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Como no Lata Velha

Chapeador transforma ferro-velho em relíquias

Restaurador de carros antigos une o clássico e o moderno em sua oficina na Dorival
31/01/2018 10:15 31/01/2018 10:17


Fernando Lopes/GES-Especial
Flávio e o amarelo ouro
Quem compra carro antigo é porque quer mexer nele, certo? A restauração de modelos já fora de linha é paixão alimentada não só por brasileiros, mas por motoristas em todo o mundo. Com o Flavio Minuzzo aconteceu mais ou menos sem querer. E foi há quase 30 anos. Foi em 1989, quando o então jovem Minuzzo comprou seu primeiro Fusca que esta paixão foi despertada. "Nem lembro quanto eu paguei ao certo, mas só valia a carcaça. Tive que fazer tudo do zero." E desde então o mecânico e chapeador não parou mais.

Hoje Flavio Minuzzo mantém uma oficina no número 1289 da Avenida Dorival de Oliveira. Aos 46 anos, transformou há muito tempo em negócio lucrativo seu amor por transformar o que muita gente chamaria de ferro velho em verdadeiras relíquias. Para além da nostalgia, o trabalho do Minuzzo consiste em aliar o clássico ao moderno. "Não adianta ter um original dos anos 50 em casa e não conseguir rodar com ele na estrada por medo de ficar empenhado", observa. "Monto carros antigos sim, mas com mecânica de carro novo", avisa.

Nossa equipe de reportagem chegou na oficina no momento em que o especialista unia um modelo inglês dos anos 60 com um Omega australiano. "É um trabalho minucioso que leva muito tempo", frisa. "A gente pega só a lataria e vai montando peça por peça até ver um novo carro se formando. É um trabalho braçal mesmo. Não é fácil, mas para quem gosta dá um prazer imenso ver o resultado final completo."

Com um tesouro de 54 na garagem

Quatro anos e meio. Este foi o período exato levado pelo mecânico e chapeador para deixar novinho um caminhão International de 1954. O veículo americano foi visto parado na garagem de um amigo há pelo menos dez anos. "Era só a carcaça, mas desde que eu vi o carro me apaixonei", recorda.

Foi graças a um negócio feito com o mesmo amigo anos depois que o International teve o freio liberado. O carro fez parte do pagamento de um trabalho. "Peguei ele em um dia e no outro já estava trabalhando", conta. O resultado é o lindo veículo amarelo que hoje está na garagem de Minuzzo. "Ela está à venda por R$ 250 mil. É o preço de custo. E não adianta oferecer menos."

Programa Lata Velha só engana quem não conhece

Pelo trabalho que Flavio Minuzzo faz, dá para imaginar que o trabalho dele se assemelha aquele feito pelos profissionais do programa de TV Lata Velha, não é? Errado. O trabalho executado pelo chapeador é um processo longo e demorado que em nada se parece com a montagem rápida que é editada pela turma de Luciano Huck. "No programa aparece um cara na oficina soldando enquanto o outro já está fixando parafusos do outro lado. Não é nada disso", explica. "No programa eles pulam etapas da montagem que o público não dá bola, mas quem conhece sabe que não condiz com a realidade."

Qualquer carro pode ser restaurado

Minuzzo garante que qualquer carro pode ser recuperado. Agora, tudo depende do tempo e dinheiro que o cliente quer colocar nele. "Troquei meu primeiro Fuscão por uma Brasília 1980 que, quem olhava, dizia que era para botar fora. Só que quem gosta não pensa assim. O cara gasta em peças que vão deixar nova. Esse é o segredo. Tem que querer investir tempo e dinheiro."

O problema, segundo o trabalhador, é que as restaurações não caminham, digamos, sozinhas. Existe muita dificuldade para os brasileiros que querem correr atrás de peças antigas. "Nos Estados Unidos existe todo um mercado que permite que o cara vá na esquina e volte com um para-choque lá dos anos 70", aponta. "Só que aqui não. E tem peças que precisam ser fabricadas. Quer dizer, tem que colocar a mão no bolso e investir."

De bicicleta a avião

Em 27 anos de trabalho em sua oficina, já passou de tudo pelas mãos do experiente Flavio Minuzzo. De bicicleta a avião. "Se quiser trazer uma lambreta, pode ter certeza que eu deixo nova também", afirma. "Até avião eu já deixei prontinho", ressalta. Opa! Avião? "Trouxeram só a cabine de 737 uma vez e tive o maior prazer em deixar nova", recorda. "Saiu daqui pronto para ser usado como simulador de voo."

Criando só por diversão 



Fernando Lopes/Fernando Lopes/GES-Especial
Chapeador deixa tinindo os carros antigos em sua oficina
Nem tudo é trabalho na vida do Flavio Minuzzo. Casado e com dois filhos, ele também muito o que fazer quando não está na oficina. No entanto, o que ele gosta mesmo é de criar. Certo dia, por exemplo, pensou em juntar uma bicicleta com um carrinho de mão. Saiu o tal modelo da foto que já tem até gente querendo transformar em um transporte de linha na praia. "Não copio de lugar nenhum e não coloco na prancheta. Ou seja, não tem projeto. Penso em uma coisa e vou lá e faço."

Contato

A Tetra Restaurações, especializada em veículos antigos, trabalha com os portões fechados. Peraí! Como assim? Quer dizer que não adianta encostar o veículo em frente a oficina na Avenida Dorival de Oliveira e esperar pelo reparo. Primeiro é preciso conversar com o dono. Flavio Minuzzo atende pelo telefone (51) 99973-3222.


Correio de Gravataí
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