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Ginecologia

Menstruar é uma escolha

Médicos dizem que menstruação não é necessária, mas maioria das mulheres afirma se sentir saudável com esta 'visita' todos os meses
08/01/2018 06:00 08/01/2018 11:47

Juarez Machado/GES
Médicos dizem que a menstruação não é necessária

A mulher pode escolher o que quer ser, se dona de casa ou astronauta, se quer casar ou não, se quer ter filhos ou não e também se irá menstruar todo mês ou não. No entanto, o ciclo menstrual é algo que ainda desperta dúvidas e envolve opiniões distintas. Entre 85% das mulheres que menstruam todo mês, 55% declaram não gostar de ter que passar por esse momento, principalmente por sentir desconforto (52%) e cólica (46%). Além disso, 20% relatam ficar muito irritadas, 7% apontam sangramento em excesso e 4% dizem que atrapalha a rotina. Os dados são de pesquisa do Datafolha, feita pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com a farmacêutica Bayer, que ouviu 2.004 mulheres, de 18 a 35 anos, em oito capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre.

Mesmo com os incômodos relacionados “àqueles dias”, 45% afirmam que gostam de menstruar. Os principais argumentos são por se sentir saudável (39%), por considerar o sangramento todos os meses como algo natural (25%), por entender que indica que não estão grávidas (24%) e por enxergar como uma forma de limpar o corpo (10%). No entanto, embora seja a preferência de quase metade das mulheres ouvidas, médicos dizem que a menstruação não é necessária. “A mulher não foi feita para menstruar”, declara o ginecologista e obstetra José Bento, dos hospitais Albert Einstein e São Luiz, de São Paulo. Segundo ele, não há problema em emendar cartelas de anticoncepcional para evitar a menstruação, por exemplo, desde que sob orientação médica. “A menstruação é um fenômeno da mulher moderna”, completa, observando que no passado as mulheres costumavam engravidar mais cedo e tinham mais filhos, enquanto hoje engravidam mais tarde, têm menos filhos e, portanto, menstruam mais. Além disso, fatores como a expectativa de vida maior, mudanças na alimentação e acesso à medicação contribuíram para aumentar o número de ciclos.

Ciclo
A menstruação não é uma limpeza no organismo, destaca a ginecologista e obstetra Guísella De Latorre, da Clínica Obstare, de Novo Hamburgo. “Ela é apenas o sinal de que não estamos grávidas. Todos os meses, nosso corpo se prepara para uma possível gestação. O útero, que é aonde o bebê vai se desenvolver, cria uma espécie de camada para o embrião. Se não engravidamos, essa camada é expelida através da menstruação”, explica. Com o uso de algum contraceptivo hormonal, como a pílula, esse preparo não ocorre, pois a medicação ingerida não permite a ovulação (por isso não há período fértil). “E quando é feito o intervalo entre uma cartela e outra ocorre sangramento pela falta do hormônio, simples assim”, complementa. Então, conforme a médica, para quem utiliza contracepção hormonal, menstruar ou não é apenas uma escolha. “Praticamente todas as mulheres podem usar algum método contraceptivo, desde que queiram, e decidir se querem menstruar ou não. É uma questão de escolha, faz parte respeitar a individualidade da mulher, e faz parte dos diretos reprodutivos”, finaliza Guísella.

Escolha do método contraceptivo

Por causa da injeção frequente de hormônios no organismo e por efeitos colaterais relacionados ao uso da pílula, como diminuição da libido e aumento de risco da trombose, além de ganho de peso, acne, queda de cabelo e pele oleosa, muitas mulheres têm rejeitado o uso de anticoncepcional oral. No entanto, a presença ou não desses efeitos vai depender de cada organismo. Por isso, os especialistas recomendam que a escolha do contraceptivo deve ser feita em conjunto com um profissional que saiba o histórico médico e familiar da paciente. “O importante em um método contraceptivo é que ele se adapte ao estilo de vida da mulher, sem trazer riscos desnecessários a sua saúde”, destaca Guísella.

