja, trigo, camarão, castanhas, amendoim e peixe são os alimentos que mais causam alergias. São os que contêm maior percentual de proteínas. No primeiro ano de vida os mais frequentes causadores de alergia são o leite de vaca e o ovo. Isso ocorre porque estes alimentos ricos em proteína encontram um sistema imunológico com baixa tolerância a estas proteínas determinado pelos genes herdados.

Diagnóstico - A Alergia Alimentar é diagnosticada pelo histórico do paciente. O alergologista vai investigar o tempo de início da reação, as manifestações após exposição ao alimento, assim como o tipo de reação e as alterações no exame físico do paciente. Dependendo deste histórico do paciente, o diagnóstico pode ser feito sem realização de exames. Os exames são para confirmar ou descartar a suspeita quando o quadro não ficou claro.

Tipos de exames - Exames mais especializados também estão disponíveis, como exames moleculares de alergia, onde uma gota de sangue é enviada ao laboratório e se verifica mais de 100 alérgenos. Tem o exame mais procurado, a chamada prova de provocação oral ou desencadeamento, onde o paciente recebe pequenas quantidades do alimento em ambiente hospitalar com médico experiente para tratar possíveis reações alérgicas.
Fonte: médico alergologista Hélio Miguel Simão


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