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Segurança

"As ruas de Gravataí já são seguras", diz comandante da BM

Novo comandante da Brigada Militar confirma que ciclo de violência foi freado
11/01/2018 14:05 11/01/2018 14:11


GES/PAULO PIRES
Neves, novo comandante da Brigada em Gravataí
Aos 45 anos, Luis Felipe Neves Moreira enfrenta o maior desafio de sua carreira. Trazer de volta à Gravataí a sensação de segurança que esteve em falta no ano passado. Com 26 anos de serviços prestados na Brigada Militar (BM), o comandante interino do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM) chegou há quase um ano na cidade, após um longo período de serviços prestados no interior e região metropolitana.

Só que o município não era de todo estranho ao major. Neves começou a trabalhar na corporação justamente em Gravataí. O ano era 1991. E o aspirante a oficial passou um bom tempo na Morada do Vale naquele começo dos anos 90. É claro que a cidade era bem diferente naquela época. E não só isso. Conforme ele lembra, o próprio crime mudou muito de lá para cá. "A gente tinha problema, mas nada parecido com o que acontece hoje", diz.
Nem poderia mesmo. Gravataí chegou ao recorde de 169 assassinatos em 2017. O ano mais violento da história do município só não foi pior devido a atuação das forças de segurança como a Brigada e o popular 17. Pois foi para saber quais são as ideias do homem cuja missão no ano passado era organizar o policiamento ostensivo e acabar com a onda de mortes na cidade que entrevistamos o comandante, na sede do batalhão, ontem à tarde.

Com um discurso forte e objetivos bem definidos para 2018, ele promete: a Brigada Militar está trabalhando muito para que o 2017 não se repita. Confira:

Correio de Gravataí - O Sr. chegou em Gravataí no dia 1º de fevereiro do ano passado. Já existia pressão naquela época por causa das mortes?

Major Neves - Não. Pelo menos eu não sentia. Cheguei dias antes do tenente coronel Couto (Marcelo Couto de Souza, então comandante do 17º) se aposentar. Então acompanhei o trabalho dele por 15 dias, mas muita coisa ainda não passava por mim. Em seguida veio o coronel Vanderlei Padilha para responder pelo Batalhão. Foi só quando o coronel Padilha foi chamado para subir ao Comando do Policiamento Metropolitano (CPM) algum tempo depois que assumi interinamente o 17. Só que na época eu já estava atuando como subcomandante, bem mais inteirado do que estava acontecendo na cidade. Então confesso que a pressão era mais minha e interna, do batalhão, de que algo precisava acontecer, precisava mudar, do que externa.

CG - E o impacto foi grande se comparado a época em que o Sr. atuou na cidade?

Major Neves - Com certeza. Fiquei anos fora e quando voltei a diferença era grande. Tudo porque nesse período em que fiquei longe, Porto Alegre e a região metropolitana observaram uma migração da criminalidade da capital para as cidades mais próximas, Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada, Viamão, etc. Elas passaram a ser ocupadas por facções que antes só se importavam com Porto Alegre. E Gravataí tem hoje uma das maiores economias do Estado. É polo. Tem a BR-290, RS-118, RS-020 e RS-030, por onde passam investimentos mas também criminosos. Porque todo esse dinheiro atraiu o crime. E aí tu alia esse cenário a um outro com falta de efetivo das polícias, viaturas quebradas, e tudo o mais, e a violência cresce mesmo.

CG - E o que mais impressionou o Sr. ao chegar no batalhão?

Major Neves - O 17 sempre teve a característica de ser um batalhão forte, mas complexo. E me chamou a atenção a quantidade de confrontos entre PMs e criminosos que acontecia na cidade. Foram mais de 15. Só eu mesmo participei de dois. E isso me preocupou muito. Felizmente, terminamos o ano sem nenhum policial militar morto ou ferido. Se isso continuasse acontecendo com aquela frequência, uma hora ou outra o pior acontece. E quando digo o pior falo na morte de um inocente ou mesmo de um soldado em serviço. Ninguém quer isso. E para tanto precisamos trabalhar forte na prevenção antes que o crime ocorra. Nossa Operação Papai Noel, por exemplo, terminou com um único registro de roubo a uma loja de celulares, no qual os bandidos já foram presos e a carga recuperada. Acho que é por aí. Nos organizamos de forma a não deixar margem para que os criminosos agissem. Queremos diminuir os confrontos e ter uma repressão mais qualificada. A repressão vai sempre existir, mas pode acontecer através do bastão, taser ou em último caso com a arma de fogo.