Pílula anticoncepcional: sim ou não?

A primeira pílula anticoncepcional foi aprovada em 1957, nos Estados Unidos. Para que o medicamento tivesse aceitação da sociedade, e também da Igreja, a indústria desenvolveu um sistema de intervalo que reproduz o ciclo menstrual natural: toma pílula por 21 dias e pausa 7 dias para a “menstruação”. Na verdade, o que ocorre nesse intervalo para quem toma anticoncepcional oral é apenas um sangramento. Nestes casos, o útero não se prepara para a chegada da gravidez e há uma descamação de endométrio. Isso porque a maioria dos contraceptivos tem moléculas artificiais que agem como estrogênio e a progesterona, hormônios produzidos durante o ciclo menstrual, mas em quantidade menor. O sangramento ocorre então pela falta desses hormônios. “Há vários tipos de pílula, algumas com estrogênio natural e outras com estrogênio sintético que podem tratar outras coisas, como pele, retenção de liquido, líbido, e tem os métodos só com progesterona, indicado para mulheres com risco de trombose, hipertensão. Há uma gama bem grande de métodos hormonais”, destaca. Sem o uso da pílula, há risco do aumento de estrogênio toda vez que a mulher ovula, comenta o médico José Bento. “Isso pode a longo prazo trazer problemas para engravidar, como aparecimento de miomas, endometriose, cistos no ovário, pólipos”, diz Bento. Os médicos acrescentam, ainda, que o uso da pílula não interfere na fertilidade.

Saiba mais

  • O ciclo menstrual começa no primeiro dia da menstruação e termina apenas no mês seguinte, quando o próximo fluxo chega. Ele pode variar entre 21 e 35 dias, sendo a média de 28 dias.
  • Mesmo que o ciclo e o fluxo sejam diferentes para cada mulher, é importante observar que até os 18 anos a menstruação não estará completamente regulada.
  • Os ciclos vão se repetir até a chegada da menopausa, período em que a mulher deixa de menstruar, o que é um processo natural, que ocorre quando há uma baixa de produção hormonal que interrompe a preparação do corpo feminino para uma possível gestação.

Ciclo menstrual

Do 1º ao 5º dia: a fase menstrual começa com o primeiro dia de sangramento. Nesse período, o nível de estrogênio está em seu ponto mais baixo. A falta desse hormônio pode levar à insônia e à agitação. Até por isso, nesses dias é possível bater aquela vontade de estar mais próxima das amigas que entendem essas reações. O intestino funciona melhor e a retenção de líquido dá uma trégua.

Do 6º ao 13º dia: na fase pós-menstrual ocorre o reinício da produção de hormônios. O FSH, conhecido como folículo-estimulante, responsável pela formação dos óvulos, atinge seu ápice por volta do 10º dia, quando ele provoca o desenvolvimento de folículos ovarianos (bolsa de líquido que contém os óvulos). Com a enxurrada de hormônios, a sensação de bem-estar predomina.

Do 14º ao 17º dia: o pico de fertilidade está aqui, na fase de ovulação, mais precisamente no 14º dia, que também coincide com a máxima produção de estrogênio. O óvulo está preparado para a fecundação, caminhando de um dos ovários em direção ao útero. A sensualidade e a vitalidade estão evidenciadas nesses dias.

Do 18º ao 23º dia: a fase lútea inclui o aumento da produção de alguns hormônios como a progesterona, que atinge seu máximo entre o 20º e 22º dia. O período leva esse nome porque o folículo se transforma em um corpo lúteo, responsável por esse aumento de progesterona e estradiol. Nesse período, se sentir cansaço, a mulher deve se permitir descansar.

Do 24º ao 28º dia: na fase pré-menstrual, sem a fecundação do óvulo, o organismo deixa de produzir os hormônios progesterona e estradiol. O nível de estrogênio também reduz. A baixa dessas substâncias provoca muitos sintomas físicos e psicológicos que compõem a TPM (Tensão Pré-Menstrual). Respire fundo nesses dias para amenizar os efeitos colaterais dessa fase.