CG - Passados dez dias do ano, Gravataí teve o registro de um homicídio, em decorrência de uma briga entre vizinhos. No ano passado, neste mesmo período, já eram sete mortos. O que está acontecendo?

Major Neves - Eu garanto que não é por acaso. Nosso pessoal vem trabalhando muito desde o meio do ano passado para conter a violência e está alcançando resultados. Isso não quer dizer que não vão existir mais mortes. Não é nada disso. Só que o planejamento estratégico existe. Há um trabalho forte em cima do tráfico de drogas, inclusive. Na semana passada mesmo, pegamos dois integrantes dos Manos que estavam agindo na Morada do Vale II. Foi um trabalho bem feito do POE (Pelotão de Operações Especiais) que resultou em prisão. Esses caras não voltam para rua tão cedo. E aí cabe salientar que a Polícia Civil também está cumprindo seu papel enquanto trabalhamos com o ostensivo. Porque sempre que a Civil identifica o delinquente e ele entra no sistema de busca, facilita o nosso trabalho para ir atrás dele. Ou seja, tem muito trabalho por trás deste número.

CG - Então pode-se dizer que de saída está sendo cumprida a meta de 2018 ...

Major Neves - Tenho um plano de metas, sim. E ele visa vários objetivos e não só estancar o número de mortes. Este é só um deles. É um trabalho que dá continuidade ao que vinha fazendo o coronel Padilha. E como hoje estou atuando como interino, nada impede que outro comandante assuma dando continuidade ao meu trabalho. Só que está tudo bem organizado. Eu segui no ritmo do coronel Padilha com um plano de gestão bem definido ...

CG - E entre as metas está trazer mais PMs para Gravataí?

Major Neves - Com certeza. Quero tornar Gravataí cada vez mais segura. Porque não é só a redução nos índices de homicídio que vai garantir a segurança. A população precisa sentir a presença da Brigada para que possa haver segurança. E isso implica em termos mais soldados na ruas.

CG - O governador José Ivo Sartori inclusive já anunciou que quer preencher mais de 6 mil vagas em um concurso para a Brigada Militar não é mesmo?

Major Neves - Eu ouvi que eram 4600 para todo o Estado. Seriam cerca de 2 mil para este ano, se não me engano. Enfim, a boa notícia é que Gravataí está na briga para sediar um curso da Brigada. Se tudo der certo, durante seis meses deste ano, a cidade vai abrigar 150 policiais militares em formação. Isso significa que esse pessoal todo vai estagiar nas ruas da cidade, protegendo a população daqui. E após o fim do curso, uma parcela destes novos PMs fica. Não se sabe o número, mas há a garantia de que fiquem. É claro que sediar o curso tem um custo. E para isso contamos com a ajuda do empresariado. Se Gravataí quer mais segurança, está na hora de brigarmos juntos por ela.

CG - E só com mais policiais é possível tornar as ruas de Gravataí seguras de novo, certo?

Major Neves - Não concordo. As ruas de Gravataí já são seguras. Achava um absurdo o que se falou no ano passado de Gravataínistão. Isso não existe. Nem nunca existiu. Vou me mudar para cá em breve, mas ainda moro em Porto Alegre. Moro em um condomínio seguro, é verdade, mas lá de casa eu ouço à noite as rajadas de metralhadora por causa dos bairros que ficam próximos de casa, como o Bom Jesus. Então oriento meu filho ao sair à noite. Se acontecer qualquer coisa, se joga no chão. É triste dizer isso, mas lá sim o risco é muito grande. Gravataí tem crime? Tem. Há furtos e roubos como em qualquer outro lugar. E estamos trabalhando justamente para diminuir estes índices. Agora, se me disserem que não dá para sair à noite, que a situação está fora do controle ... mentira! E este tipo de papo só colabora para trazer mais criminosos para Gravataí. Porque eles não querem buscar abrigo em uma cidade organizada. Eles vivem do caos. Então muito do que foi dito no ano passado colaborou decisivamente para o clima de insegurança da população. É preciso ter em mente isso para que os erros não se repitam esse ano.


Correio de Gravataí
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