Fonte: Guísela De Latorre, ginecologista e obstetra


Enquete

Menstruar ou não menstruar?

"Eu odeio. Passo mal sempre! Tomo pílula direto, paro apenas quando acontece um 'escape'!" - Alana Setti, 30 anos, desenhista

"Não gostava, até entender sobre a importância dos nossos ciclos, e de como a pílula interfere na nossa saúde e na nossa percepção e conexão com nós mesmas." - Ariadny Amaral, 29 anos, artesã

“Eu tomo pílula sem parar. Não menstruo faz dois anos e me sinto ótima. Obviamente com prescrição médica.” - Bruna Santos, 32 anos, acadêmica de História

“Eu tomava pílula sem parar, porque nunca gostei de menstruar. Porém, uso DIU há anos e resolvi isso de vez.” - Carolina Tremarin, 29 anos, jornalista e empresária

"Passei anos odiando menstruar, mas hoje encaro de boa. Menstruei muito cedo, com 10 anos, e também comecei a tomar anticoncepcional muito cedo. Minha menstruação era irregular, minha TPM demoníaca, meu fluxo intenso e eu tinha cólicas insuportáveis. Há um ano e meio parei de tomar anticoncepcional e minha relação com a menstruação mudou completamente. Hoje menstruo de boa, ciclo reguladinho nos vinte e poucos dias, não tenho mais cólica, ganhei mais intimidade com meu próprio corpo, melhorei minha pele e minha libido foi aos céus. Estou avaliando colocar o DIU de cobre. A única certeza é: hormônios no more.” - Cátia Andressa da Silva, 36 anos, empresária

“Amo e sou super atenciosa a todos os detalhes do meu corpo neste período. Mudei muitos hábitos (desde a alimentação, mais natural, até a higiene, uso copo) e sinto que este período promove uma maior conexão comigo mesma, meus ciclos e meu corpo.” - Deisi Carmo, 32 anos, artesã

"Acho que tudo que é parte do nosso organismo e sistema tem que ser visto com bons olhos. Passei anos odiando a parte sangue da história, mas hoje não me incomoda nem um pouco. Não tomo pílula e passei a me sentir muito melhor depois da decisão de parar. Imagina que para algumas mulheres não deva ser uma fase muito fácil, mais pelos outros fatores do que o 'sangramento'. Cada mulher passa essa parte do ciclo de uma maneira e sei que para algumas deve ser horrível." - Daniele Gemelli, 35 anos, assistente administrativo

"Não gosto, preferiria interromper. Acabei de ter bebê e pretendo colocar DIU, de preferência aquele que não menstrua, já para não ter que passar por isso e tudo que vem junto, como cólicas, dor nas pernas, dor de cabeça, inchaço." - Gabrielle Kaefer, 24 anos, professora

"Uso o DIU que elimina o fluxo totalmente já há mais de 10 anos. Acho maravilhoso, por mim não menstruo nunca mais!" - Kelen Vieira, 37 anos, designer

“Uma vez tentei tomar pílulas contínuas, mas sempre tinha os escapes e voltei à cartela normal de 21. Eu não curto menstruar, não acho legal, incômodo, principalmente no verão. Mas creio que não chegaria ao ponto de tomar remédio pelo resto da vida só para não menstruar mais. Eu espero que um dia a medicina invente algo para não menstruar nos e sem afetar a saúde.” - Marcela Lucero, 30 anos, advogada

"Não gosto, pois além do desconforto, sofro de TPM forte e a única maneira que minha médica encontrou de amenizar os sintomas foi me prescrever anticoncepcional contínuo." - Tatiana Pinheiro, 33 anos, advogada

"Minha menstruação é super tranquila. Me sinto saudável recebendo esta 'visita' todos os meses." - Tatiane Lima, 34 anos, jornalista


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